Lusófona revela nomes dos professores de Relvas

Lusófona revela nomes dos professores de Relvas

A Universidade Lusófona já divulgou a lista “dos docentes que efetivamente lecionaram o curso” frequentado por Miguel Relvas, depois de o ministro ter autorizado o acesso ao processo académico para se “poder verificar a regularidade e qualidade do mesmo”. Em comunicado, a instituição afirma ser “difamatória” a notícia do Expresso de que três dos quatro professores do ministro nunca o avaliaram e avança uma lista diferente.

RTP /
Manuel Almeida, Lusa

"Face à gravidade das questões levantadas, a Universidade já solicitou e obteve, conforme legalmente previsto, autorização do senhor ministro Miguel Relvas para conceder acesso ao seu processo académico e por essa via poder defender-se e comprovar as inverdades produzidas em torno deste suposto caso", referia a nota enviada pela Lusófona esta noite à agência Lusa.Numa nota enviada esta noite à Lusa, a Universidade Lusófona anunciava que “segunda-feira e após autorização legal” iria “proceder à divulgação dos nomes dos docentes que efetivamente lecionaram no curso nestas datas”.

Contudo, a instituição decidiu antecipar a divulgação dessa lista, depois de o semanário Expresso ter noticiado na edição deste sábado que apenas um dos professores das quatro disciplinas que Miguel Relvas fez o teria avaliado. Os restantes teriam afirmado ao jornal nunca terem visto o ministro na universidade ou o terem tido como aluno.

Entretanto, a Lusófona, que já tinha reagido à notícia apelidando as afirmações de “graves e difamatórias", divulgou a lista dos quatro professores que terão avaliado o ministro no ano letivo de 2006/07. Apenas um docente coincide com os nomes avançados pelo Expresso: Almeida Tomé, o único que tinha assumido ao semanário ter tido Miguel Relvas como aluno.
De acordo com a Universidade Lusófona, "três dos quatro docentes referidos no Expresso não lecionaram no ano letivo 2006/2007 as unidades curriculares em questão, ou lecionaram em turmas que não foram frequentadas por Miguel Relvas".
Segundo a Universidade Lusófona, os restantes professores do ministro terão sido Manuel Jerónimo Marques dos Santos (Teoria do Estado, da Democracia e da Revolução), Paulo Jorge Rabanal da Silva Assunção (Quadros institucionais da Vida Económica-Político-Administrativa) e António Fernando dos Santos Neves (Introdução ao Pensamento Contemporâneo).

Esta última disciplina, a que Miguel Relvas terá tido a sua melhor nota (18 valores) segundo o certificado de habilitações a que o jornal i diz ter tido acesso, foi assim lecionada pelo então reitor da Universidade Lusófona e diretor do curso de Ciência Política, frequentado pelo ministro. António Fernando dos Santos Neves foi ainda quem assinou o despacho que atribuiu equivalência a 32 disciplinas com base no percurso profissional de Relvas.
Expresso processado
A Universidade Lusófona já tinha feito saber que estava "a conduzir e tomar todas as diligências legais para processar aqueles que estão a mover um processo com claras intenções certamente alheias aos interesses dos seus milhares de alunos e docentes".

Entretanto, o gabinete do ministro negou, em comunicado, a notícia do Expresso, adiantando que Miguel Relvas poderá eventualmente processar judicialmente os responsáveis editoriais do semanário, bem como a autora da notícia e desafia o jornal a "repor a verdade dos factos e pedir desculpas aos seus leitores".

Contactado pela agência Lusa, o diretor do Expresso, Ricardo Costa, afirmou que o ministro pode processar o jornal, sublinhando que é "um processo que o Expresso ganha com um advogado oficioso". Ricardo Costa disse também que "a mesma universidade que hoje resolve divulgar os nomes dos professores, até ontem dizia por escrito a toda a gente que o nome dos professores era uma questão do foro privado da universidade".

"Se alguém escondeu informação e não ajudou a esclarecer rigorosamente nada neste caso foi a universidade e o próprio ministro", afirmou, adiantando ainda que o processo é hoje divulgado "graças à investigação do Expresso".
Professores de três cadeiras nunca avaliaram Relvas
Na edição deste sábado, o Expresso avançava que apenas um dos docentes das quatro cadeiras que Miguel Relvas terá feito para obter a licenciatura se recordava de ter tido o ministro como aluno. Os restantes diziam nunca terem avaliado o governante e só um se lembrava de alguma vez o ter visto na universidade.
De acordo com o certificado de habilitações a que o jornal i diz ter tido acesso, Miguel Relvas fez quatro disciplinas por exame: Quadros Institucionais da Vida Económico-Político-Administrativo (12 valores), Introdução ao Pensamento Contemporâneo (18 valores), Teoria do Estado da Democracia e da Revolução (14 valores) e Geoestratégia, Geopolítica e Relações Internacionais II (15 valores).
Segundo divulgou o jornal i na quinta-feira passada, o atual ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares terá obtido equivalência a 32 das 36 cadeiras da licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais com base no currículo profissional. De acordo com o certificado de habilitações, Relvas teria feito exame às restantes quatro disciplinas. No entanto, de acordo com o Expresso, apenas um dos professores dessas cadeiras admite ter tido o ministro como aluno.

“Era um aluno interessado e até modesto”, afirmou Almeida Tomé, professor de Geoestratégia , Geopolítica e Relações Internacionais II, ao Expresso.

António Filipe
, deputado do PCP e professor de Quadros Institucionais da Vida Económico-Político-Administrativo, disse que “nunca o avaliou nem sabia que tinha sido aluno” na Universidade Lusófona. Feliciano Barreiras Duarte, que na altura também leccionava aquela disciplina e que é hoje secretário de Estado do ministro, afirmou “nunca ter avaliado Miguel Relvas” nem o ter tido como aluno. Era, no entanto, o único, exceptuando Almeida Tomé, que se recordava de ter visto o ministro na faculdade.

Nuno Cardoso da Silva
, antigo dirigente do PPM e docente de Teoria do Estado da Democracia e da Revolução há 21 anos na Lusófona, declarou “nunca ter sido professor, nem avaliado Miguel Relvas”. “Nunca o vi na universidade. Soube da licenciatura pelos jornais”, revelou ao semanário.

Também Pereira Marques, antigo deputado do PS e professor de Introdução ao Pensamento Contemporâneo (a que Miguel Relvas terá tido a melhor nota: 18 valores), disse não ter tido o governante como aluno, nunca o ter avaliado ou o ter visto na universidade.
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