Parlamento aprova eliminação da punição de vítimas de tráfico

Parlamento aprova eliminação da punição de vítimas de tráfico

O parlamento aprovou hoje a eliminação da punição de vítimas de tráfico e da criação da figura do coordenador nacional antitráfico de seres humanos.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Os deputados votaram um documento que substituiu aquele que foi inicialmente apresentado pelo Governo, uma vez que contou com várias alterações propostas pelo Livre e pelo PSD durante a sua discussão na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

À exceção do Chega, que votou pela abstenção, os restantes partidos votaram a favor do texto que resulta de uma diretiva da União Europeia. 

Segundo a proposta de lei hoje aprovada, que prevê uma alteração ao Código Penal, "não são puníveis os atos ilícitos praticados por vítimas de tráfico de seres humanos quando a sua participação nesses atos tenha sido consequência direta de estarem submetidas" a formas de exploração como a exploração sexual e do trabalho, a mendicidade, a escravidão, a extração de órgãos, a exploração de gestação de substituição, de casamento forçado ou da adoção ilegal. 

Um dos objetivos desta alteração é, segundo a proposta inicial entregue pelo Governo, "incentivar as vítimas de tráfico a denunciarem o crime ou a procurarem apoio". 

Além da alteração ao Código Penal, será criada a figura de coordenador nacional antitráfico de seres humanos que, como explicou o Ministério da Justiça em comunicado enviado na altura da aprovação em Conselho de Ministros, será "designado pelo membro do Governo responsável pela área da cidadania e da igualdade".

As funções desta figura de coordenador passarão por, acrescentou o gabinete liderado por Rita Alarcão Júdice, "promover e coordenar programas de combate ao tráfico, acompanhar as tendências do fenómeno e os resultados das medidas implementadas, e recolher estatísticas em articulação com a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, o Observatório do Tráfico de Seres Humanos e a rede de apoio e proteção às vítimas".

Na discussão que aconteceu em junho no parlamento a propósito desta proposta, os partidos reconheceram a necessidade da transposição da diretiva, mas alguns apontaram a falta de meios como um obstáculo.

Também hoje, a Assembleia da República aprovou o texto de substituição da proposta apresentada pelo Governo que transpõe outra diretiva relacionada com a prova eletrónica, com alterações do PS e do PSD, que contou com os votos contra do Livre, PCP e Bloco de Esquerda e com a abstenção do Chega. 

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