Nuno Melo quer "reorganizar" o CDS e rejeita críticas de diluição no PSD

Nuno Melo quer "reorganizar" o CDS e rejeita críticas de diluição no PSD

O CDS-PP reúne-se este fim-de-semana, 16 e 17 de maio, em Alcobaça para o 32.º Congresso Nacional do partido.

Inês Ameixa - RTP Antena 1 /
Foto: Olivier Hoslet - EPA

Será uma oportunidade para "reorganizar" o partido internamente, explica à RTP Antena 1 o atual presidente do CDS e ministro da Defesa Nacional. "Queremos ganhar músculo para voltar a investir muito nas nossas estruturas locais. O CDS é um partido que tem esta malha territorial no continente, nos Açores e na Madeira e, por isso, queremos reforçar as concelhias e distritais para prepararmos o futuro" e disputar próximos actos eleitorais.

Nuno Melo, presidente do CDS desde 2022, é o candidato da continuidade, que é desafiado por Nuno Correia da Silva na corrida à liderança. É antigo deputado centrista, actualmente conselheiro nacional, e afirma-se como candidato alternativo, que quer romper com o actual rumo levado pelo partido. Mas Nuno Melo desvaloriza: Existir "divergência" num Congresso "não significa desunião", diz, além de não ter nenhum "inimigo" ou "adversário" na reunião magna deste fim-de-semana. "Tenho apenas parceiros de um percurso que têm ideias diferentes", resume.

Mas se há diluição do CDS no PSD por conta da coligação de Governo? Nuno Melo desfaz-se das críticas, afirmando que o partido está "por vontade própria" na AD. E atira: "Não se está numa coligação a combater o parceiro de coligação, está-se numa coligação a combater os adversários, e isso não é diluição, isso é responsabilidade, previsibilidade."
Para o recandidato à liderança do partido que conta actualmente com dois deputados à Assembleia da República, o CDS-PP está vivo e tem influência. "É a direita que soma e que é responsável e é esse o caminho que devemos continuar a fazer", afirma aquele que é também ministro da Defesa Nacional no Governo de Luís Montenegro.

Em Alcobaça, este sábado e domingo, vai discutir-se o futuro do CDS-PP e que partido querem os congressistas para os tempos que se avizinham. Nuno Melo quer contar com todos e, aqui, incluem-se antigos líderes do CDS. Sobre Assunção Cristas, acredita que é "totalmente solidária" com o seu partido. Destaca também Manuel Monteiro, que durante "muitos anos não esteve em Congressos" e, por isso, "tem sido um activo e um farol muito importante para o CDS". Já Paulo Portas poderá marcar presença em Alcobaça, mais não seja através de uma mensagem transmitida na reunião magna.

"Eu não tenho que pedir a ninguém para estar presente no Congresso do seu partido, mas o importante é saberem que o partido está de porta aberta. Esta casa é de todos, para que, em conjunto, celebremos o bem maior, que é o CDS-PP", sublinha Nuno Melo em declarações à Rádio Pública.

Também ouvido pela Rádio Pública, Nuno Correia da Silva, candidato que desafia a actual liderança, entra na corrida para "levar o partido a reflectir" porque entende que o CDS "precisa de fazer mais". "O país precisa de mais CDS, daquele que teve bandeiras, como o partido dos contribuintes, dos pensionistas, da liberdade, da família, e essas bandeiras não têm estado presentes, quer no discurso do partido, quer no discurso do parceiro do Governo", considera. Nuno Correia da Silva pede um partido "mais presente e mais afirmativo", e este fim-de-semana espera conseguir "passar a mensagem" e vencer a corrida à liderança.
O Congresso Nacional do CDS-PP arranca este sábado às 10h. Durante o dia, vão ser apresentadas, discutidas e votadas as moções de estratégia global. Para a manhã deste domingo, está marcada a eleição dos órgãos nacionais para os próximos dois anos. A sessão de encerramento está agendada para as 12h30. Nuno Melo, actual presidente do CDS, e Nuno Correia da Silva, ex-deputado, são os dois candidatos à liderança do partido.
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