"Haverá uma rutura". Líder socialista diz que PS foi responsável pela viabilização do Orçamento

"Haverá uma rutura". Líder socialista diz que PS foi responsável pela viabilização do Orçamento

José Luís Carneiro acredita que se o Governo excluir o PS do diálogo e negociações, aproximando-se do Chega, "haverá uma rutura" da legitimidade política que conseguiu nas eleições.

Inês Moreira Santos - RTP /
Paulo Novais - Lusa

No discurso de abertura do Congresso do Partido Socialista, José Luís Carneiro disse que "se o Governo semear ventos, terá tempestades". Isso significa que, se o Governo excluir o PS "das escolhas para aquela que é uma arquitetura de estabilidade do país e sobretudo estabilidade dos valores constitucionais", os portugueses acabem por se desvincular "da solução política que escolheram nas últimas eleições legislativas".

"Será uma tempestade para o próprio Governo"
, afirmou José Luís Carneiro em entrevista à RTP, admitindo ainda estar "convicto de que o movimento, que hoje se está a fazer, de sociais-democratas, democratas-cristãos, humanistas que (...) olham hoje para o PS com uma grande esperança e confiança no futuro, enquanto grande casa da democracia, voltar-se-ão para nós de forma mais expressiva".

O líder socialista acredita que "haverá uma rutura com aquela foi a legitimidade política que a maioria política está a governar o país teve nas últimas eleições legislativas".

José Luís Carneiro não considera que o PS é responsável por uma eventual aproximação ou entendimento do Governo com o Chega.

"Hoje temos um orçamento em execução porque o Partido Socialista teve a responsabilidade de viabilizar com a abstenção", argumentou, adiantando que se o PS tivesse feito como o partido que "está à direita, à extrema-direita da AD", o país estaria "a viver em duodécimos".

Sobre os três juízes para o Tribunal Constitucional, o secretário-geral socialista declarou que foi com "surpresa total" que o partido teve conhecimento da posição do Governo, "porque não correspondeu ao diálogo que foi feito".

"Isto é grave", considerou. "Não se está a discutir questões partidárias; está-se a discutir a garantia da salvaguarda dos valores da Constituição".

Apesar de não estar previsto mais nenhuma reunião com o primeiro-ministro, o líder socialista garantiu que há "um diálogo entre os líderes parlamentares".

Já quanto à sua deslocação à Venezuela, José Luís Carneiro rejeita que tenha sido "um tiro no pé" e assegura que "se fosse hoje voltaria a agir da mesma forma".

"Fui lá com dois objetivos muito claros: reivindicar a libertação dos presos políticos e promover as necessárias diligências, de forma a que a comunidade portuguesa continue a ser respeitada e protegida na Venezuela".

E sublinhou: "fiz parte do Governo (...) que não reconheceu o regime político de Nicolás Maduro".
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