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Chave de Honra de Lisboa para Soares cai mal no Caldas

Chave de Honra de Lisboa para Soares cai mal no Caldas

A entrega da Chave de Honra da Cidade de Lisboa a Mário Soares, uma homenagem promovida por António Costa, passou esta semana na Câmara da capital com a abstenção do PCP e a oposição do CDS-PP. Numa declaração de voto agora tornada pública, João Gonçalves Pereira, vereador democrata-cristão, sustenta que o antigo Presidente da República deixou de ser “uma personalidade consensual”, apesar da sua “carreira política nacional e internacional”.

Carlos Santos Neves, RTP /
Hugo Correia, Reuters

Há uma indigestão política no seio do executivo camarário de Lisboa. Mais aguda à direita. A agência Lusa divulgou esta quinta-feira o teor de uma declaração de voto em que o vereador do CDS-PP João Gonçalves Pereira explica as razões que levaram o partido a opor-se à atribuição da Chave de Honra da Cidade a Mário Soares. Por iniciativa do novo secretário-geral socialista.

Uma tal homenagem, argumenta o edil democrata-cristão, “não deve ser confundida com um aniversário pessoal”.

“Até hoje, as personalidades agraciadas com a Chave da Cidade o foram por algum facto específico: nas três personalidades nacionais, até hoje agraciadas, estiveram em causa feitos ou obras internacionalmente reconhecidas. Ora esse patamar deve ser preservado e não deve ser confundido com um aniversário pessoal ou um mero gesto político”, propugna no texto o vereador do partido de Paulo Portas.

Embora dê como adquirido “o percurso e a carreira política nacional e internacional do Dr. Mário Soares”, Gonçalves Pereira afirma que o fundador do PS “não é nos dias de hoje uma personalidade consensual, tendo assumido posições de radicalismo político e de incitamento à violência que não podem ser esquecidas”.

“Em política, as palavras têm consequências e o nosso partido não deve com o seu voto concordar ou de alguma forma legitimar essas posições do Dr. Mário Soares”, remata o vereador.
“Em louvor”
Foi na quarta-feira que a entrega da Chave de Honra de Lisboa a Soares esteve em debate em reunião de Câmara, a partir de uma proposta com a assinatura de António Costa.

“Numa ocasião de tão grande significado, aquela em que ele comemora o seu 90.º aniversário, tenho a honra de propor que a Câmara Municipal de Lisboa delibere atribuir a Chave de Honra da cidade de Lisboa ao Dr. Mário Soares, em reconhecimento pelos serviços prestados e em louvor do seu combate pela democracia, pela cidadania, pela cultura, pela projeção de Portugal e da sua capital no mundo”, propugnou o autarca.“Mário Soares é um dos grandes portugueses e um dos grandes lisboetas do nosso tempo, marcando decisivamente a nossa história e alcançando um prestígio internacional ímpar”, arguiu António Costa.

De acordo com o mesmo documento, a Chave de Honra cabe a “personalidades de reconhecido mérito que se notabilizaram e prestaram relevantes serviços à cidade”. Mário Soares, defendeu Costa, “deu contributos fundamentais para a projeção de Lisboa e demonstrou sempre uma enorme fidelidade à sua cidade natal”.

“A Lisboa de Soares”, prossegue o texto da proposta do presidente da Câmara, “é a Lisboa da Baixa, onde teve escritório de advogado, na Rua do Ouro, e a Lisboa dos cafés que frequentou em tertúlias políticas e intelectuais. É a Lisboa do comício da Fonte Luminosa e a Lisboa dos alfarrabistas, das livrarias e dos cafés. É a Lisboa do velho Parque Mayer, onde aplaudia as revistas à portuguesa, que não perdia, e a Lisboa da varanda do Palácio de Belém, de onde gostava de olhar o Tejo. É a Lisboa das marchas populares, cujo renascimento patrocinou, e a Lisboa da Estação de Santa Apolónia, onde regressou a Lisboa na Revolução do 25 de Abril”.

O líder socialista recordou ainda que foi no Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, que se assinou o Tratado de Adesão de Portugal à CEE, quando Mário Soares era primeiro-ministro.

(c/ Lusa)
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