Política
Parlamentares querem esclarecer contradições
O eurodeputado que presidiu à comissão do Parlamento Europeu sobre os voos da CIA, defendeu que os responsáveis políticos, nacionais e internacionais, deveriam ser confrontados pelas contradições entre os seus depoimentos e informações divulgadas pelo Wikileaks. Já o PCP e o Bloco de Esquerda dizem que vão acompanhar o caso.
O eurodeputado social-democrata Carlos Coelho sublinha que a notícia de pedidos formais dos EUA a Portugal, para autorizar a passagem de aviões pelo país para o repatriamento de detidos em Guantánamo, contradiz em absoluto "todas as garantias" das autoridades portuguesas.
O telegrama publicado site Wikileaks refere que o pedido do Governo norte-americano a Portugal foi "complicado" pela pressão da oposição (o Bloco de Esquerda) e do Parlamento Europeu sobre o Governo português.
Segundo Carlos Coelho, “há países bem mais complicados que Portugal" no que respeita a envolvimento no transporte ilegal de suspeitos de terrorismo.
No entanto, os dados divulgados esta quarta-feira levam o eurodeputado a concluir ser momento para dar continuidade aos trabalhos políticos, já prevista no relatório final da comissão temporária sobre a CIA, aprovado pelo Parlamento Europeu em Fevereiro de 2007.
"É altura” de "confrontar responsáveis políticos" com as contradições agora expostas. As informações divulgadas permitem notar que as declarações prestadas à comissão a que presidiu eram "incompletas ou mesmo incorretas".
Carlos Coelho está "seguro de que muito mais há ainda a saber", mas que "a verdade virá ao de cima, mais cedo ou mais tarde".
Ana Gomes não está surpreendida
O documento da embaixada de Lisboa, com data de 20 de Outubro de 2006, está centrado sobre a ameaça do ministro português dos Negócios Estrangeiros se demitir caso fique provado que foi “cúmplice ou conivente com uma ilegalidade cometida no território português”.
O texto refere o “delicado equilíbrio que Amado está a realizar” e argumenta ser “vantajoso para os EUA "continuar a acariciá-lo muito".
"Mais depressa se apanha um acariciado que um coxo", redargue a eurodeputada. "O telegrama não me surpreende. Não tenho a mais pequena dúvida de que os Estados Unidos, como aliás a (ex) secretária de Estado Condoleezza Rice frisou várias vezes, pediram e obtiveram autorização dos Governos europeus, incluindo o português, para o transporte de prisioneiros, em violação de todas as regras do direito internacional", sustentou a eurodeputada socialista.
A investigação do Parlamento Europeu abrangeu "vários tipos de voo" com "a maioria a serem militares" mas também "civis operados por empresas testa de ferro da CIA", sendo que "todos foram ilegais", sublinha.
"Houve vários voos, de e para Guantánamo, que foram ilegais porque transportavam a bordo pessoas que estavam detidas ilegalmente tanto em Guantánamo como noutras cadeias secretas em vários países", disse Ana Gomes.
A eurodeputada diz que nunca ficou "clarificado" se os voos que passaram por Portugal foram autorizados por Portugal sabendo que iam presos a bordo ou autorizados sem esse conhecimento.
"Pelas informações que obtive, cheguei à conclusão que esses voos, e como os americanos disseram, passaram com perfeito conhecimento das autoridades portuguesas, transportando prisioneiros de e para Guantánamo e outros locais", afirmou.
PCP e BE vão “acompanhar” o caso
O deputado do Bloco de Esquerda Jorge Costa considerou que os dados do Wikileaks mostram que o partido tinha razão ao exigir esclarecimentos sobre a eventual passagem de voos da CIA por Portugal.
"Apesar de sucessivos governos sempre terem negado a colaboração portuguesa com os voos ilegais da CIA, verifica-se agora que existiram contactos regulares e até encontros, como o do ministro Luís Amado com a secretária de Estado Condoleezza Rice, onde foram discutidos os termos em que o Estado português poderia autorizar a passagem de voos de transferência de prisioneiros", declarou o dephtado.
"Sublinha-se agora a preocupação que o BE sempre teve para que não fossem ocultadas à opinião pública estas informações. E tínhamos razão, como fica à vista pela preocupação transmitida ao Governo americano pela actuação do Bloco na averiguação destes factos", acrescentou o deputado e dirigente bloquista.
Tanto o Bloco de Esquerda como o PCP vão "continuar a acompanhar a informação que vai sair e que está para sair".
O PCP "ainda não concluiu o que irá fazer", mas "naturalmente será tomada alguma iniciativa na Assembleia da República", admitindo Carlos Gonçalves, da comissão política, a proposta de um inquérito e de um "esclarecimento da verdade e resposta do senhor ministro (Luís Amado)".
"Nós não responsabilizamos apenas o senhor ministro (...) a responsabilidade política é do Governo. É em primeiro lugar do primeiro-ministro e do Governo”, disse.
O PCP sempre argumentou que o Governo português sabia dos "repatriamentos” e dos "próprios transportes de prisioneiros pela CIA para os Estados Unidos e Guantánamo".
O membro da comissão política do PCP lamentou que "provas circunstanciais" recolhidas, consideradas "esmagadoras", não tivessem sido corroboradas e defende que o Governo e o ministro foram "de facto muito acarinhados".
Sustenta Carlos Gonçalves que o ministro dos Negócios Estrangeiros “ teve o papel de colocar no plano internacional a proposta dos Estados Unidos de dividir os prisioneiros de Guantánamo". "A verdade começa agora a vir ao de cima, mas há muito mais verdades e os acontecimentos começam a confirmar e são a ponta do iceberg do que de facto se passou", concluiu.
O telegrama publicado site Wikileaks refere que o pedido do Governo norte-americano a Portugal foi "complicado" pela pressão da oposição (o Bloco de Esquerda) e do Parlamento Europeu sobre o Governo português.
Segundo Carlos Coelho, “há países bem mais complicados que Portugal" no que respeita a envolvimento no transporte ilegal de suspeitos de terrorismo.
No entanto, os dados divulgados esta quarta-feira levam o eurodeputado a concluir ser momento para dar continuidade aos trabalhos políticos, já prevista no relatório final da comissão temporária sobre a CIA, aprovado pelo Parlamento Europeu em Fevereiro de 2007.
"É altura” de "confrontar responsáveis políticos" com as contradições agora expostas. As informações divulgadas permitem notar que as declarações prestadas à comissão a que presidiu eram "incompletas ou mesmo incorretas".
Carlos Coelho está "seguro de que muito mais há ainda a saber", mas que "a verdade virá ao de cima, mais cedo ou mais tarde".
Ana Gomes não está surpreendida
O documento da embaixada de Lisboa, com data de 20 de Outubro de 2006, está centrado sobre a ameaça do ministro português dos Negócios Estrangeiros se demitir caso fique provado que foi “cúmplice ou conivente com uma ilegalidade cometida no território português”.
O texto refere o “delicado equilíbrio que Amado está a realizar” e argumenta ser “vantajoso para os EUA "continuar a acariciá-lo muito".
"Mais depressa se apanha um acariciado que um coxo", redargue a eurodeputada. "O telegrama não me surpreende. Não tenho a mais pequena dúvida de que os Estados Unidos, como aliás a (ex) secretária de Estado Condoleezza Rice frisou várias vezes, pediram e obtiveram autorização dos Governos europeus, incluindo o português, para o transporte de prisioneiros, em violação de todas as regras do direito internacional", sustentou a eurodeputada socialista.
A investigação do Parlamento Europeu abrangeu "vários tipos de voo" com "a maioria a serem militares" mas também "civis operados por empresas testa de ferro da CIA", sendo que "todos foram ilegais", sublinha.
"Houve vários voos, de e para Guantánamo, que foram ilegais porque transportavam a bordo pessoas que estavam detidas ilegalmente tanto em Guantánamo como noutras cadeias secretas em vários países", disse Ana Gomes.
A eurodeputada diz que nunca ficou "clarificado" se os voos que passaram por Portugal foram autorizados por Portugal sabendo que iam presos a bordo ou autorizados sem esse conhecimento.
"Pelas informações que obtive, cheguei à conclusão que esses voos, e como os americanos disseram, passaram com perfeito conhecimento das autoridades portuguesas, transportando prisioneiros de e para Guantánamo e outros locais", afirmou.
PCP e BE vão “acompanhar” o caso
O deputado do Bloco de Esquerda Jorge Costa considerou que os dados do Wikileaks mostram que o partido tinha razão ao exigir esclarecimentos sobre a eventual passagem de voos da CIA por Portugal.
"Apesar de sucessivos governos sempre terem negado a colaboração portuguesa com os voos ilegais da CIA, verifica-se agora que existiram contactos regulares e até encontros, como o do ministro Luís Amado com a secretária de Estado Condoleezza Rice, onde foram discutidos os termos em que o Estado português poderia autorizar a passagem de voos de transferência de prisioneiros", declarou o dephtado.
"Sublinha-se agora a preocupação que o BE sempre teve para que não fossem ocultadas à opinião pública estas informações. E tínhamos razão, como fica à vista pela preocupação transmitida ao Governo americano pela actuação do Bloco na averiguação destes factos", acrescentou o deputado e dirigente bloquista.
Tanto o Bloco de Esquerda como o PCP vão "continuar a acompanhar a informação que vai sair e que está para sair".
O PCP "ainda não concluiu o que irá fazer", mas "naturalmente será tomada alguma iniciativa na Assembleia da República", admitindo Carlos Gonçalves, da comissão política, a proposta de um inquérito e de um "esclarecimento da verdade e resposta do senhor ministro (Luís Amado)".
"Nós não responsabilizamos apenas o senhor ministro (...) a responsabilidade política é do Governo. É em primeiro lugar do primeiro-ministro e do Governo”, disse.
O PCP sempre argumentou que o Governo português sabia dos "repatriamentos” e dos "próprios transportes de prisioneiros pela CIA para os Estados Unidos e Guantánamo".
O membro da comissão política do PCP lamentou que "provas circunstanciais" recolhidas, consideradas "esmagadoras", não tivessem sido corroboradas e defende que o Governo e o ministro foram "de facto muito acarinhados".
Sustenta Carlos Gonçalves que o ministro dos Negócios Estrangeiros “ teve o papel de colocar no plano internacional a proposta dos Estados Unidos de dividir os prisioneiros de Guantánamo". "A verdade começa agora a vir ao de cima, mas há muito mais verdades e os acontecimentos começam a confirmar e são a ponta do iceberg do que de facto se passou", concluiu.