Ex-dirigente do BE lamenta utilização de Louçã

Ex-dirigente do BE lamenta utilização de Louçã

Joana Amaral Dias não gostou do "aproveitamento político que Francisco Louça" fez do convite do PS para que a ex-deputada do Bloco de Esquerda integrasse as listas socialistas. As críticas foram feitas numa entrevista publicada no "Diário de Notícias", em que justificou a recusa pelo afastamento do PS "moderninho" de Sócrates.

RTP /
Joana Amaral Dias diz que Francisco Louçã fez uma utilização “lamentável” do convite que lhe foi endereçado pelo PS e que este teve um empolamento político desnecessário RTP

A "ainda" militante bloquista afirmou que não se sentiu ofendida pelo facto do PS a ter contactado. Por considerar ser a atitude "correcta" e "por uma questão de transparência" decidiu comunicá-lo à direcção do Bloco de Esquerda.

"O convite foi-me dirigido pelo Paulo Campos e eu disse que não. Tinha havido antes outras tentativas de aproximação, as quais também já tinha recusado", reiterou a ex-dirigente bloquista, que se manifestou desagradada com "a utilização que o Francisco Louça deu a esse convite".

"Eu é que teria de fazer a gestão política desse convite e não Francisco Louça. Para além de também não me rever no excesso de atenção e exposição que este convite recebeu na comunicação social", afirma.

Os motivos para a recusa prendem-se com o total desacordo com as políticas do Executivo socialista liderado por José Sócrates; uma oposição que, segundo nota a própria Joana Amaral Dias, foi expressa "nos jornais, na rádio, na televisão e em todo o lado".

"Tenho uma postura muitíssimo crítica em relação à governação Sócrates e jamais poderia aceitar um convite nesta situação. Não vejo condições políticas para ser deputada pelo PS de Sócrates, nenhumas", garante Joana Amaral Dias.

A ex-dirigente do Bloco de Esquerda foi mandatária para a juventude na última candidatura presidencial de Mário Soares, líder histórico socialista. "Com esse PS, plural e mais à esquerda e que tem abertura para outros temas, eu identifico-me. Com este PS, pelo contrário, quero distância", esclarece.

Contra representação de um "Portugal moderninho"

A geração "mileurista" (que ganha mil euros por mês), o facto de pessoas com qualificações estarem a trabalhar muito abaixo da sua realidade - levando-as a sair do país -, e a ausência de uma governação à esquerda para dar resposta aos problemas da crise estão entre os motivos do descontentamento da antiga deputada.

"O que se passa é que Sócrates nem de esquerda é, mas o representante do Portugal moderninho. As únicas ideias que este primeiro-ministro tem para Portugal são os Magalhães, os cheques-bebé e mais quatro ou cinco medidas e acha que irá resolver os 10 ou 11 por cento de desemprego com trinta mil estágios", disse.

Um esvaziamento de propostas interpretado pela psicóloga como "pouco posicionamento ideológico e de pouca clareza no espectro partidário e político".

A governação do primeiro-ministro - "fez uma política claramente de direita antes da crise e continua a fazer depois" - é, de igual modo apontada pela militante do BE, como responsável pela inviabilização de uma coligação de esquerda. Joana Amaral Dias

Política de verdade no Manifesto nazi

Rejeitando qualquer proximidade ao PSD de Manuela Ferreira Leite, Joana Amaral Dias traça uma analogia entre o slogan "Política de Verdade" e o manifesto nazi "que tinha logo nas suas primeiras linhas referências sobre os mentirosos políticos".

Critica as "poucas ideias" do programa político social-democrata e a dificuldade em "definir prioridades" para responder à crise.

Convicta que o resultado das legislativas vai dar um aumento acentuado ao Bloco de Esquerda, a agora militante de base considera que o partido enferma do facto de "os seus principais dirigentes ainda não terem definido claramente se querem ou não exercer o poder em Portugal". Também aponta a necessidade do desenvolvimento de uma identidade própria, que não se reduza às origens no PSR, UDP e ex-PCP.

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