Oposição acusa Governo de lucrar com crise energética

Oposição acusa Governo de lucrar com crise energética

O primeiro-ministro está esta quarta-feira no Parlamento a responder às questões dos deputados sobre a inflação, o aumento do custo de vida e os efeitos da atual conjuntura internacional.

RTP /
Foto: António Cotrim - Lusa

A Iniciativa Liberal foi o primeiro partido a apontar críticas ao executivo, apontando para o aumento dos lucros do Estado, que vê a receita a crescer com vários impostos. Mariana Leitão afirmou mesmo que o Estado "vai continuar a lucrar com a maior crise energética dos últimos anos".

"O Estado vai arrecadar mais impostos este ano do que no ano passado", frisou, ainda que viesse a reconhecer mais tarde que "não foram as taxas que subiram", mas sim "o peso do Estado sobre a vida de cada um".

Luís Montenegro vincou esse ponto, destacando que o Governo não aumentou qualquer imposto nos últimos dois anos. "Nenhuma taxa subiu desde que o PSD começou a governar o país", assinalou.

O primeiro-ministro destacou mesmo que a carga fiscal desceu em relação ao PIB e que o Estado só está "a arrecadar mais porque as pessoas estão a auferir mais altos rendimentos". 

Assinalou, por outro lado, a descida "por quatro vezes" do IRS e o alargamento do IRS Jovem. Mas reconheceu, por outro lado, que os portugueses têm hoje um custo de vida mais elevado. Ainda assim, os apoios e as políticas devem ser adotadas "com responsabilidade para que mais tarde não se pague a fatura", lembrando a crise de 2011. 

Mariana Leitão respondeu que o Estado prevê arrecadar 75,2 mil milhões de euros em 2026 e que a "combinação cruel" de inflação, crise na habitação e aumento generalizado do custo de vida "está a engordar o Estado à custa do trabalho dos portugueses". 

"O Governo opta por beneficiar em silêncio com o desespero dos portugueses", acusou. 

Também o PS criticou o Governo por "arrecadar receita à custa do sacrifício dos portugueses", o que considerou imoral, tendo o primeiro-ministro recusado "hipotecar o futuro" para ficar "bem numa fotografia" no presente.

No debate quinzenal, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, arrancou a sua intervenção com a resposta do Governo à crise gerada pela guerra no Irão e acusou o executivo de Luís Montenegro de insensibilidade e de traçar um "quadro cor-de-rosa da vida dos portugueses", que diz não ser a realidade no dia-a-dia das pessoas.

"É imoral que o Governo continue a arrecadar receita à custa do sacrifício dos portugueses", acusou o líder do PS, apresentando uma previsão de aumento de receita de IVA dos combustíveis na ordem dos 500 milhões de euros por ano, tendo em conta a inflação.

Na resposta, o primeiro-ministro recusou precipitações em relação à evolução inflacionista, avisando que a precipitação é uma "inimiga da boa decisão e da boa gestão pública".

"Eu creio que estas medidas poderão ser consideradas insuficientes. Elas estão em constante evolução face àquilo que é também a evolução da situação. Há uma coisa que nós não faremos: não vamos hipotecar o futuro para ficarmos bem numa fotografia apenas do presente", enfatizou Montenegro.

c/ Lusa
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