"Chega às vezes é mais socialista do que o PS", diz ministro Pinto Luz

"Chega às vezes é mais socialista do que o PS", diz ministro Pinto Luz

No dia em que Luís Montenegro e André Ventura se voltam a sentar frente a frente para discutir a reforma da legislação laboral proposta pelo Governo, o ministro das Infraestruturas e Habitação diz, na rádio pública, que "o Chega, às vezes, é mais socialista do que o PS. O Chega agora tem atitudes e posições públicas sobre temas absolutamente fraturantes que o coloca mais à esquerda que o PS".

Andreia Brito com Natália Carvalho /

Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas

Em entrevista ao podcast da Antena 1, Política com Assinatura, Miguel Pinto Luz, assegura que negociar com o Chega “é tudo menos fácil”, mas que o Governo negoceia com todos os partidos e que “em sede da Assembleia da República temos de encontrar esses equilíbrios”.
Sobre a reforma laboral, e se admite que a proposta baixe à especialidade sem votação na generalidade, para o ministro “isso é algo que cabe ao grupo parlamentar e à minha colega do Trabalho e ao Sr. primeiro-ministro”.
“PS é partido ziguezagueante”
Nesta entrevista, mais do que querer elogiar o Chega, Pinto Luz critica o Partido Socialista (PS), desde logo na discussão sobre a reforma da lei laboral.

O ministro afirma que "negociar com o PS é negociar com um partido dividido, com um partido ziguezagueante e com um partido que muitas vezes privilegia taticismo ou ganhos de curto prazo”.

Num discurso muito crítico dos socialistas, Pinto Luz diz mesmo que “o PS é um partido profundamente dividido. E essa divisão traz menos salubridade e saúde à capacidade de o PS negociar”.
O Ministro das Infraestruturas e Habitação volta a atirar farpas ao PS quando o tema é o Orçamento do Estado para 2027.

Comentando as declarações de Ferro Rodrigues, o antigo secretário-geral socialista que pediu ao PS para não viabilizar a futura proposta do Governo de Orçamento do Estado para o próximo ano, Miguel Pinto Luz afirma que “não acredito que esse PS do Dr. Ferro Rodrigues mais - quero ser simpático - mais acutilante, a resvalar para a irresponsabilidade, volte outra vez. Eu acreditava que já lá ía! Parece que não!

Isso não é política séria”, acrescenta. E deixa o recado: “não acredito que o PS e o Dr. José Luís Carneiro possam, de uma forma ligeira, tomar decisões sobre um orçamento que nem sequer conhecem”.

Garante ainda que o PS “não é afastado de coisa nenhuma”, e acusa o partido de José Luís Carneiro de, “colocar-se sistematicamente de fora de qualquer negociação”.
Miguel Pinto Luz recusa traçar cenários caso o OE27 não seja viabilizado nem pelo Chega nem pelo PS. "Aceita duodécimos?”, pergunta a jornalista. “Não vou fazer essa análise de futurologia”, responde o ministro.
E se o PR pedir contas? “Que peça!"
Sobre a cooperação entre o Presidente da República e o Governo, Miguel Pinto Luz não teme que António José Seguro comece a pedir contas ao Governo. “Que peça! É saudável que assim seja”, declara de forma veemente.

Então um Presidente da República que foi eleito da forma absolutamente categórica, um homem que tem demonstrado equilíbrio, vontade de juntar aquilo que muitas vezes está desavindo...”, elogia o ministro.

Quem está na vida pública e que não está disponível para ouvir um piropo ou um raspanete de vez em quando, mude de vida”, sugere.
Ao Política com Assinatura assegura que o PSD está a governar a pensar numa maioria absoluta nas próximas eleições. E defende o partido, referindo que, perante uma vitória sem maioria absoluta, o PSD não virou as costas ao país, nem “fizemos exercícios de contorcionismo político à semelhança do que fez o PS” referindo-se à geringonça.
Ministro diz que Passos Coelho é um senador, mas não concorda com a sua visão do Governo
Eu nem sempre tenho de concordar com Passos Coelho e neste caso não concordo com muitas das afirmações que fez”, e dá um exemplo: “não concordo com a visão que Passos Coelho colocou sobre o Governo”.

Pinto Luz comenta assim as declarações do antigo primeiro-ministro que criticou o ritmo das reformas do atual Governo e reafirma aquilo que outros ministros têm dito: que este tem sido um Executivo reformista.

Questionado pela editora de política da Antena 1, Natália Carvalho, sobre o porquê de Pedro Passos Coelho criticar mais os Governos de Luís Montenegro do que os Governos de António Costa, o ministro das Infraestruturas e da Habitação adianta que “olho com um carácter mais benévolo as suas palavras e vejo em Passos Coelho uma vontade incessante de reformar, de fazer mais, quer que os seus possam fazer mais e é positivo”.

A Passos Coelho, Pinto Luz chama “senador” e diz que “tem o direito e o dever de falar” por ter dado muito ao país.

Na democracia portuguesa não abundam senadores. Não convém nos darmos ao luxo de deixar de ouvir aqueles que já muito deram e têm para dar ao país”, afirma e conclui: “acho que o país se deve habituar a lidar bem com estes senadores”.
Nesta entrevista assegura que tanto o país como o PSD respeitam Passos Coelho, e que, tal como outros antigos líderes do PSD, o antigo primeiro-ministro é bem-vindo ao Congresso Nacional do partido que se realiza nos dias 20 e 21 de junho.
Liderança do PSD? “Farei a minha avaliação daquilo que será o futuro"
Questionado pela editora de política da Antena 1 sobre a disponibilidade para se candidatar à liderança do PSD, no cenário pós-Montenegro, Miguel Pinto Luz não põe de parte essa possibilidade.

Estou muito contente por fazer este percurso ao lado de Luís Montenegro. Quando terminar este percurso farei a minha avaliação familiar, pessoal e política daquilo que será o futuro”, revela.


A poucos dias do Congresso Nacional do PSD, no qual Luís Montenegro será o único candidato à liderança, Miguel Pinto Luz desvaloriza o facto de não existirem outras candidaturas. “O partido está absolutamente tranquilo com a sua liderança”, garante.

E acredita mesmo que “estamos no início de uma longa jornada do primeiro-ministro Luís Montenegro. Acredito piamente que vamos chegar ao final desta legislatura e que teremos continuidade”.
Estaleiro no aeroporto de Lisboa é “custo político”
As obras no aeroporto de Lisboa são um “custo político” para o Governo, admite o ministro das Infraestruturas.

Pinto Luz acusa os Governos socialistas de António Costa de não terem feito obras em nenhum dos aeroportos nacionais.

Temos custos políticos com isto? Temos e os custos são um aeroporto que é um estaleiro. Mas tem de ser para fazermos aquilo que não foi feito em oito anos”, lamenta.

Em nome do Governo de Portugal pedir desculpa aos portugueses por oito anos de indecisões”, enfatiza e destaca que em conjunto com o Ministro da Administração Interna tomaram decisões que tornaram as “fronteiras melhores do que estavam há quinze dias, há um mês, há dois meses”.
Novo aeroporto avança a “ritmo aceleradíssimo”, garante ministro
Ainda referindo-se às críticas de Passos Coelho sobre o ritmo reformista do Governo, Miguel Pinto Luz destaca o caso da construção do novo aeroporto de Lisboa como um exemplo de “ritmo aceleradíssimo”.

Assegura que a ANA Aeroportos de Portugal, responsável pelo projeto do novo aeroporto em Alcochete, “está a cumprir ao dia” e que em janeiro de 2028 a empresa entregará “ao Estado português o projeto do novo aeroporto, a avaliação do impacto ambiental e as condições económico-financeiras para o executar, dentro das regras que o Governo colocou”.
Quem ficar com a TAP só no verão de 2027 é que pode entrar com o capital na empresa.

O ministro das Infraestruturas explica que isso acontece devido ao facto de “esta Europa, se calhar demasiado burocrática e penalizadora dos tempos de decisão a que os tempos de hoje obrigariam” incluir instituições que terão de se pronunciar sobre o processo.

No entanto Pinto Luz esclarece que a empresa que o Governo escolher em setembro deste ano, pode, já em 2026, fazer a cogestão da companhia de aviação em conjunto com a Administração da TAP.
Nesta entrevista o ministro responsável também pela pasta da Habitação recusa responsabilidades no setor até porque, lembra, que o pacote fiscal relativo à habitação está promulgado, mas ainda não está em vigor.

Nega que as rendas estejam a subir, prevê aliás a manutenção ou mesmo a descida no preço das rendas cobradas pelos senhorios. Estima aliás uma “curva descendente”. E acredita que o preço das casas vai descer. “Só descerá quando construirmos mais” e critica os anteriores Governos socialistas de em oito anos não terem construído habitação.

Entrevista conduzida por Natália Carvalho, editora de política da Antena 1.
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