Pacote laboral. PCP convoca marcha para assinalar "vitória dos trabalhadores"
O Partido Comunista Português (PCP) convocou uma marcha, na segunda-feira, em Lisboa, para assinalar a "vitória dos trabalhadores" com o chumbo da reforma laboral proposta pelo Governo.
"Luta, caminho da vitória -- salários, pensões, serviços públicos -- novo rumo para Portugal" é o mote da marcha, que terá início na Praça da Figueira e seguirá em direção à Rua Augusta, convocada para as 18:30.
A proposta do Governo para rever a legislação laboral foi chumbada na Assembleia da República, no debate na generalidade realizado na quinta-feira, com os votos contra de Chega, PS, Livre, PCP, BE, PAN e JPP.
O texto contou apenas com os votos a favor dos partidos que suportam o Governo (PSD-CDS-PP) e da IL.
"A vitória da luta dos trabalhadores, com a derrota do pacote laboral, assume um significado político de enorme alcance", assinalou o PCP, em nota de imprensa.
Considerando que o atual Governo tem uma "agenda retrógrada e antidemocrática", os comunistas destacaram a "força imensa" da luta organizada, "que se revelou decisiva para primeiro levar à rejeição do pacote laboral e depois para o definitivamente derrotar".
O PCP apelou para o "combate aos retrocessos", reivindicando o aumento de salários e pensões e a defesa dos serviços públicos, nomeadamente do Serviço Nacional de Saúde.
"Essa é a exigência, esse é o caminho", defendeu, dando conta de que o secretário-geral do partido, Paulo Raimundo, estará presente na marcha.
O resultado da votação do pacote laboral do Governo esteve em aberto até ao último momento, com negociações entre PSD e Chega. A bancada liderada por Pedro Pinto chegou mesmo a pedir a suspensão dos trabalhos durante meia hora antes do início da votações.
O líder do Chega, André Ventura, tinha anunciado que ia votar contra a proposta do Governo na generalidade, caso esta se mantivesse como estava, mas foi apresentando algumas exigências. Antes da votação, reuniu-se duas vezes com o primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, em São Bento.
André Ventura deu particular ênfase à descida da idade da reforma, chegando mesmo a exigir um compromisso escrito por parte do Governo, bem como à reposição dos dias de férias, à proteção dos direitos das mães que amamentam, à licença para os avós poderem cuidar dos netos ou à valorização dos trabalhadores por turnos.
O Governo manifestou disponibilidade para enriquecer a proposta, mas assinalou que "essa aproximação" só seria possível se a iniciativa fosse viabilizada na generalidade pelo Chega, tendo o primeiro-ministro sinalizando a sua oposição à descida da idade da reforma.