Cavaco Silva pediu verdade aos partidos políticos
O Presidente da República apelou hoje aos portugueses a participarem activamente nos três actos eleitorais que se aproximam e pediu aos partidos que falem verdade. Foi na sessão solene dos 35 anos do 25 de Abril que decorreu esta manhã na Assembleia da República.
O Presidente da República pediu aos partidos para apresentarem propostas com realismo, autenticidade e sem ilusões, num debate que se deve centrar nos grandes problemas do país.
"Aquilo que se promete deverá ter em conta a realidade que vivemos no presente e em que iremos viver no futuro. Dizer que essa realidade será fácil será faltar à verdade aos portugueses. Quem prometer aquilo que objectivamente não poderá cumprir estará a iludir os portugueses", referiu Cavaco Silva na Assembleia da República.
Ainda em relação às próximas eleições o Presidente da República pediu aos agentes políticos e à comunicação social para fazerem campanhas eleitorais "esclarecedoras", com os jornalistas a dever informar "objectiva e imparcialmente" sobre as propostas das forças políticas.
Já aos políticos Cavaco Silva pediu para que "saibam dar o exemplo", concentrando-se num debate sobre a "resolução dos grandes problemas que o país enfrenta", com propostas com "realismo e autenticidade".
Cavaco Silva utilizou também parte do seu discurso para falar da crise que Portugal atravessa e que "não pode ser iludida" e ainda dos três actos eleitorais que irão decorrer entre Julho e Outubro deste ano.
"O exercício do sufrágio é, sem dúvida, a melhor homenagem que poderemos prestar à liberdade conquistada há 35 anos", disse Cavaco Silva no seu discurso ao mesmo tempo que fazia um "apelo directo" aos cidadãos para que "participem activamente" nas eleições, porque "a abstenção não é solução" e votar é contribuir para "a construção de um Portugal melhor".
Falando do 25 de Abril, Cavaco Silva, chamou a atenção que "num dia como o de hoje haverá com certeza muitos portugueses que se interrogam se foi este o país com que sonharam no 25 de Abril de 1974".
Realçou ainda que "a crise e o desemprego estão a lançar centenas de trabalhadores para o desemprego" e que "há famílias que não conseguem suportar os encargos com as prestações das suas casas ou a educação dos seus filhos".Jaime Gama envia recados
Outro dos discursos acompanhado com alguma atenção foi o do presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, que advertiu que a estabilidade no relacionamento institucional é "imperativo de Estado" na actual conjuntura de crise e que nenhum órgão de soberania pode limitar-se a endossar responsabilidades a terceiros.
Jaime Gama aproveitou a oportunidade para enviar alguns recados começando pelos partidos dizendo que "as dificuldades que temos pela frente exigem instituições que sejam factor de confiança e o primeiro dos factores de confiança é dado pela forma como as instituições actuam e se relacionam entre si".
O presidente da Assembleia da República recomendou ainda "prudência num debate político mais atento à realidade e ao rigor de análise, voltado para soluções e não baseado num fogo de artifício de palavras, ampliado pelo grafismo dos títulos ou pelo som e imagens estridentes, sempre recurso de quem se afigura mais certeiro a manipular do que a resolver, a fazer ou a querer fazer".
Jaime Gama lembrou a crise e que "ninguém com mandatos públicos deverá colocar-se fora deste quadro, construir um argumentário de refúgio para endossar exclusivamente a terceiros o peso das decisões ou promover miragens de optimismo irracional destituídas de sentido".
Sobre as três eleições que se aproximam Jaime Gama referiu ser um "ano de calendário eleitoral intenso" com "desafios de ordem económica e social de enorme amplitude" e "desafios que nos obrigam a um caminho estreito, com rota balizada por parâmetros nada flexíveis".
Partidos também assinalam o 25 de Abril
Os partidos políticos foram os primeiros a discursar nesta sessão solene dos 35 anos do 25 de Abril que esta manhã decorreu na Assembleia da República.
A oposição quase por unanimidade pediu uma "ruptura" em relação ao Governo, enquanto o PS afirmou que "Portugal vai dar a volta, vencendo a crise".
O líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, apresentou o discurso mais polémico e ao falar do "bem da liberdade" acusou o Governo de o "renegar às gerações futuras" já que a liberdade é "o maior bem que uma geração pode dar a outra".
Num discurso marcadamente político e pouco comemorativo do 25 de Abril, Paulo Rangel aproveitou a oportunidade para fazer campanha acusando o Governo de "roubar a liberdade de escolha às gerações futuras" com o seu "programa de grandes obras públicas" porque este deixará "uma dívida monstruosa", uma "renda anual de 1500 milhões de euros até 2040, durante 30 anos".