PCP pressiona PS a aprovar inquérito sobre Lajes após "indignação" socialista
O secretário-geral do PCP pressionou hoje o PS a aprovar a proposta comunista de criar uma comissão de inquérito sobre a utilização norte-americana da Base das Lajes, nos Açores, após a "indignação" socialista sobre o tema.
"Depois daquela conversa toda do PS, depois daquela indignação do PS, depois de ter a iniciativa de chamar o ministro [dos Negócios Estrangeiros], não há nenhuma razão, não vejo nenhuma razão para que o PS possa votar contra a nossa iniciativa", argumentou Paulo Raimundo em declarações à Lusa à margem de um almoço nos Estaleiros da Câmara Municipal da Amadora.
Em causa está uma notícia do semanário Expresso que indica que o PS se está a preparar para votar contra as iniciativas de PCP e BE que pretendem uma comissão de inquérito sobre a utilização pelos Estados Unidos da América da Base das Lajes, no arquipélago dos Açores, no âmbito do conflito dos norte-americanos e Israel contra o Irão.
Paulo Raimundo salientou que a iniciativa do PCP quer "aprofundar todo o grau de questões que se relacionam com o nosso território nacional, com o nosso espaço aéreo nacional, para com a agressão ao Irão por parte dos Estados Unidos".
"Tenho dito e vou voltar a dizer: Portugal não é um apêndice dos Estados Unidos. Perante esta premissa, é preciso que o nosso território e o espaço aéreo estejam salvaguardados, de se constituir como um elemento de agressor ao outro país. A nossa Constituição é muito clara sobre esta matéria", salientou.
Considerando que caso vote contra o PS estará a cometer "um erro político", o líder do PCP sustentou que o tema em causa é profundo e "muito sensível", exigindo respostas mais aprofundadas do que apenas uma audição do ministro no parlamento.
"Acho que o PS tem que ser coerente", avisou, acrescentando que "ficaria muito surpreendido se o PS agora se alinhasse com o PSD e com o CDS para inviabilizar a comissão de inquérito".
Sobre as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, esta segunda-feira, o secretário-geral do PCP insistiu que o governante "meteu-se numa grande embrulhada",
"Mas o problema não é o senhor ministro ter-se metido numa grande embrulhada, porque isso era lá com ele. O problema é que essa embrulhada embrulhou o país", criticou.
A utilização da Base das Lajes, nos Açores, pelos Estados Unidos da América, voltou à ordem do dia depois de na quinta-feira, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ter elogiado Portugal por aceitar o pedido dos Estados Unidos para utilizar a base no conflito com o Irão. Em entrevista à Fox News, Marco Rubio disse mesmo que essa autorização foi dada ainda antes de Portugal saber qual seria o pedido.
Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros referiu que "o pedido a Portugal para utilização da Base das Lajes só foi feito já depois do ataque ao Irão, sendo que o Governo português só autorizou mediante condições que foram logo tornadas públicas e que são conhecidas".
Na segunda-feira, Paulo Rangel disse estar disponível para ser ouvido pela comissão de Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas sobre o tema, após o PS ter anunciado que iria chamar o ministro ao parlamento e o PCP e BE terem proposto a criação de uma comissão parlamentar de inquérito.
Contudo, o chefe da diplomacia portuguesa não deverá ser ouvido pelo parlamento sobre a base das Lajes esta semana, uma vez que não está agendada nenhuma reunião da comissão de Negócios Estrangeiros, disse à Lusa fonte parlamentar.
Os requerimentos destes partidos serão votados "com a maior urgência" na próxima reunião, prevista para dia 26, segundo a mesma fonte.
A Base das Lajes, nos Açores, é utilizada militarmente pelos EUA no âmbito de um acordo de cooperação.