Miguel Macedo na calha para liderar bancada do PSD

Miguel Macedo na calha para liderar bancada do PSD

O antigo secretário-geral do PSD Miguel Macedo saiu esta quinta-feira de uma reunião entre os deputados do partido e Pedro Passos Coelho como candidato à presidência do grupo parlamentar laranja. Depois de ressalvar que é à bancada “que compete, com total liberdade, escolher a sua direcção”, o novo líder social-democrata voltou a perspectivar uma agenda devotada à “coesão” para o congresso do fim-de-semana em Carcavelos.

RTP /
Os deputados sociais-democratas elegem a direcção parlamentar a 15 de Abril, na véspera do debate com José Sócrates Tiago Petinga, Lusa

Marcelo Rebelo de Sousa chama-lhe um conclave "aclamatório". E porque não tem estado em "congressos aclamatórios", o antigo presidente do PSD vai manter-se à margem dos trabalhos que se iniciam esta sexta-feira em Carcavelos: "Este congresso é sobretudo para quê? Para o líder apresentar a sua equipa, para ser eleita a equipa que completa, digamos assim, o conjunto que vai governar o partido e depois, em segundo plano, para ele falar para o país. Portanto, não é um congresso de debate, como eram os congressos que elegiam os líderes, e nesse sentido, tradicionalmente, eu não tenho ido".

Mesmo sem marcar lugar na reunião magna, Marcelo marca uma posição sobre a controversa "lei da rolha" aprovada no congresso de Mafra com o impulso de Pedro Santana Lopes. O professor considera que a postura da nova liderança quanto à interdição de críticas internas na aproximação a actos eleitorais "precisa de uma explicação". "Eu não tenho dúvidas de que aquela regra nunca vai ser aplicada. Agora, apesar de tudo, os três candidatos terão de dar uma explicação ao país, porque ou a questão era muito grave e continua a ser muito grave, ou não era muito grave e foi uma questão eleitoral", frisou o antigo líder social-democrata. Rebelo de Sousa tempera, no entanto, as críticas com elogios à "abertura" de Passos Coelho às diferentes correntes do partido. A começar pelos "marques-mendistas", que, segundo o professor, terão uma voz nas estruturas de topo com Miguel Macedo.

À saída da reunião desta quinta-feira com Pedro Passos Coelho, na Assembleia da República, o antigo secretário-geral social-democrata estabeleceu como prioridade para o combate parlamentar a afirmação de "uma alternativa política". Antes disso, porém, tratou de afinar pelo mesmo diapasão de Passos Coelho, propondo-se contribuir "para a unidade do partido".

"Nós somos o maior partido da Oposição. Passa pelo combate político a afirmação de uma alternativa política para Portugal, no sentido de mudarmos de política e de mudarmos de resultados no país, porque a crise, hoje, é sentida por muitos portugueses e o Partido Social Democrata tem a necessidade imperiosa de afirmar uma alternativa política para os portugueses", enunciou o candidato à liderança da bancada parlamentar do PSD.

Escolha "com total liberdade"

Pedro Passos Coelho não escondeu a sua satisfação após a reunião com os deputados do partido. Mas fez questão de vincar que "é ao grupo parlamentar que compete, com total liberdade, escolher a sua direcção para o futuro", depois de salientar as "grandes qualidades pessoais e políticas" de Miguel Macedo.

"Eu tenho a confiança de que não será por falta de coesão e de união dentro do PSD que deixaremos de fazer aquilo que é importante para Portugal. Tenho muita confiança na colaboração que vou receber de todos e tenho a certeza de que o país pode esperar dos dirigentes do PSD uma grande consonância de pontos de vista quanto às propostas que vamos apresentar", declarou o presidente do partido.

Se Miguel Macedo e o sucessor de Manuela Ferreira Leite falam de unidade interna, o líder parlamentar cessante, José Pedro Aguiar-Branco, sustenta que "estão reunidas as condições para que esta liderança se afirme como vencedora e que o próximo primeiro-ministro de Portugal seja o doutor Pedro Passos Coelho". Ainda que não seja deputado: "O próprio presidente do partido, aqui no grupo parlamentar, referiu que já o passado teve experiências que foram positivas e que, portanto, não é inibidor de podermos afirmar o nosso projecto como vencedor o facto de o presidente do partido não ser deputado. Era melhor que o fosse, mas não sendo não é uma situação que impeça a afirmação do PSD".

Batido nas directas de 26 de Março, conjuntamente com Paulo Rangel e Castanheira Barros, Aguiar-Branco assinala agora que se impõe "olhar para o futuro". Uma tarefa que passa, no horizonte próximo, pela revisão do programa do partido, cuja comissão aceitou chefiar a convite do novo líder. Nas palavras do presidente cessante do grupo parlamentar, que hoje disse adeus ao cargo, trata-se de "uma função muito importante" e "um desafio interessante", tendo em conta que está em causa a "matriz ideológica do partido". Quanto a Miguel Macedo, Aguiar-Branco desdobra-se em elogios: "Tenho grandes expetativas, até porque conheço bem o doutor Miguel Macedo, de que ele possa juntar valor acrescentado ao trabalho que foi desenvolvido por esta direcção".

Passos Coelho agradece "disponibilidade"

A par de José Pedro Aguiar-Branco, Passos Coelho conseguiu também persuadir Paulo Rangel a encabeçar a lista ao Conselho Nacional do PSD. Um gesto que, nas palavras do eurodeputado, "visa essencialmente assegurar a coesão interna, garantindo o respeito pela ideia de pluralidade, que é uma riqueza do PSD".

"É um sinal de coesão interna, num momento em que o nosso adversário é o PS e em que queremos contribuir para a resolução dos problemas do país. Tanto as diferentes candidaturas como o presidente do partido dão um sinal de coesão interna, com respeito pela pluralidade e pela diversidade", afirmava na quarta-feira o antigo líder parlamentar do PSD, adiantando que a lista ao Conselho de Jurisdição Nacional do partido assegura também a representação das diferentes candidaturas à liderança de acordo com o método de Hondt.

A partir da Assembleia da República, Passos Coelho preconizou ele mesmo a "disponibilidade" mostrada pelos seus adversários nas eleições directas "em poder, no próximo congresso, dar uma imagem dessa coesão e dessa união do PSD".

"Eu estou convencido de que o PSD, nas últimas eleições, deu um sinal inequívoco do caminho que quer trilhar. E julgo que todos no PSD percebemos isso. Eu, que tenho a responsabilidade de ter tido esse voto de confiança dos militantes do PSD, e aqueles que concorreram comigo", sublinhou.

PUB