Perante críticas à reforma laboral. Montenegro acusa esquerda de "imobilismo"

Perante críticas à reforma laboral. Montenegro acusa esquerda de "imobilismo"

A legislação laboral ainda não tem discussão agendada no Parlamento, mas foi um dos temas debatidos entre Governo e deputados no debate na Assembleia da República, com o Livre a acusar o primeiro-ministro de não ouvir os portugueses sobre direitos no trabalho.

RTP /
Foto: Miguel A. Lopes - Lusa

A sessão arrancou a intervenção de Isabel Mendes Lopes a falar na necessidade de “medidas que respeitem ritmos humanos”, no que respeita às leis laborais. 

A co-porta-voz do Livre começou por falar na greve geral agendada para o próximo dia 3 de junho, lembrando que não existiria se o Governo “não fosse tão intransigente” e não insistisse na reforma laboral, “prolongando o alarme social que existe nas empresas e trabalhadores há dez meses”.

De acordo com a deputada, o Governo atua contra a vontade dos trabalhadores, já que esta legislação laboral “desprotege os trabalhadores”. O executivo de Luís Montenegro atua contra até de palavras recentes do Papa Leão XIV, mencionou Isabel Mendes Lopes, que alertou para aumento da precariedade a nível mundial.

O primeiro-ministro, por seu lado, Luís contrapôs que a esquerda revela imobilismo sobre legislação laboral, por não querer debater a proposta, e acusou a deputada de ter feito um “hino ao equívoco do início ao fim
”.

“Diz que o primeiro-ministro está a fazer uma coisa que as sondagens dizem que devia fazer ao contrário: o Governo não governa a pensar em sondagens, mas no país, na vida das pessoas, empresas, competitividade e produtividade do país”, defendeu.

Ainda a responder a Isabel Mendes Lopes, Montenegro admitiu ficar “um pouco apreensivo que os deputados, ao invés de quererem assumir a sua responsabilidade, digam ao Governo que não traga o assunto porque nós não queremos mexer nesse assunto”.

Quando se quer “fechar a porta desde o início” a aprofundar “a possibilidade de sermos mais produtivos, mais competitivos, de nos podermos diferenciar perante os outros com fatores que verdadeiramente possam atrair e reter”, prosseguiu o chefe do executivo, está-se do lado do imobilismo.

"Queixa-se de que há muitas desigualdades no mundo laboral, que há excesso de precariedade, mas não está disponível para encontrar solução e quer que tudo fique na mesma”, disse posteriormente Montenegro, dirigindo-se à co-porta-voz do Livre.

“E, portanto, o hino ao equívoco de vossa excelência é também uma assunção do imobilismo do Livre e da esquerda deste parlamento”, acusou.

Mas, numa segunda intervenção, a deputada do Livre voltou a insistir que a proposta de revisão da legislação “pejudica as famílias e os trabalhadores, sem “nada” dedicado à proteção dos trabalhadores em caso de “fenómenos extremos”.
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