Contas arrestadas. Marcelo admite "ónus político" no caso da nova secretária de Estado

Contas arrestadas. Marcelo admite "ónus político" no caso da nova secretária de Estado

"Alguém, em abstrato, que tem uma ligação familiar próxima a quem é acusado num processo de uma determinada natureza, à partida tem uma limitação política. É um ónus político", considerou o Presidente da República.

RTP /

Foto: António Pedro Santos - Lusa

"Do ponto de vista do Direito, [a secretária de Estado] não é arguida, não é acusada, do ponto de vista do controlo constitucional e legal não há caso de inconstitucionalidade. Outra coisa é a questão política", sublinhou. 

"Alguém, em abstrato, que tem uma ligação familiar próxima a quem é acusado num processo de uma determinada natureza, à partida tem uma limitação política. É um ónus político", considera o Presidente da República relativamente ao caso da secretária de Estado da Agricultura, Carla Alves, que terá arrestadas contas bancárias em comum com o marido, o ex-presidente da Câmara de Vinhais, Américo Pereira.

"Não é um problema nem jurídico nem ético, é um problema político de uma pessoa que sabe do escrutínio que existe na opinião pública", explicou Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhando a existência dessa "limitação política".

Interrogado pelos jornalistas sobre se Carla Alves tem condições para se manter no Governo, o chefe de Estado respondeu: "Esse é o juízo que as pessoas devem formular sobre si próprias".

O Presidente sublinha ainda que, independentemente do controlo que existe nos executivos e de mecanismos que venham a ser adoptados - como preconizou já o primeiro-ministro António Costa com o "circuito de fiscalização" proposto esta tarde no Parlamento - devem ser os próprios titulares de cargos políticos a fazer um "auto-escrutínio".
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