José Luís Carneiro acusa Governo de "contrarreforma laboral" e anuncia proposta alternativa

José Luís Carneiro acusa Governo de "contrarreforma laboral" e anuncia proposta alternativa

Com o chumbo anunciado do PS à proposta do Governo na fase da generalidade, José Luís Carneiro insiste nas críticas à reforma laboral que deu entrada no parlamento e anuncia que o partido vai avançar com uma proposta alternativa centrada na competitividade da economia, na valorização dos salários e na qualificação dos trabalhadores.

João Alexandre - RTP Antena 1 /
Foto: António Pedro Santos - Lusa

O anúncio foi feito em conferência de imprensa, na sede nacional do PS, em Lisboa, onde José Luís Carneiro acusou o Executivo de promover uma “contrarreforma laboral” marcada por uma “gritante insensibilidade” social e por uma “despudorada desconsideração” pelos parceiros sociais. 

“Apresentaremos, durante a próxima semana, uma proposta relativa às condições para a competitividade da economia portuguesa, para a produtividade das empresas e simultaneamente para a valorização dos salários e para a formação e requalificação dos trabalhadores”, afirmou o líder do PS, que salienta que, entretanto, já começou as reuniões com os vários representantes dos patrões e dos trabalhadores: CAP, CIP, UGT e CCP, estando também prevista uma reunião com a CGTP. 
Quanto à atual proposta do Governo, José Luís Carneiro entende que apenas merece críticas, acusando o Executivo de querer empurrar os jovens para a precariedade e de atacar direitos laborais conquistados nas últimas décadas.

“O Governo, mais uma vez, traz à Assembleia da República a ofensa, particularmente aos mais jovens, que quer lançar na precariedade”, declarou.

O secretário-geral do PS dirigiu ainda críticas à forma como decorreram as negociações na concertação social, acusando o Executivo de ignorar os contributos apresentados por sindicatos e confederações patronais.

“Esperávamos que essas propostas que mereceram convergência dos parceiros sociais pudessem integrar a proposta levada à Assembleia da República. Pois não”, criticou.

José Luís Carneiro rejeitou também a proposta do primeiro-ministro de avançar para um salário mínimo de 1.600 euros, considerando que a medida funciona como “moeda de troca".

“Queremos que os trabalhadores estejam conscientes de que essa é uma moeda de troca para a precariedade”, insistiu.

Nesta conferência de imprensa, o líder do PS reagiu ainda às declarações da ministra do Trabalho que, em entrevista à RTP Antena 1, acusou António José Seguro de "dar respaldo" à UGT para não chegar a acordo na concertação social.

"Declarações que consideramos profundamente infelizes. Admito que tenham sido palavras imponderadas e, portanto, tendo sido palavras imponderadas, temos de as esquecer, mas que foram profundamente infelizes, disso não há dúvida", concluiu.
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