José Sócrates recebe perguntas da comissão de inquérito
O primeiro-ministro recebe hoje as perguntas dos deputados que integram a comissão de parlamentar de inquérito sobre a eventual interferência do Governo no negócio PT/TVI. São cerca de 80 questões e José Sócrates tem de responder, por escrito, no prazo de dez dias.
As questões colocadas pelos partidos centram-se na relação entre o Governo e a PT, entre o primeiro-ministro e o ex-administrador da PT (Rui Pedro Soares), entre o primeiro-ministro e a Prisa e na questão de saber que informação tinha o Executivo de José Sócrates sobre o negócio.
Hoje os deputados da comissão parlamentar de inquérito ouvem o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira.
Comissão quer apurar a verdade dos factos
No final do encontro, o deputado do Bloco de Esquerda, João Semedo, que é o relator da comissão de inquérito, afirmou que as interrogações colocadas a José Sócrates "levanta a questão a que a resposta do primeiro-ministro é essencial para apurar a verdade dos factos e para que a comissão possa prosseguir o seu trabalho".
"As perguntas, fundamentalmente, desenvolvem a questão sobre qual foi o conhecimento (formal ou informal, directo ou indirecto) que o primeiro-ministro ou outros membros do Governo tiveram sobre as duas tentativas de compra por parte da PT (Portugal Telecom) em relação à TVI", frisou João Semedo.
Ainda, segundo o deputado do Bloco de Esquerda, "as perguntas pedem uma resposta se houve interferência directa de membros do Governo relativamente à informação e à linha eleitoral da própria TVI".
"As perguntas detalham o objecto do inquérito e nenhuma foge ao objecto do inquérito", rematou o relator da comissão parlamentar de inquérito.
PSD foi o partido que entregou mais questões
Das cerca de oitenta questões colocadas a José Sócrates, pela comissão parlamentar de inquérito, cinquenta são levantadas pelo PSD.
Pedro Duarte, deputado do Partido Social-democrata, considerou, no final da reunião, que "no essencial as questões apresentadas pelos diferentes grupos parlamentares mantiveram-se, apesar da redução do seu número em cerca de duas dezenas".
Para o dirigente da bancada social-democrata na comissão de inquérito, "o trabalho dos deputados teria sido facilitado se a comissão de inquérito tivesse a presença do primeiro-ministro".
"Por isso, foi exigente este esforço de consensualizar o questionário. Mas é um direito potestativo de cada deputado da comissão de inquérito formular as questões que achar pertinente, desde que não fuja ao objecto da comissão de inquérito", acrescentou Pedro Duarte.
"Esperamos que à semelhança da objectividade encontrada para as perguntas também os deputados possam receber a mesma objectividade e espírito de colaboração da parte do primeiro-ministro, a bem do apuramento da verdade", rematou.
Segundo, o deputado do PSD, "todos os deputados fugiram a colocar questões que transcendessem o âmbito da comissão de inquérito".
Socialistas colocam sete questões
Ana Catarina Mendes, deputada socialista, revelou que o seu grupo parlamentar "apresentou sete questões muito concretas ao primeiro-ministro, que têm única e exclusivamente a ver com a interferência do Governo numa eventual aquisição por parte da PT de uma parte do capital da TVI".
"Por outro lado, o PS pergunta se o primeiro-ministro dispunha ou não de informação sobre este negócio antes de 24 de Junho do ano passado", sublinhou Ana Catarina Mendes.
Para a deputada socialista, "a esmagadora maioria das questões" levantadas pela Oposição, "fogem claramente ao objecto da comissão de inquérito - umas porque dizem respeito a processos judiciais em curso, outras porque têm a ver com aspectos acessórios face ao negócio entre a PT e a TVI".
Questões do CDS "são cirúrgicas"
A deputada do CDS-PP, Cecília Meireles, considerou que as propostas colocados pelo seu partido "são cirúrgicas e têm a ver com duas questões fundamentais: como é que Rui Pedro Soares (ex-administrador da PT) surge na Portugal Telecom e na Taguspark e outras sobre incongruências de calendário por parte do primeiro-ministro".
Para a deputada do CDS-PP, a "comissão de inquérito já conseguiu chegar a algumas conclusões preliminares sem recurso a escutas e, pelo menos no que toca ao CDS, sem qualquer interferência entre as esferas dos poderes judicial e político".