Lusa. PS apela a consenso "claro" e pede sinal para a especialidade

Lusa. PS apela a consenso "claro" e pede sinal para a especialidade

Num dia em que a Agência Lusa não deu notícias devido à greve que paralisou a redação, o Parlamento discutiu várias iniciativas para alterar o modelo societário e os estatutos da empresa. O tema foi a debate pela mão do PS, que defendeu a necessidade de "repor a normalidade democrática", pedindo um "processo de especialidade sério e participado".

Teresa Borges - RTP Antena 1 /
Foto: António Antunes - RTP

"Reconhecemos virtudes noutros projetos aqui presentes. Estamos disponíveis para trabalhar na especialidade. O que pedimos é simples: Que desta votação resulte um mandato claro para a especialidade, estatutos com legitimidade de lei, discutidos de forma plural e participada", pediu o deputado socialista Paulo Lopes Silva.

O PS apresentou um projeto de lei para alterar os estatutos da Lusa, inspirado no modelo da RTP, que prevê a criação de um Conselho Geral Independente responsável por escolher o Conselho de Administração da agência.

A Iniciativa Liberal quer transferir o poder de escolha da administração das mãos do Governo para a competência de um novo Conselho Estratégico e de Acompanhamento.

Já o Partido Comunista Português propõe que a Lusa deixe de ser uma sociedade anónima e passe para uma entidade pública empresarial.

Para o Livre, o caminho passa pela criação de um Conselho Geral Independente cuja composição integre não só a presença das Regiões Autónomas, dos municípios e das associações da comunicação social, mas também a Comissão de Trabalhadores, o Conselho de Redação, os sindicatos representativos dos trabalhadores, bem como de personalidades de reconhecido mérito nas áreas do jornalismo, dos direitos fundamentais ou dos estudos de media.

Chega e Bloco de Esquerda apresentaram projetos de resolução, sem força de lei.

PSD recusa tentativa de "atentado democrático" e ataca Sócrates

No debate desta tarde, na Assembleia da República, os partidos da oposição foram praticamente unânimes a criticar as alterações e a forma como o Governo geriu a revisão estatutária da agência noticiosa. O PSD recusa as críticas, com o deputado João Antunes dos Santos a recusar qualquer "governamentalização".

“Este Governo não quer governamentalizar a agência Lusa, não quer pressionar a agência Lusa ou fazer nenhum tipo de atentado democrático à agência Lusa, nem tão pouco ao país. Este Governo não tem a escola que outros têm. Não tem a escola de José Sócrates, por exemplo", afirmou o social-democrata, numa referência ao antigo governante socialista.

Os trabalhadores da agência noticiosa cumprem hoje 24 horas de greve e contestam o risco de "interferência externa". Em causa está, por exemplo, a criação do Conselho Consultivo composto por 13 membros, 6 dos quais indicados por responsáveis políticos.
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