Montenegro abre hoje Congresso do PSD um dia depois do "chumbo" do pacote laboral
O presidente do PSD e primeiro-ministro abre hoje o 43.º Congresso do partido, que se realiza em Anadia (Aveiro), um dia depois de o Chega ter rejeitado a proposta de lei laboral que o Governo classificava como decisiva.
Tanto o primeiro-ministro, Luís Montenegro, como o líder parlamentar Hugo Soares puseram o ónus do falhanço do acordo no Chega, que acusaram de querer pôr em causa a sustentabilidade da Segurança Social, ao insistir na descida da idade da reforma como condição para aprovar a proposta do Governo.
Depois de, na quinta-feira, Hugo Soares, ter dado a revisão do Código do Trabalho como aprovada na generalidade -- com o presidente do Chega, André Ventura, a antecipar também vitórias para os trabalhadores em matérias reivindicadas pelo partido -- na sexta-feira o diploma acabou rejeitado com os votos contra do Chega e da esquerda.
Este volte face poderá mudar o tom do Congresso, que não tinha polémicas anunciadas, com Luís Montenegro a remeter uma análise da situação política mais aprofundada para a sua intervenção nesta reunião magna.
Em Bruxelas, o primeiro-ministro assegurou que o Governo "não vai desistir" de dar a Portugal "condições para que o país seja competitivo e produtivo" e disse manter "confiança absoluta" na ministra do Trabalho.
Nos últimos dias, quer o primeiro-ministro quer Hugo Soares tinham apontado ao PS a responsabilidade pela opção do Governo de tentar entendimentos com o Chega em matérias como a lei laboral ou a Prestação Social Única, classificando o partido liderado por José Luís Carneiro como "uma força de bloqueio à governação".
O `chumbo` do Chega ao pacote laboral deverá fazer com que os dois principais partidos da oposição sejam agora alvo de críticas partilhadas no Congresso.
O arranque dos trabalhos, que decorrem no Velódromo Nacional de Sangalhos, está marcado para as 10:00, com a apresentação da moção de estratégia global com que Luís Montenegro foi reeleito presidente do PSD em 30 de maio, com 95% dos votos e sem oposição, para o terceiro mandato de dois anos.
Na proposta, intitulada "Trabalhar - Fazer Portugal Maior" e que será votada hoje à noite, o presidente do PSD compromete-se a "não ter uma solução de governo nem com o Chega nem com o PS", mas considera ser absurdo falar de "cercas sanitárias" no Parlamento.
Os trabalhos prosseguirão com a apresentação das 18 propostas temáticas -- de estruturas autónomas como JSD, ASD e TSD, das distritais e dos eurodeputados do PSD -- e a discussão política.
Para as 18:00, está marcado o fim do prazo de entrega das candidaturas aos órgãos nacionais e para as 23:00 a votação da Moção de Estratégia Global e das Propostas Temáticas.
Apesar de o líder do PSD reservar sempre as suas escolhas até ao fim, são esperadas mudanças ao nível da Comissão Política Nacional, podendo haver uma menor presença de membros do Governo (no último Congresso os ministros deixaram de ser vice-presidentes e passaram a vogais) e um reforço de autarcas fortes do partido no núcleo duro.
Já prometida está uma lista alternativa ao Conselho Nacional, encabeçada por André Pardal e que junta três listas habitualmente concorrentes (a sua, a de Luís Rodrigues e a de Nuno Costa Pais, da Covilhã), que se assume não como de oposição mas de "consciência crítica" do partido".
Integram também esta lista Ricardo Sousa, que venceu a concelhia de Espinho contra o candidato da direção num processo que foi alvo de impugnação, e a antiga deputada Joana Barata Lopes.
Segundo a direção, estão inscritos no Congresso 906 delegados e 297 participantes, mais cerca de sete centenas de observadores.