Política
Legislação laboral. PCP acusa Governo de "não ter aprendido a lição"
O PCP diz que o Governo começou "a cavar uma derrota social e política" com a legislação laboral. Numa marcha na baixa de Lisboa, Paulo Raimundo lamentou que o Governo "não tenha aprendido a lição com o chumbo da reforma".
O líder comunista considerou que a oposição à proposta do executivo "foi um dos processos mais intenso da luta dos trabalhadores" e levou ao isolamento dos partidos do Governo (PSD e CDS-PP), bem como da restante direita, nomeadamente a IL e o Chega.
Numa referência ao partido liderado por André Ventura, Raimundo defendeu que a mobilização dos trabalhadores foi de tal forma intensa que "obrigou alguns a decidir fazer o que nunca desejaram alguma vez vir a fazer".
"Uma luta com tal impacto que obrigou a que, contradizendo tudo o que tinham dito na véspera, não tivessem outra solução que não votar contra, mesmo quando nas suas propostas convergiam claramente com os ataques do Governo aos trabalhadores", sublinhou.
O o líder comunista avisou ainda que, perante "novas vagas" e "golpadas" contra os trabalhadores e os seus direitos, quem trabalha responderá sempre com "força, organização e unidade".
Raimundo argumentou também que "o PCP foi o partido essencial na luta para a derrota do pacote laboral", em particular"na denúncia dos objetivos do grande patronato e dos seus instrumentos, no esclarecimento e mobilização dos trabalhadores, na ampliação na população em geral da consciência da relação dessa luta com a ofensiva mais geral contra as suas próprias vidas e condições de vida".
"Apontamos o caminho da luta, apontamos o caminho da intervenção e da exigência, apontamos a solução e a confiança na vitória. Somos um partido imprescindível, com os seus princípios, a sua ação, intervenção e ligação às massas", acrescentou.
Ainda durante a marcha, Paulo Raimundo falou com os jornalistas e declarou que se o Governo insistir na revisão da lei laboral está a "cavar o seu próprio buraco" depois de ter começado já a "cavar a sua derrota social e política" com a proposta chumbada na sexta-feira.
Ao longo da marcha, realizada sob o mote "Luta, caminho da vitória - salários, pensões, serviços públicos - novo rumo para Portugal", entoaram-se vários cânticos a celebrar o "não ao pacote do patrão", bem como palavras de ordem contra a subida do custo de vida e pela valorização dos salários.
Entre os manifestantes estava João Trigo, reformado de 71 anos, que, à Lusa, defendeu que a atual ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, "está completamente descredibilizada e derrotada" depois do resultado da votação da proposta do executivo na Assembleia da República.
C/Lusa