Militantes do PSD elegem novo líder
Mais de 78.900 militantes do Partido Social-Democrata elegem hoje o novo presidente para os próximos dois anos. Pedro Passos Coelho, Paulo Rangel, José Pedro Aguiar-Branco e Castanheira Barros são os quatro candidatos ao lugar de sucessor de Manuela Ferreira Leite como líder social-democrata. O novo líder será o quarto presidente do partido escolhido directamente pelos militantes com direito a voto.
Dos mais de 78.900 militantes com direito de voto, o maior universo eleitoral desde que a alteração ao modo de sufrágio foi instituído em 2006, mais de 16 mil pertencem à distrital do PSD Porto.
Segue-se a Área Metropolitana de Lisboa com perto de 13 mil inscritos, Braga com quase oito mil, Aveiro com mais de seis mil, e Coimbra que conta com aproximadamente 4.500 militantes em condições de poder exercer o seu direito de voto.
Na região autónoma da Madeira são cerca de 2.500 os militantes em condições de votar, enquanto nos Açores o número de militantes ronda os 600.
Os restantes 1.200 estão distribuídos pelos círculos da emigração, dos quais dois terços pertencem às estruturas sociais-democratas fora da Europa e um terço a estruturas da Europa.
Além do novo líder, os 78.900 militantes vão também eleger os delegados ao XXXIII Congresso do PSD, que elegerá os novos órgãos do partido.
Pedro Passos Coelho foi o primeiro candidato a anunciar a sua candidatura à liderança social-democrata. Seguiram-se Paulo Rangel, José Pedro Aguiar-Branco e Castanheira Barros.
Passos Coelho reafirma que quer unir o partido
Ontem, Pedro Passos Coelho esteve em Barcelos, numa das últimas acções de campanha, onde de definiu como o símbolo da unidade do PSD.
"Quis, já durante esta campanha, dar um sinal claro de que quero unir o PSD. As pessoas sabem que hoje há muita gente que teve uma importância muito grande nas campanhas eleitorais de há dois anos atrás, que apoiaram a Doutora Manuela Ferreira Leite e o Doutor Santana Lopes, e que hoje tem um grande relevo na campanha que aqui estou a fazer", afirmou.
"Não sou por isso um candidato de facção, não tenho reconhecimento naquela imagem de que o PSD é um partido de gatos. Não é verdade. Nunca andámos a arranhar-nos uns aos outros. Eu não estive aqui contra ninguém, quis juntar nesta campanha até aqueles que não estiveram comigo há dois anos atrás, eles são necessários ao PSD", frisou.
Pedro Passos Coelho já nas eleições directas de 2008 se candidatou à liderança do partido tendo sido derrotado por Manuela Ferreira Leite.
Perante os apoiantes de Barcelos, o candidato manifestou-se confiante na vitória nas eleições directas de hoje, mas sublinhou que "não canta vitória antes dos militantes irem às urnas".
"Espero poder ganhar esta eleição, mas não deixarei de, até ao fim, fazer a campanha que acho necessária", afirmou, declarando-se "seguro e confiante".
"Espero que o resultado possa ser inequívoco e que toda a gente perceba o sentido de voto que os militantes quiserem exercer", acrescentou.
Hoje, Pedro Passos Coelho encerra a campanha em Setúbal, antes de votar em Lisboa, onde estará durante a noite eleitoral, na sua sede de campanha na Rua Braacamp.
Aguiar-Branco espera que novo líder assuma compromissos
José Pedro Aguiar-Branco afirmou esperar que o novo presidente do partido honre os compromissos assumidos com o Programa de Estabilidade e Crescimento. O actual líder da bancada parlamentar social-democrata está confiante de que a sua candidatura seja eleita nas eleições directas de hoje.
"O PSD não recebe lições de autoridade moral do Sr. ministro Teixeira dos Santos. O PSD tem demonstrado ao longo da sua história, e da sua história mais recente, interpretar correctamente o interesse nacional no sentido de Estado e do sentido de responsabilidade", afirmou o candidato à liderança do PSD.
"Por isso tenho a certeza absoluta que o próximo presidente do partido, seja ele qual for, actuará sempre com esse sentido de responsabilidade", acrescentou.
"Estou confiante de que a maioria dos militantes do PSD veja nesta candidatura uma candidatura vencedora", afirmou ontem Aguiar-Branco num almoço com militantes sociais-democratas em Carcavelos.
Para o líder da bancada parlamentar do PSD "seja qual for o vencedor, o partido será diferente, mais unido e coeso".
Aguiar-Branco deixou de seguida um alerta ao primeiro-ministro"o engenheiro José Sócrates que se cuide, porque o PSD vai ser um partido com capacidade vencedora, com energia e estou absolutamente seguro que esse cimento de unidade com capacidade vencedora vai acontecer a partir de dia 27".
Para hoje, José Pedro Aguiar-Branco não tem marcada qualquer acção de campanha. Votará no Porto onde ficará a acompanhar os resultados eleitorais na sua sede de campanha na Rua de Ceuta.
Rangel afirma que existem "dois caminhos" no partido
Paulo Rangel afirma que existem dois caminhos no Partido Social-Democrata e que o dele representa o caminho da mudança. No encerramento da sua campanha eleitoral, na Fundação Cupertino de Miranda, no Porto, o candidato apelou a um voto "em liberdade e com responsabilidade".
"Há no PSD dois caminhos. Há o caminho que é a mudança, a mudança de rostos, de personalidades, e há outro caminho que é o da ruptura com as políticas socialistas e um projecto de transformação da sociedade portuguesa", afirmou o eurodeputado aos apoiantes.
"Há dois caminhos. E a escolha tem de ser feita em plena liberdade. O PSD é o partido da liberdade, é um partido com uma tradição profunda de liberdade e de liberdades, por isso, é preciso que quando abrirem as mesas de voto, os militantes possam ir votar apenas e só de acordo com o seu juízo, apenas e só de acordo com a sua convicção", acrescentou.
Para Paulo Rangel, "não pode haver votos por sugestão, por coacção, por pressão ou por apelo, seja por dirigentes nacionais, candidatos, dirigentes locais, distritais, internacionais ou mandatários".
No seu discurso de encerramento da campanha, o candidato à líder do PSD deixou uma mensagem de "transparência e de política financeira e económica alternativa à seguida pelo Governo de José Sócrates".
"Fica esta mensagem sobre o sonho de construir uma classe média forte, condigna, sólida no país, da qual os socialistas desistiram, exibindo sempre os números de apoios sociais que são a caridade do Estado, sem darem aos cidadãos perspectivas de autonomia e de enriquecimento a que todos têm direito", sublinhou Paulo Rangel.
Hoje de manhã Paulo Rangel vai dar, no Porto, uma aula de ciência política. O eurodeputado vai exercer o seu direito de voto também no Porto e de seguida rumará a Lisboa onde vai acompanhar num hotel a evolução dos resultados eleitorais.
Castanheira Barros assume-se como candidato de bases
José Manuel Castanheira Barros, que foi o último dos quatro a oficializar a sua candidatura, assume-se como um candidato de bases e não da nomenclatura partidária. O advogado de Coimbra fez questão de salientar que a 1.913 assinaturas que reuniu foram recolhidas sem o apoio de qualquer concelhia ou distrital do PSD.
"Esta é a primeira nota distintiva em relação às demais três candidaturas, todas elas ligadas ao aparelho partidário. É com grande orgulho que comunico que as 1.913 assinaturas de subscrição da minha candidatura è presidência do PSD foram recolhidas sem o apoio de qualquer concelhia ou distrital do PSD, o que significa que é uma candidatura genuinamente oriunda das bases e não da nomenclatura" sublinhou o candidato em entrevista à agência Lusa.
O advogado de Coimbra revelou que o seu "enorme esforço pessoa e financeiro foi elogiado por muitos que sublinharam aquilo que consideram ser um grande exemplo de militância".
Castanheira de Barros, que no congresso usou como lema "eu tenho um projecto", declarou ainda que não é candidato a primeiro-ministro e que apenas apresenta a sua candidatura a presidente do PSD.
"Se eu ganhar as eleições no PSD o meu candidato a primeiro-ministro será o Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, quando forem marcadas eleições legislativas", afirmou.
O candidato recusa-se por isso a comprometer-se quanto à possível privatização dos órgãos de comunicação social do Estado, quanto à participação de privados na educação e na saúde, afirmando "não querer manifestar uma opinião que possa condicionar a actuação do futuro candidato a primeiro-ministro".
Castanheira de Barros que vai votar em Coimbra e acompanhar a noite eleitoral na sede distrital do PSD, não tem marcada para hoje qualquer acção de campanha.