Política
Grande Entrevista. Rui Tavares pede clarificação de Montenegro sobre revisão constitucional
O ainda porta-voz do Livre foi o convidado desta quarta-feira na Grande Entrevista da RTP Notícias, onde deixou um repto ao PS e ao primeiro-ministro sobre a revisão constitucional que paira sobre a futura sessão legislativa.
Num momento de mudanças para o partido, o ainda porta-voz do partido deixa um desafio ao PS: pressionar o executivo de Luís Montenegro a clarificar a questão da revisão constitucional.
Rui Tavares afirma que se o Livre “fosse o PS”, desafiaria o Governo a esclarecer essa questão ainda antes da discussão do Orçamento do Estado para 2027.
“Se [o Governo] quer ter uma previsibilidade orçamental, tem de se comprometer com a Constituição", vincou. E deixou o desafio direto também ao primeiro-ministro, considerando que Luís Montenegro deve clarificar já na próxima semana, no discurso do Estado da Nação, com “quem está” e a resolver a questão de uma “revisão constitucional em suspenso”.
De recordar que o PSD e Chega apresentaram em junho um requerimento conjunto para suspender o prazo de entrega de projetos de revisão constitucional até 30 de dezembro e manifestaram vontade de concluir este processo até ao final da próxima sessão legislativa, ou seja, até ao final de 2027.
Nesta entrevista, Rui Tavares argumentou que o Livre tem “boas relações com a liderança do PS” e que uma alternativa futura à direita no poder terá de contar com o Livre “na equação”.
Mas para isso, tanto PS como Livre “têm de crescer”, apontando mesmo a uma eventual meta de 10 por cento para o seu partido e também de “ultrapassar” a Iniciativa Liberal, tornando-se no quarto partido mais votado.
“Novo nível de caos” nos exames
Nesta entrevista, o porta-voz do Livre começou por criticar a gestão do Governo em relação aos exames nacionais. “É muito criticável o tipo de opções que foram tomadas em relação à implementação deste sistema”, uma vez que “tinha dado problemas, mas avançou-se para uma generalização”.
“Mesmo um atraso de três dias… é um atraso que tem um impacto muito significativo em momentos decisivos da vida dos jovens (…) e das suas famílias”, considerou Rui Tavares, acrescentando que se criou “um novo nível de caos no Ministério da Educação onde não costumávamos ter”.
Sem pedir a demissão do ministro, que diz "apreciar para lá das diferenças políticas", Rui Tavares entende também que a figura da comissão parlamentar de inquérito não se deve banalizar, ainda que não exclua essa hipótese.
O Livre prepara-se, por estes dias, para um Congresso que poderá redefinir a sua organização e a redistribuição de responsabilidades internas. "Acreditamos, ao contrário do Roberto Martínez, em rodar pontas de lança", brincou.
Se estas mudanças se concretizarem, Rui Tavares irá mudar de funções e assumir o pelouro de estratégia, comunicação e formação.
Estas alterações, explicou o ainda porta-voz, devem-se à necessidade de responder ao momento político atual.
“A política portuguesa está num buraco muito perigoso. O discurso político foi rebaixado, muito agressivo, muito egoísta, muito insultuoso, malcriado mesmo”, resume. Uma estratégia que é “intencional” por parte de André Ventura e do Chega, aponta.
Neste âmbito, o Livre “quer ser alternativa”, adotando uma estratégia de “criação de lideranças e protagonismos em que as pessoas conhecem várias vozes, várias caras, e podem confiar nelas”.
Deixando elogios a Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto, que deverão ser designados como os dois futuros porta-vozes do partido, Rui Tavares vincou que o Livre quer ser “mais do que um partido”, afirmando-se como “facto social” na vida do país.
Designou mesmo o partido como “um movimento de libertação”, para o qual é preciso apostar na formação de “centenas e milhares de jovens”.
“Está tudo enviesado, está tudo a preparar-se para que o país um dia seja governado pela extrema-direita. O Livre recusa essa fatalidade, essa inevitabilidade”, afirmou Rui Tavares.
Sobre as divisões internas, o ainda porta-voz do Livre afirma que estas não são “ideológicas” e que as “críticas dentro de um partido democrático são sempre respeitáveis”.
“Líderes procuram contentar Trump”
Quando questionado sobre o aumento do investimento em defesa para 3,1 anunciado hoje em Ancara pelo primeiro-ministro, Tavares afirmou que há “um jogo de enganos” na NATO e que vários líderes procuram apenas “contentar” o presidente norte-americano com os números que apresentam.
Assume, no entanto, que os “aumentos na Defesa são necessários porque temos ameaças, mas devem ser feitos com critério. Não é comprar aviões a Donald Trump”, mas antes “fomentar a indústria europeia e portuguesa”.
Para Rui Tavares, os investimentos em defesa devem ser feitos “num quadro europeu preferencialmente através da UE”, captando o interesse de empresas de inteligência artificial face à “imprevisibilidade” dos EUA.
Rui Tavares afirma que se o Livre “fosse o PS”, desafiaria o Governo a esclarecer essa questão ainda antes da discussão do Orçamento do Estado para 2027.
“Se [o Governo] quer ter uma previsibilidade orçamental, tem de se comprometer com a Constituição", vincou. E deixou o desafio direto também ao primeiro-ministro, considerando que Luís Montenegro deve clarificar já na próxima semana, no discurso do Estado da Nação, com “quem está” e a resolver a questão de uma “revisão constitucional em suspenso”.
De recordar que o PSD e Chega apresentaram em junho um requerimento conjunto para suspender o prazo de entrega de projetos de revisão constitucional até 30 de dezembro e manifestaram vontade de concluir este processo até ao final da próxima sessão legislativa, ou seja, até ao final de 2027.
Nesta entrevista, Rui Tavares argumentou que o Livre tem “boas relações com a liderança do PS” e que uma alternativa futura à direita no poder terá de contar com o Livre “na equação”.
Mas para isso, tanto PS como Livre “têm de crescer”, apontando mesmo a uma eventual meta de 10 por cento para o seu partido e também de “ultrapassar” a Iniciativa Liberal, tornando-se no quarto partido mais votado.
“Novo nível de caos” nos exames
Nesta entrevista, o porta-voz do Livre começou por criticar a gestão do Governo em relação aos exames nacionais. “É muito criticável o tipo de opções que foram tomadas em relação à implementação deste sistema”, uma vez que “tinha dado problemas, mas avançou-se para uma generalização”.
“Mesmo um atraso de três dias… é um atraso que tem um impacto muito significativo em momentos decisivos da vida dos jovens (…) e das suas famílias”, considerou Rui Tavares, acrescentando que se criou “um novo nível de caos no Ministério da Educação onde não costumávamos ter”.
Sem pedir a demissão do ministro, que diz "apreciar para lá das diferenças políticas", Rui Tavares entende também que a figura da comissão parlamentar de inquérito não se deve banalizar, ainda que não exclua essa hipótese.
Para já, o porta-voz do Livre afirma que “há instrumentos parlamentares a decorrer” e que “o ministro poderá vir a audições parlamentares”.
Troca de "pontas de lança" no LivreO Livre prepara-se, por estes dias, para um Congresso que poderá redefinir a sua organização e a redistribuição de responsabilidades internas. "Acreditamos, ao contrário do Roberto Martínez, em rodar pontas de lança", brincou.
Se estas mudanças se concretizarem, Rui Tavares irá mudar de funções e assumir o pelouro de estratégia, comunicação e formação.
Estas alterações, explicou o ainda porta-voz, devem-se à necessidade de responder ao momento político atual.
“A política portuguesa está num buraco muito perigoso. O discurso político foi rebaixado, muito agressivo, muito egoísta, muito insultuoso, malcriado mesmo”, resume. Uma estratégia que é “intencional” por parte de André Ventura e do Chega, aponta.
Neste âmbito, o Livre “quer ser alternativa”, adotando uma estratégia de “criação de lideranças e protagonismos em que as pessoas conhecem várias vozes, várias caras, e podem confiar nelas”.
Deixando elogios a Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto, que deverão ser designados como os dois futuros porta-vozes do partido, Rui Tavares vincou que o Livre quer ser “mais do que um partido”, afirmando-se como “facto social” na vida do país.
Designou mesmo o partido como “um movimento de libertação”, para o qual é preciso apostar na formação de “centenas e milhares de jovens”.
“Está tudo enviesado, está tudo a preparar-se para que o país um dia seja governado pela extrema-direita. O Livre recusa essa fatalidade, essa inevitabilidade”, afirmou Rui Tavares.
Sobre as divisões internas, o ainda porta-voz do Livre afirma que estas não são “ideológicas” e que as “críticas dentro de um partido democrático são sempre respeitáveis”.
“Líderes procuram contentar Trump”
Quando questionado sobre o aumento do investimento em defesa para 3,1 anunciado hoje em Ancara pelo primeiro-ministro, Tavares afirmou que há “um jogo de enganos” na NATO e que vários líderes procuram apenas “contentar” o presidente norte-americano com os números que apresentam.
Assume, no entanto, que os “aumentos na Defesa são necessários porque temos ameaças, mas devem ser feitos com critério. Não é comprar aviões a Donald Trump”, mas antes “fomentar a indústria europeia e portuguesa”.
Para Rui Tavares, os investimentos em defesa devem ser feitos “num quadro europeu preferencialmente através da UE”, captando o interesse de empresas de inteligência artificial face à “imprevisibilidade” dos EUA.