Governos usam religião como arma política, denuncia Comissão da Liberdade Religiosa

Governos usam religião como arma política, denuncia Comissão da Liberdade Religiosa

O presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, Vera Jardim, lamentou que governos utilizem a religião cristã como uma arma política para atacar imigrantes e minorias, mesmo contra a vontade dos líderes religiosos.

Lusa /
Foto: Pedro A. Pina - RTP

Em entrevista à Lusa por ocasião dos 25 anos da Lei da Liberdade Religiosa, que se celebra na segunda-feira com uma cerimónia na Presidência da República, Vera Jardim, que foi também o autor do diploma, salientou que a religião tem sido "usada por governos e por partidos no poder como uma arma, digamos, de arremesso contra, sobretudo, a imigração de outro tipo de civilizações ou de religiões".

Hoje, a "Europa tem uma política de contenção da imigração que não sendo dirigida propriamente à religião", acaba por visar fiéis de outras crenças, em particular do Islão, que "é uma religião de muitos dos imigrantes que aportam às portas" do continente.

"O ambiente social na Europa e também em Portugal mudou" e a "religião é uma arma na medida em que há políticos que defendem que a religião cristã é a base das suas sociedades" ideais.

Para Vera Jardim, "já uma captura do discurso cristão por motivos que não são religiosos", mas que usam "a religião como uma arma política" contra os estrangeiros.

O cristianismo é invocado para "manter uma coesão nacional na base precisamente da religião" e isso não tem apoio da Igreja Católica, considerou, salientando que "isso foi visível, por exemplo, não só nas palavras do Papa em Espanha, mas da própria Igreja espanhola".

"E em Portugal tenho visto a hierarquia da Igreja Católica a falar contra" o uso da religião como uma arma de arremesso, defendendo um "princípio de tolerância e de respeito pelo próximo, que é também refletido nos discursos dos dois últimos Papas", acrescentou.
PUB