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Otelo Saraiva de Carvalho, o estratega da Pontinha, foi promovido a Coronel

Otelo Saraiva de Carvalho, o estratega da Pontinha, foi promovido a Coronel


Otelo Saraiva de Carvalho foi promovido ao posto de Coronel, 35 anos depois de comandar operacionalmente da Pontinha as movimentações militares que conduziram ao derrube do regime Corporativista que governou Portugal durante 48 longos anos.

Eduardo Caetano, RTP /
Otelo Saraiva de Carvalho, o herói popular amado por uns odiado por outros, mas figura incontornável do 25 de Abril de que se assinala, no sábado, o 35º aniversário RTP

O Governo, ao abrigo da lei que estipula a reconstituição de carreiras militares, decidiu promover Otelo Saraiva de Carvalho, que actualmente era Tenente-Coronel na Reserva do Exército português.

"O Governo aprovou a promoção de Otelo Saraiva Carvalho ao abrigo da lei 43/99, que estipula a reconstituição de carreiras cuja progressão foi prejudicada pelo 25 de Abril", referiu fonte do Ministério da defesa.

Analisada por uma comissão de avaliação criada expressamente para o efeito a promoção de Otelo Saraiva Carvalho terá agora de ser publicada no jornal oficial Diário da República. Juntamente com Otelo outros sete nomes viram os seus processos analisados por esta comissão.

Além de Otelo Saraiva de Carvalho, foram promovidos a coronel os militares Vítor Afonso, César Neto Portugal, José Borges da Costa, Antero Ribeiro da Silva, Ângelo Sousa e Aniceto Afonso, e ainda António Vicente, a sargento-mor. 

Face a esta promoção, Otelo Saraiva de Carvalho vai receber 48.864 euros em retroactivos, em "conformidade com o artigo 4.º do Decreto-Lei 197/2000".

Revolucionário e ingénuo

Otelo Saraiva de Carvalho é um homem de 72 anos. Foi capitão em Angola nos anos que mediaram entre 1961 a 1963 e na Guiné entre 1970 e 1973.

A incorporação forçada de estudantes universitários na tropa para a guerra de África ajudou a politizar as forças militares que começaram a movimentar-se contra um regime que lhes impunha uma guerra que muitos não compreendiam.

O descontentamento provocado pela divisão entre oficiais milicianos e de carreira foi a gota de água que transbordou e levou os militares a decidirem-se pelo derrube do regime. Os militares organizaram-se para no dia 25 de Abril de 1974 desencadearem um movimento militar que tinha como objectivo derrubar o Governo de Marcelo Caetano, que sucedera a Oliveira Salazar na chefia do executivo.

Otelo Saraiva Carvalho foi o escolhido pelos seus irmãos de armas para, no dia que mais tarde ficou conhecido como o da Revolução dos Cravos, comandar operacionalmente as movimentações militares a partir de um posto de comando instalado no quartel da Pontinha. Fazia-o como um dos responsáveis da Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas, MFA como ficou conhecido o movimento para a história.

Herói popular incontestado do movimento triunfante que derrubou a ditadura, Otelo Saraiva de Carvalho atravessou o período conturbado da revolução, o chamado "Verão quente de 1975" com posições polémicas e muitas vezes contraditórias, sendo por muitos considerado ingénuo e influenciável.

No dia 23 de Junho de 1975 ocupou o cargo de comandante do COPCON (Comando Operacional do Continente). Ficou célebre por ter distribuído mandatos de captura em branco para eventuais prisões de contra-revolucionários e por frases bombásticas como "meto-os a todos no Campo Pequeno) referindo-se àqueles que apelidava de contra-revolucionários.

Em 25 de Novembro as forças militares moderadas reunidas em torno do Grupo dos Nove, sob o comando operacional de Ramalho Eanes e com um papel muito importante de Jaime Neves que, segundo o que recentemente foi anunciado, está na calha para uma promoção a General, recentemente, desencadearam um movimento contra a facção extremista do MFA que diziam, estava dominada pelo PCP e pelos partidos da extrema-esquerda.

Uma saída de cena conturbada

Triunfante o movimento, seguiu-se um período de normalização das instituições e na sequência, Otelo Saraiva de Carvalho foi demitido do COPCON, detido e preso três meses mais tarde.

Otelo Saraiva de Carvalho candidatou-se à Presidência da República nas eleições de 1976 e nas de 1980. Se nas primeiras conseguiu ainda um resultado considerado muito bom, nas segundas já se quedou por resultados muito modestos.

Em 1985, foi preso pelo seu alegado papel na liderança das FP-25 de Abril - movimento acusado por vários atentados bombistas, assaltos a bancos e homicídios - tendo sido julgado com muitos dos seus alegados colegas da organização terrorista num tribunal construído de propósito para o efeito e que hoje se dedica a grandes julgamentos mediáticos, a saber o Tribunal de Monsanto.

Sujeito a uma condenação foi, no entanto, alvo de um indulto em 1996, pela Assembleia da República, que amnistiou os presos do caso FP-25, relacionado com terrorismo.

Colocado na Reserva mantinha o posto de tenente-coronel. Vai agora ser promovido a Coronel.

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