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El Mundo aponta erro de Cavaco ao dar prioridade a Passos

El Mundo aponta erro de Cavaco ao dar prioridade a Passos

O editorial do jornal espanhol é claro quanto às opções de Cavaco Silva para recompor a paisagem da próxima legislatura. O Presidente deve dar posse a um governo que será “legítimo”, apesar de trazer consigo uma série de riscos que poderão custar o “regresso ao descontrolo nas contas públicas“. El Mundo acusa Cavaco Silva de teimosia e de se esquecer do cargo para favorecer a continuação de Passos em São Bento.

Paulo Alexandre Amaral - RTP /
Mário Cruz - Lusa

Portugal teve esta quinta-feira honras de editorial nos principais jornais espanhóis: El Mundo e El País, o primeiro conservador, o segundo nem tanto. Em comum a ideia de que Cavaco Silva não tem outra saída que não a de dar posse a essa ampla coligação de esquerda liderada pelos socialistas (PS+BE+PCP+"Os Verdes"), ainda que daí possam advir todos os males do mundo.

De resto, os dois jornais não poupam o Presidente por essa decisão de chamar Pedro Passos Coelho e de o incumbir de apresentar um governo que, apesar de ungido em Belém, se sabia de antemão que iria inevitavelmente cair de joelhos em São Bento.“Extravasando as funções de neutralidade que lhe são exigidas pelo cargo, o Chefe de Estado português teimou que seria o seu correligionário Passos Coelho a formar Governo”.

Ambos os jornais assinalam esse número que entrou para os livros de História em Portugal: 11. Onze dias que fazem deste o Governo mais curto que o país conheceu.

Convergem os editoriais no sentido de que era mais do que certo o chumbo da nova formação governamental de Passos quando fosse apresentado o Programa de Governo no Parlamento.

Tanto El País como El Mundo assinalam que era demasiado desequilibrada a proporção de votos entre a direita e uma esquerda que finalmente ultrapassou um estigma que manteve essa separação de forças entre PS e restante bancadas de esquerda durante quatro décadas.

Uma diferença que em tudo beneficiava a esquerda, por um lado, e que revelava a fragilidade da coligação PSD/CDS-PP, por outro.

No entanto - e curiosamente -, é o conservador El Mundo quem leva a crítica ao coração da Presidência: “Extravasando as funções de neutralidade que lhe são exigidas pelo cargo, o Chefe de Estado português teimou que seria o seu correligionário Passos Coelho a formar Governo”.
A opção única de Cavaco
É neste sentido que El Mundo vem dizer que o Presidente “deve respeitar a maioria da aliança de esquerda (…) as regras do sistema parlamentar português e o respeito ao resultado das urnas exigem que Cavaco opte por esta segunda opção”.

O que para os periódicos espanhóis levanta desde logo outra questão: será o PS de António Costa capaz de controlar as prioridades da coligação de esquerda e mantê-la debaixo de um chapéu que não faça derrapar as contas do Estado?

“É a primeira vez desde 1975 que os socialistas se põem de acordo com a extrema-esquerda e isso provocou o receio dos mercados sob a forma de pressão sobre a dívida e quedas da bolsa em Lisboa”, lembra El Mundo.

O jornal aponta que a coligação de esquerda não parece naturalmente equipada para lidar com as exigências e metas dos burocratas da União Europeia e Bruxelas: “Parece difícil, com este programa, cumprir os objetivos de défice fixados pela UE (…) O maior perigo para a economia lusa é que o regresso da esquerda ao poder, ainda que legítima, implique o regresso ao descontrolo nas contas públicas”.

c/ Lusa
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