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Inês de Medeiros: "Luís Montenegro está a fazer um jogo perigoso ao ceder ao Chega"

Inês de Medeiros: "Luís Montenegro está a fazer um jogo perigoso ao ceder ao Chega"

“Não se pode ceder em nada à extrema-direita. Nada!”, o alerta parte de Inês de Medeiros.

Andreia Brito com Natália Carvalho /

Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas

Em entrevista ao podcast da RTP Antena 1, Política com Assinatura, a presidente da Câmara Municipal de Almada acusa o primeiro-ministro de ceder ao Chega e de estar a fazer um jogo perigoso.

A questão da imigração “foi uma evidente cedência na forma como o fez”, diz Inês de Medeiros. “O momento em que o fez, o contexto em que o fez, é, obviamente, uma tentativa um bocadinho infantil de tentar recuperar eleitorado à extrema-direita”, conclui.

O PSD está a entrar por um caminho muito perigoso para si próprio”, alerta e acrescenta: Montenegro “não está a perceber o risco que está a correr” e o risco para a democracia”.

Revê-se nos avisos que Cavaco Silva fez ao PSD e ao Governos nas vésperas do Congresso do PS?”, questiona a editora de política da RTP Antena 1, Natália Carvalho. Responde Inês de Medeiros: “por muito que me custe, sim, porque nunca me revejo no Presidente Cavaco Silva. Mas sim, acho que há de facto uma série de pessoas no PSD que estão a alertar para o facto”.
Se não fosse António Costa, o Governo da AD não tinha nada para apresentar

Numa análise ao estado do PS em concreto e da esquerda no geral, Inês Medeiros entende que “os democratas europeus, e não só, andaram todos distraídos sobre a eficácia de uma espécie de movimento internacional de extrema-direita que se montou e que tem vindo a crescer com instrumentos muito poderosos”. Sendo esses instrumentos as universidades, a comunicação social e as redes sociais, diz.

Além disso, entende que “depois das legislativas de repente houve discursos de que os Governos de António Costa foram péssimos, o que é errado. Se não fosse aquilo que os Governos de António Costa fizeram este Governo nem tinha nada para apresentar”.
“PS estava muito ferido, muito magoado e muito perdido”
Não gosto da expressão «lamber de feridas», mas há um reganhar de confiança em si próprio depois do golpe das últimas legislativas”, é desta forma que Inês de Medeiros analisa o estado atual do Partido Socialista.

Na opinião da socialista, escolhida por José Luis Carneiro para liderar a lista da Comissão Política do PS, essa confiança recupera-se voltando ao terreno.

Na opinião de Inês de Medeiros o líder do partido será capaz de recuperar o partido, até porque “o mérito de José Luís Carneiro foi esse: avançar quando o partido estava muito ferido, muito magoado e muito perdido”.

O PS não está habituado a ser a terceira força política no Parlamento”, conclui Inês de Medeiros.
“Minimizámos a firmeza e a convicção de Seguro”

Durante muito tempo talvez tenhamos minimizado este lado de António José Seguro ao nível do que é a sua firmeza e convicção”, admite Inês de Medeiros.

A autarca de Almada admite estar muito contente com a vitória de Seguro para a Presidência da República. “Estou muito bem impressionada com os seus primeiros momentos”.

E pergunta a editora de política da Antena 1, Natália de Carvalho: “está rendida?” “Não sou de me render. Nunca fui uma groupie de ninguém, e já estou velha para ser groupie, mas estou francamente contente”, refere.
Governo perdeu o norte nas tempestades e fez birra comigo

A Presidente da Câmara de Almada assegura que o município já está na lista de concelhos abrangidos pela situação de calamidade.

Em entrevista ao podcast da RTP Antena 1, Política com Assinatura, Inês de Medeiros acusa o Governo de “cinismo” e de “desnorte”, depois de o ministro Leitão Amaro ter justificado a exclusão de Almada com o facto de o nível de estragos não ser o mesmo em todo o concelho.

Acho que o Governo está completamente desnorteado nesta matéria. Tem sido um caos, anúncios atrás de anúncios; nem sequer houve o cuidado suficiente de perceber o que se estava a passar em cada um dos territórios. Foi um total desnorte”, acusa a autarca socialista.

Depois ficaram birrentos. Vieram dizer-me que o primeiro-ministro estava ofendido comigo. Não sei porquê e sinceramente não me interessa”, revela.

Inês de Medeiros garante que “temos uma situação particularmente critica” com 60 agregados familiares sem solução habitacional neste momento.

E acrescenta: “não temos feito outra coisa a não ser apelar para aquilo que é a realidade. Não estamos a pedir ser ressarcidos por danos que não tivemos”.
Fazer o que ainda não foi feito: Inês de Medeiros acredita que ainda vai resolver o problema da habitação em Almada

Almada tem capacidade para acabar com os dois grandes bairros de barracas”, assegura a Presidente da Câmara.

E adianta a forma como isso seria possível: “se conseguirmos financiamento para a construção de 140 fogos e a reabilitação integral do bairro de Santo António que está num estado miserável, conseguíamos acabar com o Segundo Torrão”.

Acredito nas palavras do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, que disse que, a partir de junho, todas as candidaturas que entraram no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) terão financiamento”, deixa o recado.

Há certas práticas que não faço”, responde Inês de Medeiros à pergunta da editora de política da RTP Antena 1: “era incapaz de fazer o que o seu colega Ricardo Leão fez em Loures?”, que demoliu construções ilegais com bulldozers após uma ordem judicial favorável ao proprietário do terreno.

Tenho muito respeito pelo Ricardo e sei que ele está a fazer um trabalho muito difícil, mas não, não faria como ele”, admite e acrescenta: “o Segundo Torrão representava 450 agregados familiares. Se o Ricardo Leão tivesse 450 agregados não ia lá com os bulldozers. É preciso ver o que ele herdou. Eu herdei esta dimensão”.
Entrevista a Inês de Medeiros, Presidente da Câmara de Almada e cabeça de lista da Comissão Política Nacional do PS, conduzida por Natália Carvalho, editora de política da RTP Antena 1. 
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