CDS. Presidente do Congresso apela à retirada de moções em nome da união
O presidente da mesa do congresso do CDS-PP, José Manuel Rodrigues, apelou aos primeiros subscritores das três moções a votação que as retirassem, em nome da união em torno da recandidatura de Nuno Melo à liderança do partido.
"Em nome da unidade do partido, em nome do aprofundamento da estratégia política e do reforço da autonomia do CDS e da sua independência enquanto partido com uma matriz única, quero apelar à Juventude Popular, e também aos autores das duas outras moções, Nuno Correia da Silva e Hugo Gonçalves, que possam contribuir com sentido de responsabilidade para que o partido saia totalmente unido deste Congresso, à volta do líder Nuno Melo e de uma estratégia nova para o CDS", afirmou o presidente da mesa do Congresso.
O centrista apelou assim a que todas as moções, excluindo a do líder, não fossem levadas a votação.
No apelo feito "em nome do fortalecimento do CDS", José Manuel Rodrigues esclareceu não estar a pedir à Juventude Popular "que desista das suas ideias, nem que abdique das suas propostas", mas apenas que dê "uma oportunidade, com responsabilidade", para que a liderança de Nuno Melo, "que tirou o partido da irrelevância política, possa pôr em prática uma estratégia que afirme ainda mais o CDS", que reforce a identidade e que fortaleça a autonomia do partido em relação ao nosso parceiro de coligação (PSD) e todo o quadro partidário nacional".
O CDS "tem que ter mais vida do que ser apenas Governo em Portugal ou nas regiões autónomas", disse o presidente da mesa do congresso, defendendo que o partido tem que sair de Alcobaça, onde o congresso decorre até domingo, "mais forte, mais unido, mais solidário".
O presidente da mesa fazia a sua segunda intervenção no congresso em que considera ter ficado claro que "não está em causa a liderança do CDS", mas "pode estar em causa o afinamento, o aprofundamento da estratégia política que tem vindo a ser seguida".
No seu entender, o partido deve ter mais autonomia estratégica" em relação ao parceiro de coligação, o PSD, "seja no Governo da República, seja nos governos regionais", ou nas autarquias governadas pela coligação.
Para o centrista, no congresso ficou também claro que "uma coligação não é uma fusão" nem "uma diluição de um partido no outro partido", cabendo ao CDS "evitar é que se caminhe neste sentido ou que haja a tentação, por parte de alguns dirigentes do nosso parceiro de coligação, de tentar uma absorção do CDS pelo PSD".
O presidente da mesa deu mesmo razão à Juventude Popular, que na sua moção defendeu que o partido deve ter "mais músculo".
Esse músculo, afirmou José Manuel Rodrigues, "deve representar mais autonomia estratégica e um caminho próprio, independentemente daqueles que também caminham num determinado momento ao nosso lado, como é o caso do PSD".
Para o também líder do CDS/Madeira, não é por apostar numa coligação com o PSD que o CDS corre "risco da extinção e/ou de uma possível diluição", já que o partido já esteve noutras coligações e "nunca se extinguiu", apesar de já ter ficado fora da Assembleia da República por "ter escolhido o caminho errado", concluiu.