"Chocado ficou o país com a tragédia", reage Marcelo

"Chocado ficou o país com a tragédia", reage Marcelo

O Presidente da República comentou esta quinta-feira as informações da imprensa a apontar para o choque com o qual o Governo teria encarado a posição de Belém após os incêndios deste mês. “Chocado ficou o país com a tragédia vivida”, devolveu Marcelo Rebelo de Sousa, para imediatamente condenar o “diz que disse especulativo”.

Carlos Santos Neves - RTP /
O Presidente da República foi questionado sobre manchete da edição desta quinta-feira do jornal <i>Público</i> Miguel A. Lopes - Lusa

“Há duas maneiras de encarar a realidade. Uma maneira é o diz que disse especulativo de saber quem ficou mais chocado: se foi A com o discurso de B, se foi B com o discurso de A. E, depois, há uma segunda maneira, que é a de compreender que chocado ficou o país com a tragédia vivida, com os milhares de pessoas atingidas”, redarguiu o Presidente da República, que falava aos jornalistas na Ilha Terceira, nos Açores.“Governo chocado com Marcelo: As coisas estavam combinadas”, lê-se em manchete na edição desta quinta-feira do Público.


“Eu entendo que a forma correta é a segunda e que quem olha para a realidade do diz que disse especulativo não entendeu e não entende nada do que se passou em Portugal nas últimas semanas”, reforçou Marcelo, ao lado do ministro da Defesa, Azeredo Lopes.

Ainda segundo o Presidente, importa responder ao país “que, naturalmente, esperou uma palavra dirigida às vítimas e que espera, com urgências, reparação, reconstrução e olhar para o país atingido”.

Marcelo Rebelo de Sousa voltaria a carregar na ideia da “urgência” no processo de reconstrução dos concelhos atingidos pelas chamas, “porque esse país não pode ser esquecido sistematicamente”. E “faltam menos de dois anos para o termo da legislatura deste Parlamento e deste Governo”.
“O essencial”

Questionado sobre o estado do relacionamento entre Governo e Presidência da República, o Chefe de Estado respondeu: “Os portugueses esperam que o Presidente coloque o essencial muito acima daquilo que não tem importância nenhuma”.

“O essencial”, continuou o Presidente, “são as vidas desaparecidas, são as vítimas que esperam a reconstrução, a reparação, o recomeço da sua existência”.

“Tudo o resto, com o devido respeito, parece-me totalmente irrelevante, totalmente irrelevante”, vincou.

O Presidente da República foi também questionado sobre um artigo de opinião de Simões Ilharco na publicação do PS Ação Socialista, igualmente crítico de uma postura dita presidencialista de Belém. Marcelo Rebelo de Sousa remeteu para as declarações anteriores.
“Não fiquei chocado”
Por sua vez, o titular da pasta da Defesa Nacional quis afiançar que não se sentiu chocado com as posições assumidas pelo Presidente após a vaga de incêndios florestais que varreu as regiões norte e centro do país, evitando alargar-se em comentários.

“Não fiquei chocado e, evidentemente, não vou falar por cima daquilo que o senhor Presidente disse”, sintetizou Azeredo Lopes.

Adiante acrescentaria, depois de novamente questionado sobre o estado de espírito do Executivo e a sua própria posição: “Nem demarco, nem deixo de demarcar. Eu não falo nem por cima, nem por baixo, nem ao lado do senhor Presidente e acho que o senhor Presidente disse tudo”.

Marcelo Rebelo de Sousa visita até sábado as ilhas açorianas de Santa Maria e São Miguel. Esta quinta-feira acompanhou com Azeredo Lopes, no Miradouro da Serra do Facho, o exercício militar Lusitano 2017.

c/ Lusa
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