Júlio Meirinhos "abordado" para ser candidato do PS à Câmara de Bragança
Bragança, 19 set (Lusa) -- O socialista Júlio Meirinhos adiantou hoje à Lusa ter sido abordado para ser o candidato do PS à Câmara de Bragança liderada há 15 anos pelo social-democrata Jorge Nunes, que atingiu o limite de mandatos.
"Fui abordado, foi-me colocado um desafio, mas o processo ainda se desenrola, ainda não há decisões", afirmou, em declarações à Lusa.
Questionado sobre se aceita o desafio, Meirinhos respondeu: "sou jovem e disponível para tudo".
"Senti o conforto de todas as estruturas: concelhias, distritais e nacionais. É uma boa plataforma de entendimento", acrescentou, ressalvando que só pode "aceitar o desafio se for pacífico e se não for uma candidatura contra ninguém".
Júlio Meirinhos é natural de Miranda do Douro e dirigiu, durante quatro mandatos, o município local, tornando-se no presidente de Câmara mais novo do país ao ser eleito com 23 anos, em 1979.
Interrompeu a presidência da autarquia para se juiz presidente do Tribunal de Contas e Administrativo de Macau, onde foi também secretário-geral do Real Senado de Macau.
No primeiro Governo socialista de António Guterres foi nomeado coordenador do Procôa, o programa para o desenvolvimento do Vale do Côa, logo a seguir ao processo de suspensão da barragem para preservar as gravuras rupestres que se tornaram Património da Humanidade.
Foi ainda presidente do Conselho da Região Norte e deputado do PS na Assembleia da República, eleito por Bragança, tendo sido o autor da proposta de lei que aprovou o mirandês como a segunda língua oficial de Portugal.
Meirinhos foi também Governador Civil do Distrito de Bragança e presidente da Comissão Regional de Turismo do Nordeste Transmontano, entretanto extinta.
O turismo é, todavia a área a que se tem dedicado nos últimos sete anos, ocupando atualmente o cargo de vice-presidente da Região de Turismo do Porto e Norte de Portugal.
O desafio do próximo candidato do PS à Câmara de Bragança é recuperar para os socialistas a autarquia da capital de distrito que perderam, em 1997, para o social-democrata Jorge Nunes, que tem contabilizado sucessivas vitórias com os resultados eleitorais mais expressivos de sempre para o PSD a nível autárquico no concelho.
Jorge Nunes não pode recandidatar-se por ter atingido o limite de mandatos permitido por lei.
Vários nomes têm sido falados, nomeadamente na imprensa regional, para a sua sucessão, com alegadas divisões internas entre apoiantes do ainda presidente da Câmara e elementos sociais-democratas mais afastados da atual presidência.