Mendes diz que eleitores ficaram desiludidos com Cotrim e acredita que isso o poderá beneficiar 

 O candidato presidencial Luís Marques Mendes considerou hoje que os eleitores ficaram desiludidos com as declarações de Cotrim Figueiredo a não excluir o apoio a nenhum candidato numa eventual segunda volta, e que isso o poderá beneficiar.

Lusa /
Miguel A. Lopes - Lusa

"Na minha campanha não muda nada, mas na decisão dos portugueses pode mudar muito", afirmou o candidato apoiado por PSD e CDS-PP, em declarações aos jornalistas num café, durante uma iniciativa de campanha em Fátima.

Luís Marques Mendes considerou que as declarações do adversário João Cotrim Figueiredo, "associando a candidatura liberal ao Chega, é uma desilusão para muitas pessoas" e uma "contradição profundamente lamentável".

"Desilusão provavelmente para alguns que já votaram na IL no domingo [no voto antecipado] e que perante estas declarações de associação ao Chega se sentem enganados. Provavelmente se pudessem voltar atrás, não repetiam o voto", defendeu.

O candidato a Presidente da República considerou também que esta declaração do antigo líder da IL "reforça a ideia" de que a sua candidatura "é a única que pode evitar o populismo, o radicalismo e o experimentalismo", defendendo que a democracia está em risco "no momento em que liberais e pessoas do Chega se associam".

"Isto também é uma chamada de atenção para o próximo domingo, as pessoas não se podem enganar. E por isso neste momento acho que se tornou ainda mais importante concentrar votos na área do centro, na minha candidatura. E porquê? Porque a minha candidatura em função disto passou a ser mais necessária para a defesa da democracia, para a defesa da estabilidade e para evitar o populismo e o radicalismo que agora passaram a estar juntos", sustentou, repetindo o apelo ao voto dirigido aos eleitores de "centro-direita e centro-esquerda".

Questionado se muitos eleitores que iriam votar em Cotrim Figueiredo poderão agora votar em si, Marques Mendes disse acreditar que sim.

"Acredito sinceramente, porque há um sentimento de desilusão. Esta associação da IL ao Chega é uma desilusão para muitos eleitores, para alguns que já votaram e que provavelmente se sentem enganados", insistiu.

Questionado se as declarações de Cotrim Figueiredo foram um "pequeno milagre" para a sua candidatura, respondeu: "Se essa for a sua opinião, eu também não vou contrariá-lo. Quem sou eu para o contrariar?".

Questionado se exclui apoiar algum candidato numa eventual segunda volta das eleições presidenciais, Marque Mendes voltou a não querer responder porque "de política" ainda percebe "alguma coisa" e não é "um imaturo político", pelo que "essa resposta tem de ficar para mais tarde".

Marques Mendes voltou a ser questionado também sobre uma denúncia de assédio de uma ex-assessora da IL contra João Cotrim Figueiredo, seu adversário na corrida a Belém, e voltou a não querer fazer "nenhum comentário" sobre esse assunto.

Neste contacto com a população, Luís Marques Mendes esteve próximo do Santuário de Fátima, mas não se deslocou àquele local, e entrou em várias lojas de recordações religiosas, sem comprar nada.

Sobre a passagem por Fátima, o candidato disse não ter vindo à procura de "nenhum milagre" nem fazer promesas e, debaixo de chuva, confidenciou que espera que se aplique o ditado popular que habitualmente se refere a casamentos, mas neste caso, "campanha molhada, campanha abençoada".

"Eu sou católico e a cada passo venho a Fátima, mas hoje eu não estou nessa condição, até porque o Estado é laico. Eu estou aqui a visitar Fátima, como já visitei outras regiões do país, à procura, não de milagre, mas à procura do reforço, da confiança dos portugueses. Porque aquilo que está em causa no próximo domingo é importante, e a partir de ontem acho que ficou ainda mais importante", justificou.

Marques Mendes disse igualmente que ainda não tem "nenhuma decisão tomada" relativamente às primeiras viagens que fará caso seja eleito Presidente da República, não querendo dizer se a primeira será ao Vaticano, como fez o atual chefe de Estado.

Na segunda-feira de manhã, o candidato presidencial João Cotrim Figueiredo revelou que, numa eventual segunda volta das eleições em que não esteja, não excluía o apoio a nenhum candidato, incluindo a André Ventura.

Nas horas seguintes, e após críticas dos adversários, assumiu ter sido "pouco claro" na sua declaração e garantiu não querer o líder do Chega como Presidente da República.

 

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