Política
"Não há nem Governo nem país em crise", garante o porta-voz do PSD
Sebastião Bugalho, recentemente nomeado porta-voz do Partido Social Democrata (PSD) assegura que "não há nem Governo em crise, nem país em crise".
Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas
“Esta ideia de que há um Governo em crise, de que há contas em crise, de que há uma crise política... não vejo as coisas assim, mas compreendo que os partidos da oposição tencionem patrocinar essa perspetiva”, conclui.
Nesta entrevista ao podcast da Antena 1, Política com Assinatura, Sebastião Bugalho defende ainda estar "convencido de que não há necessidade de convertermos o momento de discussão do Orçamento do Estado (OE) num momento de ansiedade nacional”.
E afirma por mais do que uma vez que a discussão do OE “não tem de ser um momento de ansiedade nacional e espero que não seja”.
José Luís Carneiro tem tido “um comportamento algo errático”
Sebastião Bugalho mostra-se muito crítico de José Luís Carneiro, “que me tem surpreendido negativamente nas últimas semanas”.
Sobre o secretário-geral do PS, Bugalho diz que tem tido “um comportamento algo errático”.
Questionado pela editora de política da Antena 1, Natália Carvalho, sobre “se PS e CH votarem contra o OE2027 o país deve ir para eleições ou considera que é possível governar em duodécimos?”, Sebastião Bugalho afirma que “esperando eu, que esta irresponsabilidade de José Luís Carneiro tenha sido apenas sazonal, espero que esse cenário não se coloque”.
Ainda assim reconhece que José Luís Carneiro é “alguém que quer abrir um caminho para o diálogo” por ter já vindo dizer que está disponível para apresentar ao primeiro-ministro condições para possibilitar a viabilização do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027). “Parece-me ser uma posição bastante sensata”, acrescenta.
O porta-voz do PSD critica ainda a postura de José Luís Carneiro por ter pedido a demissão de Fernando Alexandre: “como é que alguém pede a demissão do ministro da educação em pleno processo de correção dos exames nacionais? O Pedro Nuno Santos eu ainda acreditava. Mas o José Luís Carneiro? Pedir a demissão com os exames ainda em pauta?”.
“No dia em que Fernando Alexandre deixasse de ser ministro, seria um mau dia”
Sobre o ministro da Educação, Sebastião Bugalho defende que “no dia em que o professor Fernando Alexandre deixasse de ser ministro da educação, seria um mau dia não só para este Governo como para o país”.
O eurodeputado social-democrata defende até que a transição na correção dos exames nacionais foi “gradual e conservadora”, mas Bugalho atira: “não vou usar a palavra sabotagem, mas é muito diferente ter uma agenda reformista quando se está no poder há dois anos depois de o partido adversário ter estado no Estado durante nove”.
Perante essas declarações a jornalista faz a pergunta de várias maneiras: se o Governo sentiu, no processo que envolve os exames nacionais, grãos na engrenagem ou cascas de banana.
O vice-presidente do PSD não responde. No entanto diz que “é sempre difícil fazer transições quando estamos há nove anos fora do Governo porque quer dizer que houve muita gente que entrou para o Estado que não é do nosso partido”.
“As coisas funcionam de forma mais devagar. É mais difícil acertar à primeira. Há mais coisas a remendar e neste processo isto foi muito evidente”, conclui. Sebastião Bugalho segura Fernando Alexandre, mas segura também Luís Neves. Mostra-se aliás “civicamente grato” porque “aquilo que os autarcas do meu partido e até outros me têm dito é: «estou a receber telefonemas e a reunir in loco com o ministro da Administração Interna não durante a crise nem depois da crise, mas antes de qualquer incendio»”.
“Portugal está mais bem preparado para não sofrer o flagelo dos incêndios, devido ao trabalho que foi feito por este ministro”, defende.
E sobre a opinião contrária do líder do CH, para quem manter o ministro “coloca em causa o regular funcionamento das instituições", Sebastião Bugalho responde: “se geríssemos o Estado, o Governo, os partidos e a vida pública consoante as opiniões do André Ventura, já não havia nem Estado, nem Governo nem instituições”.
“Vou-me inibir de comentar”, conclui.
Carneiro “mentiu flagrantemente no dossier da habitação”
Nesta entrevista, Sebastião Bugalho não poupa o secretário-geral do PS e diz mesmo que José Luís Carneiro “mentiu flagrantemente no dossier da habitação”.
“Disse que o Governo não estava a entregar casas por objetivos eleitorais e foi desmentido pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU)”, relembra Bugalho.
O vice-presidente do PSD relembra ainda o momento em que José Luís Carneiro foi a Grândola, já este ano, para mostrar uma dezena de casas, assegurando que estavam prontas desde 2024, tendo sido financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência no tempo do Governo PS e que aguardavam serem atribuídas pelo Executivo de Luís Montenegro.
Para Sebastião Bugalho “foi bizarro ver o líder do PS vir dizer que as casas estavam prontas a habitar desde dezembro de 2024, e, dois dias depois, ser ele próprio apresentar uma candidatura desse projeto, das tais dez casas de Grândola”.
Pergunta a jornalista Natália Carvalho: “acusa José Luís Carneiro de mentiroso?”. “Não sou eu que o acuso de mentiroso, é a realidade que comprovou que ele disse uma coisa que não era verdade”, responde.
CH e PS: “não têm mostrado grande interesse em serem parceiros de governação fiáveis”
Sebastião Bugalho, em linha com aquilo que o PSD tem afirmado, garante que “não há, desde o início, e não creio que haverá, um parceiro preferencial do PSD no atual quadro parlamentar”.
O porta-voz do PSD vai mais longe e critica Partido Socialista (PS) e Chega (CH): “os dois maiores partidos da oposição não têm mostrado grande interesse em serem parceiros de governação fiáveis”, por razões diferentes adianta.
“O CH lucra com a existência de problemas na sociedade portuguesa. Cada problema que eu resolver é menos um eleitor que o CH tem”, começa por dizer.
E conclui, atirando-se ao PS: “o PS numa tática um tanto ou quanto cínica e dissimulada convenceu-se, no meu entender mal, de que sabotando a governação conseguiria transmitir uma imagem de inércia da parte deste Governo para depois vir ele fazer as reformas que eles não nos deixam fazer”.
PR: Bugalho atribuiu avaliação “muito positiva” sobre António José Seguro
O social-democrata admite que “tenho visto e observado a ação do senhor Presidente da República de uma forma muito positiva”.
Na sua opinião, António José Seguro “pela sua postura, pelo seu percurso e pela sua personalidade pode patrocinar um retorno da moderação ao espaço público”.
Para Sebastião Bugalho “não é só fazer pontes. É garantir que elas continuam, com alguma firmeza e alguma civilidade”.
A editora de política da Antena 1 pergunta por isso “caso ele recuse dissolver o parlamento num cenário de eventual chumbo do OE, o PSD aceitaria essa decisão sem reservas?”. "Não tenho dúvidas de que a tomará com o sentido de prioridade dos portugueses e da estabilidade do país em primeira mão”, admite o vice-presidente e eurodeputado do PSD.
Passos Coelho “é muitas vezes mal interpretado”
Sebastião Bugalho entende que as intervenções de Pedro Passos Coelho acerca da governação de Luís Montenegro nada mais são do que “manter a tradição do partido” que sempre teve antigos líderes a avaliar e a comentar o trabalho das lideranças sociais-democratas.
O porta-voz do PSD afirma mesmo que Passos “muitas vezes é mal interpretado. As pessoas acham que o Pedro Passos Coelho é de extrema-direita. Eu não acho nada disso”.
Dito isto... admite que “discordo dele de um ponto de vista estratégico: ele está convencido de que se trouxesse o CH para dentro do barco, selando um pacto de Governo com André Ventura, trazendo-o para o Governo com acordo parlamentar ou de Executivo, que conseguiria comprometer o CH e responsabilizar o CH caso o CH não cumprisse esse acordo”.
E continua: “onde é que eu acho que ele está equivocado, apesar das suas boas intenções. É que o eleitorado de um partido populista e de extrema-direita não castiga nem premeia a irresponsabilidade”. Entrevista conduzida pela editora de política da Antena 1, Natália Carvalho.