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Lula da Silva quer construir em Portugal parte do que negociar com UE

Lula da Silva quer construir em Portugal parte do que negociar com UE

O presidente brasileiro enalteceu as relações entre Portugal e o Brasil, que, na sua opinião, atravessam o "melhor momento".

Lusa /

O Presidente brasileiro disse hoje, em Lisboa, que é muito importante que, parte das coisas que o Brasil vai negociar com a União Europeia, no âmbito do acordo Mercosul, seja construída em Portugal.

Lula da Silva falava na residência oficial do primeiro-ministro português, após um encontro de cerca de uma hora que manteve com Luís Montenegro.

O chefe de Estado brasileiro, que chegou ao Palácio de São Bento com hora e meia de atraso, enalteceu as relações entre Portugal e o Brasil, que, na sua opinião, atravessam o "melhor momento".

"Agora que Portugal ajudou o Brasil a fazer o acordo União Europeia - Mercosul, agora sim, conseguimos dizer alto e bom som que Portugal pode ser a grande porta da entrada dos interesses empresariais brasileiros aqui em Portugal", disse.

Lula da Silva revelou que disse ao primeiro-ministro português que ia conversar com os ministros brasileiros, para que estes conversem com as indústrias, pois "é muito importante que parte das coisas que o Brasil vai negociar com a União Europeia seja construída" em Portugal.

"Aí sim, estaremos a fazer uma parceria séria, que seja um jogo de ganha-ganha", referiu, acrescentando: "Não queremos que Portugal seja apenas a porta de entrada; queremos que Portugal seja a porta da construção de uma parceria robusta entre dois países que se conhecem desde abril de 1500".

Por seu lado, Luís Montenegro, afirmou que Portugal defende o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, assinado em 17 de janeiro, depois de mais de 20 anos de negociações, que visa eliminar ou reduzir drasticamente as tarifas alfandegárias entre os dois blocos.

Lula da Silva disse que é possível repetir experiências como a Embraer, um fabricante aeroespacial brasileiro que está presente em Portugal, onde produz estruturas metálicas e compósitas para aeronaves.

"A Embraer é a demonstração mais bem-sucedida de uma empresa brasileira que está a ajudar a construir coisas aqui em Portugal, aproveitando mão-de-obra altamente qualificada e que pode crescer", afirmou.

E prosseguiu: "Outras empresas brasileiras podem vir para Portugal e daqui a gente aproveitar um comércio extraordinário, que envolve 750 milhões de pessoas e um PIB de 22 biliões de dólares" (cerca de 18,7 biliões de euros).

Recordando que é um "defensor do multilateralismo e inimigo do unilateralismo e do protecionismo", Lula da Silva lamentou que o acordo entre a UE e os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) entre, mas provisoriamente, em vigor a partir de 01 de maio, porque os eurodeputados enviaram-no para o Tribunal de Justiça da UE para verificar a sua conformidade com a legislação comunitária.

Para o chefe de Estado brasileiro, o comércio internacional só resulta quando o cliente não é sufocado: "É preciso que o cliente sobreviva para ser teu cliente. E é isso que nós queremos, que a nossa relação com a União Europeia seja o mais sofisticada possível".

"Não somos favoráveis à segunda guerra fria, não aceitamos guerra fria; não temos preferência comercial entre a China e os Estados Unidos. Queremos ter relação com a China, com os Estados Unidos, com a Rússia, com a França, com todo o mundo, sem preferência. O que queremos é multilateralismo, harmonia e muita paz para poder negociar", afirmou.

Lula da Silva falou ainda da comunidade brasileira agradecendo o "carinho" com que os brasileiros são recebidos em Portugal.

"Se tem um povo trabalhador é o brasileiro, que gosta de trabalhar e aprende depressa", disse.

Visivelmente bem-disposto e com muitas referências futebolísticas, com destaque para Eusébio, Lula da Silva disse esperar que, em 2026, nos Estados Unidos, "Portugal leve em conta o seu discurso de harmonia entre o Brasil e Portugal e que Cristiano Ronaldo e a sua turma não tente derrotar o Vini Jr (Vinícius Júnior) e a turma dele".

Isso, ironizou, poderia criar um conflito irreversível entre Portugal e o Brasil.
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