País
IL quer esclarecer "informações contraditórias" do ministro e do secretário de Estado sobre exames
A Iniciativa Liberal considera que as mais recentes informações dadas pelo ministro da Educação, Fernando Alexandre, e pelo secretário de Estado da Educação, Alexandre Homem-Cristo, sobre o teste-piloto realizado no ano passado com o exame nacional de Filosofia são "contraditórias", e quer ouvir, no parlamento, e com urgência, o atual presidente do Júri Nacional de Exames (JNE) e o antecessor na Comissão de Educação e Ciência.
Em declarações à Antena 1, a deputada liberal Angélique Da Teresa defende que a audição é necessária para esclarecer as afirmações dos dois governantes na Assembleia da República.
"Fizemos este pedido de audição urgente porque fomos confrontados com as audições de dia 21 de julho, em que, de forma surpreendente, o ministro da Educação disse-nos que, afinal, não havia relatório nenhum relativo ao projeto-piloto, para depois o senhor secretário de Estado ter vindo corrigir e dizer que havia informação escrita. São informações completamente contraditórias", assinalou.
A deputada liberal diz não compreender qual foi, afinal, a avaliação feita ao projeto-piloto que antecedeu a implementação da correção digital dos exames.
"Não se percebe o que é que se está aqui a passar. Há informação divulgada há cerca de um ano que dava conta da existência deste projeto-piloto, de um relatório e até de falhas que acabaram por ser muito semelhantes às que voltámos a assistir este ano. E, de repente, temos o ministro a dizer que não existia relatório nenhum", insistiu.
Para Angélique Da Teresa, as declarações do ministro da Educação, Fernando Alexandre, são ainda mais difíceis de compreender tendo em conta que a polémica se arrasta há vários dias: "É relativamente surpreendente que o ministro chegue a uma audição na Assembleia da República e apresente este argumento. Nós, sinceramente, não queríamos acreditar no que estávamos a ouvir".
A deputada recorda que, já depois da audição parlamentar, o ministro da Educação afirmou, numa entrevista à RTP, que o Governo tomou a decisão de avançar com a correção digital depois de ouvir as entidades envolvidas.
"Ontem, o senhor ministro esteve na televisão a dar uma longa entrevista em que disse que ouviu as entidades e que, com base nas considerações do EduQA e do Júri Nacional de Exames, tinha indicação de que este projeto podia avançar e que havia informação escrita, articulada entre as diversas entidades", explicou.
"Ontem, o senhor ministro esteve na televisão a dar uma longa entrevista em que disse que ouviu as entidades e que, com base nas considerações do EduQA e do Júri Nacional de Exames, tinha indicação de que este projeto podia avançar e que havia informação escrita, articulada entre as diversas entidades", explicou.
Perante essas declarações, Angélique Da Teresa insiste que subsistem dúvidas: "Então, afinal em que é que ficamos? Houve informação escrita? Não há um relatório? Não há um diagnóstico do projeto-piloto? Como é que somos confrontados com esta informação numa altura destas, depois de inúmeros pedidos de esclarecimento?", insistiu a deputada, que considera indispensável ouvir ambos os responsáveis: "Ainda ontem o Júri Nacional de Exames reportava mais de 5.300 notas que tinham sido alteradas. Isto não é ruído. Isto está longe de estar resolvido e todos os esclarecimentos têm de ser dados".