Pacote laboral "não passará" e PS deve ser intransigente - Ana Mendes Godinho
A antiga ministra do Trabalho Ana Mendes Godinho defendeu hoje que o PS deve assumir uma posição de "luta intransigente" contra o pacote laboral, que classificou de "ataque aos trabalhadores", antevendo que as alterações "não passarão".
No período de intervenções políticas no 25.º Congresso do PS, em Viseu, a ex-ministra do Trabalho Ana Mendes Godinho afirmou que os socialistas devem ser intransigentes na defesa das pessoas e que essa posição deve evidenciar-se em relação ao pacote laboral proposto pelo Governo, rejeitando-o.
Para Ana Mendes Godinho, é preciso uma "luta intransigente" contra um "ataque aos trabalhadores", até porque o país "não pode voltar ao século passado em matéria laboral, mas sim avançar no sentido de maior dignificação do trabalho".
A socialista argumentou que os jovens precisam de confiança e não de precariedade e que "quando se enfraquecem os direitos dos trabalhadores, enfraquece-se a democracia".
"Este pacote não passará, não pode passar. Este pacote é uma agenda ideológica, é um pacote de polarização social, é um pacote de vingança contra os portugueses e contra os trabalhadores e contra o país. O Partido Socialista não tem dúvidas. O trabalho digno não é um detalhe", rematou.
A ministra falou ainda da deputada do PS Eva Cruzeiro, transmitindo-lhe uma "palavra de solidariedade" e afirmando que "quem diz o óbvio, quem defende a dignidade de todos, quem se recusa à discriminação não pode ser motivo de censura".
Ana Mendes Godinho referia-se ao facto de a Comissão de Transparência e Estatuto de Deputados ter concluído que a socialista Eva Cruzeiro desrespeitou "deveres fundamentais dos deputados" ao chamar "racistas e xenófobos" aos parlamentares do Chega, um "comportamento inadequado e inaceitável" que não pode ser sancionado "por falta de habilitação legal".
A socialista defendeu que não se pode "aceitar o ódio como linguagem pública", nem "deixar que a intolerância se transforme no novo normal".
Também o ex-deputado do PS Paulo Pisco interveio para anunciar que o partido deverá avançar com uma mudança dos estatutos para que seja incluído o departamento das comunidades portuguesas.
O socialista, que integrou uma comitiva do PS liderada por José Luís Carneiro numa visita à Venezuela, abordou essa deslocação para dizer que "foi muito bem sucedida e abriu várias vias para o futuro" e não uma forma de legitimar o poder venezuelano.
O antigo ministro dos Assuntos Parlamentares Jorge Lacão criticou o antigo deputado socialista Ricardo Gonçalves, que apresentou uma lista à Comissão Nacional alternativa à da direção de José Luís Carneiro, afirmando que quem quer apresentar alternativas deve fazê-lo "a tempo e horas" e que o PS não é um "grupo de diletantes".