PCP de Viseu preocupado com situação da Martifer e da PSA
Viseu, 05 mai (Lusa) -- O PCP de Viseu está preocupado com a situação social e económica do distrito, particularmente com "reajustamentos" em unidades de produção da Martifer, em Oliveira de Frades, e o fim do terceiro turno na PSA, em Mangualde.
Em comunicado, o PCP alude às "preocupantes informações sobre `reajustamentos` nas unidades de produção da Martifer, com o despedimento no imediato de contratados a prazo", e ao "encerramento para breve do turno da noite na PSA - Peugeot Citroën, com o consequente despedimento de 280 trabalhadores".
Fonte oficial da Martifer admitiu à agência Lusa que a empresa "está a fazer reajustamentos no seu parque industrial de Oliveira de Frades e é sua intenção recolocar os trabalhadores que o desejarem em outras unidades do grupo onde efetivamente estejam a desenvolver projetos, como são os casos específicos da Argélia e de França".
"A falta de encomendas na Península Ibérica, em consequência da crise económica e financeira por que passam Portugal e Espanha, obriga a Martifer, como empresa responsável, a ir à procura de encomendas em outras geografias, o que implica reajustamentos ao nível das suas unidades de produção e da sua força de trabalho", justificou.
Há uma semana, o Centro de Produção de Mangualde do grupo PSA - Peugeot Citroën anunciou a supressão do terceiro turno, a partir de 25 de julho, e a consequente redução de 280 postos de trabalho, devido a um ajustamento da atividade produtiva.
"O lançamento deste turno em Mangualde resultou do aproveitamento de uma oportunidade que sabíamos ser transitória, por se prender com o facto de a fábrica de Vigo [Espanha] do grupo PSA registar naquela altura uma produção excecional e temporária", explicou a empresa, acrescentando que, nesse âmbito, foi possível a transferência para Mangualde "de alguns volumes dos modelos Citroën Berlingo e Peugeot Partner".
No entanto, "este fator extraordinário terminou e as fábricas voltam à sua produção nominal", sendo suprimido o terceiro turno, criado em abril de 2013 e que estava previsto funcionar "por um período mínimo de nove meses", acrescentou.
Segundo o PCP, a estas duas situações somam-se "a falta de trabalho de muitas pequenas empresas da construção civil e as dificuldades do pequeno comércio a braços com a quebra do poder de compra da população e a concorrência desleal das grandes superfícies".
Neste âmbito, a estrutura partidária está preocupada com "o aumento do desemprego no distrito, que ultrapassa os 25% em concelhos como Cinfães e Resende, e o empobrecimento generalizado da população".
"A situação social e económica no distrito de Viseu evidencia cada vez mais a necessidade e urgência de uma política que, afirmando os interesses do povo e do país, dê força à alternativa patriótica e de esquerda que desenvolva os valores de Abril no futuro de Portugal", considera.
O PCP está também apreensivo relativamente ao que se passa na agricultura, onde os custos dos fatores de produção se juntam "aos baixos preços e à falta de escoamento das colheitas" e à "obrigatoriedade, para (os agricultores) poderem comercializar diretamente os seus produtos, de registo de atividade nas finanças e inscrição na Segurança Social dos agricultores".
Desta forma, "lançam as explorações da agricultura familiar e centenas de produtores agrícolas no desemprego e na penúria, agravando fatores de desertificação e exclusão social", critica.