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Ministra estónia diz que proibir telemóveis atribui às escolas responsabilidade da sociedade

Ministra estónia diz que proibir telemóveis atribui às escolas responsabilidade da sociedade

Ao contrário de Portugal, a Estónia optou por não proibir os telemóveis, precisamente para não colocar sobre os professores uma responsabilidade que começa em casa. "É por isso que os professores querem sair [da profissão], porque sentem que todos os problemas da sociedade são da sua responsabilidade".

Lusa /
Foto: Nuno Patrício - RTP

A ministra da Educação da Estónia explicou hoje que, ao contrário de Portugal, o país não proibiu o uso de `smartphones` nas escolas por entender que a medida transfere para os professores uma responsabilidade que é de toda a sociedade.

"A partir do momento em que mudamos a discussão para o nível escolar e consideramos que os telemóveis são um problema nas escolas, estamos a ignorar que essa é a parte menos significativa do problema", justificou Kristina Kallas.

A ministra da Educação e Investigação da Estónia, que está em visita oficial a Portugal, participou hoje no Oeiras Education Forum, onde esteve ao lado do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre.

Durante um debate sobre os desafios da educação na Europa contemporânea e as diferentes realidades dos dois países, Kristina Kallas foi questionada sobre o problema da falta de professores, que a ministra estónia disse ser um "problema universal".

Começando por afirmar que há cada vez menos jovens a querer seguir a carreira de professor, Kristina Kallas argumentou que a profissão tem-se tornado menos atrativa, em parte, pelas crescentes pressões sociais.

"A responsabilidade parental passou a ser menos discutida do que a responsabilidade dos professores", sublinhou, dando como exemplo o debate sobre a utilização de `smartphones` nas escolas.

Ao contrário de Portugal, a Estónia optou por não proibir os telemóveis, precisamente para não colocar sobre os professores mais uma responsabilidade que começa em casa, com as famílias.

"É por isso que os professores querem sair [da profissão], porque sentem que todos os problemas da sociedade são da sua responsabilidade", acrescentou.

Ao seu lado, o ministro português, que no ano passado proibiu a utilização de `smartphones` nas escolas por alunos dos 1.º e 2.º ciclos, disse apreciar a abordagem da sua homóloga, mas explicou que a medida que em Portugal começou como uma recomendação foi bem recebida pelas escolas e produziu efeitos positivos.

"O que observamos foi que o ambiente das escolas onde [os `smartphones`] foram proibidos melhorou muito e, com base nesses resultados, o que fizemos foi proibir", recordou Fernando Alexandre.

Por outro lado, considerou que a implementação da nova regra nas escolas "deu uma indicação às famílias sobre a forma como devem utilizar telemóveis".

"Muitos pais vieram ter comigo e agradeceram, a dizer que agora têm um argumento", acrescentou.

Durante o debate, os ministros dos dois países discutiram também a transição digital e o recurso à inteligência artificial (IA) generativa, que em Portugal está a ser avaliada por um grupo de trabalho criado em setembro.

A discussão também está em curso na Estónia, que, segundo Kristina Kallas, tem olhado para o potencial do digital e da IA para desenvolver diferentes tipos de competências cognitivas.

"A aprendizagem cognitiva acontece de forma diferente quando estamos a aprender com papel e caneta, em grupo ou através de um ecrã. São diferentes tipos de competências cognitivas e são os professores que devem decidir que tipo de exercícios fazem", defendeu, considerando que a transição digital falhou em alguns países, que estão agora a recuar, porque os dispositivos digitais foram impostos aos docentes sem autonomia pedagógica.  

A equidade na educação foi outro dos temas em discussão, com o ministro da Educação a admitir que persistem desigualdades significativas em Portugal, onde o contexto socioeconómico continua estar associado ao desempenho dos alunos.

Nesse aspeto, a Estónia, que se tem destacado nos estudos internacionais pelo bom desempenho dos alunos, a principal preocupação dos professores é garantir que todos os estudantes alcançam, pelo menos, um nível mínimo de literacia.

"Isso significa que os professores podem não ter tanto tempo para apoiar os alunos de topo, mas o nosso sistema está particularmente focado em garantir que ninguém falha", explicou Kristina Kallas, acrescentando que esse esforço começa logo no pré-escolar, com uma aposta nas competências socioemocionais e de autorregulação, para que "todas as crianças estejam no mesmo nível quando começam o ensino obrigatório".

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