"Não receamos eleições antecipadas, mas também não quero", diz André Ventura

"Não receamos eleições antecipadas, mas também não quero", diz André Ventura

André Ventura admite que "não receamos eleições antecipadas. Se houver eleições antecipadas é porque o Governo fez um mau Orçamento. É porque o Governo não soube responder às crises que estamos a viver".

Andreia Brito com Natália Carvalho /

Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas

Em entrevista ao podcast da Antena 1, Política com Assinatura, assume que “não podemos ter um Governo em duodécimos durante muito tempo e também não quero eleições antecipadas”.

Na opinião do líder do Chega “o país não precisa de mais eleições. Estamos fartos de eleições” e recusa chantagens: “não podemos ser chantageados com crises políticas”.

Não revela para já o sentido de voto em relação ao Orçamento do Estado para 2027 porque “não o temos” e adianta que “temos que perceber também se os Orçamentos que o Governo tem trazido, que têm piorado a saúde, a educação, a justiça, são bons para o país ou não”. 
Montenegro tem falta de empatia!
O Governo tem dado péssimos sinais de governação. O Governo tem governado mal em tudo”, é desta forma que André Ventura antecipa aquilo que vai dizer no debate do Estado da Nação, marcado para o dia 16 de julho.

E destaca que “a falta de empatia deste Governo e deste primeiro-ministro é gigantesca”.

André Ventura admite que após o chumbo da revisão da lei laboral “existe um antes e um depois na relação com o Governo”.
“PR já me desiludiu”, mas “vai ser um bom PR”
Se por um lado André Ventura revela que o Presidente da República já o desiludiu, por outro até elogia o desempenho de António José Seguro.

O líder da oposição refere que ficou desiludido com o veto presidencial sobre o decreto aprovado por PSD, Chega e CDS-PP e que proibia a exibição, colocação ou hasteamento em edifícios públicos de bandeiras de natureza ideológica, partidária ou associativa.

Não faz sentido nenhum em edifícios públicos termos bandeiras LGBT ou de outros quaisquer. Também não fazia sentido bandeiras de heterossexuais. Nem de homossexuais, nem de transsexuais, nem de qualquer coisa sexuais”, diz.

Não obstante isso, Ventura reconhece que Seguro “tem optado por uma linha de maior contenção na intervenção no espaço público”, além de promover uma melhor articulação para a criação de pontes. “Nisso eu acho que ele está francamente bem! Até daria uma nota bastante positiva nessa gestão da coisa pública”, afirma.

Ainda assim deixa um recado ao Chefe de Estado: “espero que ele não ceda à agenda woke nos próximos tempos. Mas não acho que vá ceder”.

André Ventura aproveita para pedir que “o Presidente António José Seguro se desligue das questões mais ideológicas e tome decisões com imparcialidade. Se for assim vai ser um bom Presidente da República”.
"Os partidos têm medo" do MAI
Atingiu-se um limite de decência”. É desta forma que André Ventura justifica o facto de ter sido alertado por membros do Governo e deputados próximos do ministro da Administração Interna (MAI) sobre as eventuais ameaças de Luís Neves durante o debate quinzenal de 27 de maio.

De acordo com o líder do Chega, Luís Neves ter-lhe-á dirigido ameaças quando intervinha sobre o SIRESP. Acusações que foram denunciadas, diz Ventura, por membros do Governo e deputados próximos do ministro da Administração Interna.

Quando questionado pela editora de política da Antena 1 se isso seria “uma operação política contra Luís Neves dentro do PSD e do Governo”, André Ventura nega e diz que “atingiu-se um limite de decência”.

O que ficou foi uma atitude muito grave de intimidação, coação. Mostra uma atitude de impunidade e arrogância. Isto mostra uma atitude muito própria deste ministro que é a de condicionar, ameaçar”, acusa Ventura que conclui: “os partidos têm medo”.
"Isto é um padrão de comportamento, que é: «se me escrutinam eu vou atrás de vocês»”, acrescenta Ventura sobre Neves no podcast Política com Assinatura. 
Pagamento de MAI a empreiteiro “levanta suspeitas severas”
André Ventura relembra que pagamentos em numerário acima dos 2999€ são ilegais por parte de membros do Governo quando se refere às notícias que dão conta de que o ministro da Administração Interna pagou obras em casa a uma empresa que trabalhou para a Polícia Judiciária, liderada por Luís Neves antes de entrar para o Governo.

Isto para além de ser ilegal... sem nenhum meio de pagamento como prova, levanta suspeitas severas sobre se não foram usados concursos ou adjudicações numa instituição pública em prol de obras privadas”, questiona André Ventura.

O líder da oposição não pede a demissão do MAI, em vez disso “é preciso dar explicações que se exigem aos outros”.
Imprudentes? “O ministro da Educação e o Governo foram imprudentes”
André Ventura não tem dúvidas de que “o ministro da Educação e o Governo foram imprudentes” porque não tiveram em conta as falhas sinalizadas, há um ano, quando um projeto-piloto testou o modelo de correção digital dos exames nacionais e que foi, apesar disso, aplicado este ano letivo.

O líder do Chega explica que ainda assim não pede a demissão de Fernando Alexandre porque “o problema é agora. O ministro tem é que agora resolver o problema. O ministro sair a meio de uma crise nos exames não resolve o problema”.

André Ventura mostra-se disponível para aprovar a criação de uma comissão de inquérito, proposta pelo Bloco de Esquerda e sobre a qual o Partido Socialista já veio dizer que “é cada vez mais inevitável”. “Não é por nós que não vai ser feita essa responsabilização”, revela.

Ainda assim atira-se ao PS para dizer que o partido de José Luís Carneiro “tem de deixar de fazer esta maquilhagem política. Sempre que há qualquer coisa atira os temas lá para a frente, para depois se resolver”.

“O PS é um partido muito fraco, muito corroído por interesses que o manietam e de onde nunca consegue sair”, critica.
“Ah, vamos ter revisão constitucional!”
O tom de André Ventura não deixa dúvidas. Quando questionado no podcast Política com Assinatura, o líder do Chega afirma categoricamente: “ah, vamos ter revisão constitucional! Do que depender do Chega...”.

Questionado pela jornalista Natália Carvalho sobre se “garante o acordo com o PSD?”, Ventura relembra que existe um entendimento “em que o Chega aceitava prolongar este prazo até ao final do ano. Em troca disso o PSD comprometia-se a participar no processo de revisão constitucional e a trabalhar alguns assuntos conjuntamente”.

Admite que “ainda não se chegou a um entendimento sobre o resultado final desse trabalho” e reforça a ideia de que “só o PSD e o Chega é que podem fazer isto e é importante que todos percebam isso”.
“Não pensei na minha sucessão, mas acontecerá porque é da vida e é da política”
À pergunta da editora de política da Antena 1 “hoje em dia manda mais André Ventura ou os líderes das Distritais?”, André Ventura assegura que “não me preocupo em mandar. Não tenho nem desejo nem obsessão com o poder”.

Mas a jornalista retoma: “mas reconhece que o Chega continua a depender da sua figura?”. Responde Ventura: “o futuro o dirá!”.

Natália Carvalho insiste: “e o Chega sobreviverá se algum dia deixar a liderança do partido?”. André Ventura ironiza: “se eu estivesse aqui sentado e achasse que o Chega não sobreviverá sem mim, a Natália podia dizer que eu sou muito narcisista e muito egocêntrico. Não sou”.

E admite que “não pensei na minha sucessão, mas acontecerá porque é da vida e é da política”.
Entrevista conduzida pela editora de política da Antena 1, Natália Carvalho.
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