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Montenegro assinala dois anos em funções com encontro dos membros dos seus dois Governos

Montenegro assinala dois anos em funções com encontro dos membros dos seus dois Governos

Luís Montenegro assinala na quinta-feira dois anos em funções como primeiro-ministro com a realização de um encontro com os membros do XXIV e XXV Governos Constitucionais, na residência oficial, em São Bento.

Lusa /

De acordo com um comunicado do gabinete do primeiro-ministro, a data será também assinalada com a publicação de um artigo de opinião do chefe do Governo.

O encontro com os membros do XXIV e XXV Governos, os dois executivos a que Luís Montenegro presidiu, vai acontecer na residência oficial, em Lisboa, estando prevista uma declaração do primeiro-ministro e uma fotografia de família.

"Nos próximos dias o primeiro-ministro partilhará também um conjunto de publicações nas redes sociais", acrescenta o comunicado.

Luís Montenegro completa na quinta-feira dois anos como primeiro-ministro à frente de dois executivos PSD/CDS-PP sem maioria, reforçou-se em legislativas antecipadas pelo meio e tem apontado como meta chegar a 2029 sem novas eleições.

Desde que tomou posse pela primeira vez, em 2 de abril de 2024, o presidente do PSD já conviveu com dois Presidentes da República, Marcelo Rebelo de Sousa e António José Seguro - que na tomada de posse disse querer estancar o "frenesim eleitoral" dos últimos anos - e dois líderes do PS, Pedro Nuno Santos e José Luís Carneiro.

O primeiro executivo chefiado por Luís Montenegro demitiu-se a 11 de março de 2025 - com menos de um ano em funções - devido à rejeição pelo parlamento de uma moção de confiança apresentada pelo executivo, após semanas de dúvidas sobre a vida patrimonial e pessoal do primeiro-ministro e a empresa Spinumviva.

Depois de uma campanha totalmente centrada na figura de Montenegro - o hino da AD dizia "Deixa o Luís trabalhar" -, a coligação PSD/CDS-PP voltou a vencer eleições em maio de 2025 e reforçou-se em número de deputados (passou de 80 para 91), numas eleições em que o Chega ultrapassou o PS como segunda força parlamentar (60 deputados contra 58).

Montenegro formou um Governo de continuidade - com apenas dois ministros novos - e, logo no primeiro Conselho de Ministros, reivindicou uma posição central no panorama político português, dizendo que o executivo iria "planar" umas vezes mais para a esquerda, outras mais para direta, metáfora que tem repetido de outras formas sempre que lhe perguntam se governará mais com o Chega ou com o PS.

Desde então, o caminho, num parlamento tripartido, tem passado por apresentar o Governo como "o eixo central" ou o "bloco do meio", sem escolher um parceiro preferencial entre o PS e o Chega.

O Governo chega a este segundo aniversário num contexto de crise internacional, com os efeitos do ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irão a fazerem-se sentir já na economia, mas também nacional devido aos avultados prejuízos das tempestades de fevereiro, que já levaram o primeiro-ministro a admitir o regresso "pequenos défices", mas sem orçamentos retificativos por enquanto.

Nas últimas semanas, o executivo PSD/CDS-PP tem-se empenhado em defender a sua matriz reformista - depois de intervenções críticas do ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho a apontar falhas nessa matéria e, mais recentemente, de um artigo de Cavaco Silva -, com o "número dois" de Montenegro, o secretário-geral e líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, a batizar a ação do executivo como "uma mudança tranquila" e "despida de ideologia".

O executivo reclama como reformas - "estruturais e comportamentais" - os acordos de valorização salariais com dezenas de carreiras da função pública, as descidas do IRS e IRC, os aumentos das pensões, o lançamento da localização do futuro aeroporto ou o processo de reprivatização da TAP, a regulação do uso telemóveis nas escolas, bem como uma maior rigidez nas regras da imigração, entre muitas outras medidas setoriais em áreas como saúde, habitação, justiça ou educação.

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