Francisco Louçã condena “brincadeira patética” na posição socialista

Francisco Louçã condena “brincadeira patética” na posição socialista

O coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda considera que o PS está a alimentar uma "telenovela relativamente menor" ao desdobrar-se em desmentidos e explicações sobre a abertura das listas socialistas a Joana Amaral Dias. Francisco Louçã descreve como "brincadeira patética" a exigência socialista de um pedido de desculpas e reafirma que houve convite.

RTP /
O PS reafirma que se impõe "mais do que nunca" um pedido de desculpas de Francisco Louçã a José Sócrates Carlos Santos, Lusa

É com base em pelo menos seis reacções ao caso de Joana Amaral Dias protagonizadas pelo PS no espaço de uma semana que o dirigente do Bloco de Esquerda Francisco Louçã faz a leitura de uma "telenovela relativamente menor" que "acabou". Para o coordenador da Comissão Política do Bloco, "não resta agora nenhuma dúvida de que o Governo mentiu". Isto porque "foi um membro do Governo que convidou Joana Amaral Dias".

Ao cabo de uma semana de silêncio, a militante do Bloco de Esquerda confirmou na sexta-feira que foi convidada pelo secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, para integrar as listas do PS pelo círculo de Coimbra, tendo sido aliciada com a promessa de um cargo público.

Em declarações à agência Lusa, o governante desmentiu "de forma categórica" que, em contactos "pessoas e privados", tivesse formulado um convite a Joana Amaral Dias "para assumir o lugar de candidata a deputada". Mais tarde, em entrevista à RTPN, Paulo Campos viria a admitir que, em conversa "informal", fez uma "indagação" junto de Joana Amaral Dias porque tinha "uma indicação" de que a militante do Bloco "estava disponível para analisar este tema".

"Eu não conversei nem estava mandatado pelos órgãos do meu partido para falar sobre esta matéria", sublinhou o secretário de Estado.

Joana Amaral Dias confirma convite

Após a reacção de Paulo Campos, Joana Amaral Dias manteve a sua versão dos acontecimentos: "Este convite foi-me feito pelo secretário de Estado das Obras Públicas Paulo Campos, que, aliás, de alguma forma já deu o dito pelo não dito após a Visão ter publicado a história.

A militante do Bloco de Esquerda negou, ainda, que tivesse mantido qualquer conversa telefónica "pessoal e íntima" com Paulo Campos, garantindo que "mal conhece" o secretário de Estado das Obras Públicas.

"Foi-me perguntado directamente se eu estava disponível para integrar as listas, ser deputada pelo Partido Socialista na próxima legislatura, convite e proposta que rejeitei liminarmente e com clareza", reforçou Joana Amaral Dias.

Louçã exige "transparência" e "verdade"

No passado fim-de-semana, o primeiro-ministro veio a público para desmentir "categoricamente" que tivesse "convidado Joana Amaral Dias ou pedido a alguém para a convidar". Na altura, José Sócrates dizia ainda lamentar que "um líder político utilize uma falsidade para atacar outro".

Nas declarações à RTPN, o secretário de Estado das Obras Públicas argumentou que "esta questão tem sido aproveitada para um ataque infame do líder do Bloco de Esquerda, que acusou o secretário-geral do Partido Socialista de ter feito directamente um convite, coisa que está provado que não fez". Paulo Campos reiterou que Francisco Louçã devia "retratar-se publicamente".

O coordenador da Comissão Política do Bloco, que imputou ao primeiro-ministro uma estratégia política de "tráfico de influências", afirma agora que o caso ficou encerrado com as declarações de Joana Amaral Dias. Quanto à posição do PS, que insiste na exigência de um pedido de desculpas a José Sócrates, Louçã pede ao Governo que não o "confunda com as suas trapalhices".

"Eu não faço parte de brincadeiras patéticas. O primeiro-ministro, o ministro do Trabalho e o porta-voz do PS desmentiram totalmente que tivesse havido um convite a Joana Amaral Dias. Esse convite existiu e foi um membro do Governo", assinalou Francisco Louçã à Antena 1.

O Bloco de Esquerda, frisou Louçã, actua com base em "critérios": " Se o engenheiro Sócrates e o seu Governo não gostam desses critérios, o problema é deles. Insultem-me todos os dias, estão à vontade. Cá estou para receber esses insultos. O critério é o de que é preciso transparência e é preciso verdade".

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