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Governo reitera que prisioneiros não passaram sobre Portugal

Governo reitera que prisioneiros não passaram sobre Portugal

O Governo português reafirmou esta noite não ter havido qualquer sobrevoo ou escala de repatriamento de detidos de Guantánamo sobre território nacional. Fonte do Executivo admite que tenham existido diligências diplomáticas nesse sentido, mas nega que estas movimentações tenham resultado num pedido oficial por parte de Washington. Mantém-se assim a versão oficial já defendida pelo MNE Luís Amado.

RTP /

Há uma semana, o chefe da diplomacia portuguesa garantia no Parlamento não ter havido qualquer sobrevoo ou escala de repatriamento de detidos de Guantánamo sobre território português, apesar das diligências diplomáticas confidenciais nesse sentido.

O ministro dos Negócios Estrangeiros foi instado na altura a esclarecer o conteúdo de um telegrama da embaixada norte-americana divulgada pelo Wikileaks.

No domingo, o jornal espanhol El País citou documentos diplomáticos norte-americanos nos quais é assinalado que Lisboa permitiu aos Estados Unidos "usar a base dos Açores para repatriar detidos de Guantánamo".

O El Pais teve acesso a um telegrama de há três anos - e que faz parte dos documentos libertados pelo Wikileaks - no qual a Administração norte-americana agradece ao primeiro-ministro José Sócrates a luz verde para o uso da base açoriana das Lajes.

À semelhança da posição de Luís Amado, o gabinete do primeiro-ministro confirma os contactos informais com os Estados Unidos mas nega que os voos se tenham realizado.

Outros telegramas despejados no El País
O jornal espanhol acaba de divulgar vários telegramas da diplomacia norte-americana disponibilizados no Wikileaks sobre Portugal.

Num dos telegramas é mencionada a disponibilidade do presidente do BCP, Carlos Santos Ferreira, para fazer trabalho de espionagem e entregar a Washington informações sobre o sistema financeiro do Irão.

De acordo com o El Pais, esta disponibilidade para espiar funcionaria como moeda de troca para não sofrer penalizações nos Estados Unidos por ter negócios com o regime iraniano.

Nos telegramas, os diplomatas norte-americanos apontam o conhecimento da operação ao primeiro-ministro português, o que foi já negado pelo gabinete de José Sócrates.

Os mesmos documentos mencionam ainda opiniões da diplomacia norte-americana sobre os chefes de Estado e de Governo portugueses, José Sócrates e Aníbal Cavaco Silva, bem como relativamente aos líderes dos partidos da oposição.
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