Pescadores pedem "atenção especial" a António Filipe
Pescadores de Peniche, distrito Leiria, pediram hoje uma "atenção especial" ao candidato presidencial António Filipe para uma atividade cada vez mais difícil e de salários incertos.
Foram 34 os pescadores que subscreveram um abaixo-assinado de apoio à candidatura de António Filipe à Presidência da República e que foi entregue a bordo de um barco de pesca de sardinha, no Porto de Peniche.
"A vida do cerco cada vez está mais está mais difícil porque a gente não tem um salário certo. Eu sei que o senhor dá muita atenção à pesca e, portanto, a gente não tem um salário, a gente tanto ganha se apanhar o pescado, como se não apanhar, não se ganha", contou Francisco Encarnação, pescador há mais de 40 anos.
A vida no mar, descreveu, é de "alto risco" e, por isso, pediu ao candidato uma "atenção especial" ao setor.
Os subscritores consideram que a candidatura de António Filipe "é a única" que assume um papel intransigente na defesa dos trabalhadores, dos salários e do trabalho digno.
"Muito obrigado, agradeço muito (...) Nós temos de dar atenção à atividade económica do nosso país", respondeu o candidato apoiado pelo PCP e pelo PEV.
António Filipe considerou que "esta atividade tem vindo a perder peso na economia" nacional.
"E isso também tem que ver com a nossa soberania alimentar. Hoje em dia, Portugal, infelizmente, importa muito daquilo que se consome e eu creio que, num país com a dimensão da nossa costa, eu creio que temos todas as razões para que esta atividade fosse uma atividade mais desenvolvida em vez de ter vindo a perder peso, como tem vindo a perder ultimamente", apontou.
Para além de difícil e penosa para quem a exerce, o candidato disse que a pesca é também uma atividade "muito penalizada pela precariedade" porque é muito dependente das condições meteorológicas.
"E, portanto, a minha vinda aqui também é expressão dessa solidariedade para com os trabalhadores deste setor de atividade e considerando que este setor, não só para quem trabalha nele mas também para quem investe, tem vindo a perder peso da nossa economia e isso num país como o nosso não se aceita", frisou.
Dar atenção às atividades económicas, para António Filipe, "faz sentido nas eleições presidenciais" e daí, justificou, a sua vinda aqui ao porto de pesca de Peniche.
O número de pescadores tem vindo a decair e, para atrair mais pessoas para a atividade, defendeu "melhores salários" e "menos precariedade", bem como melhores condições para atrair investidores, considerando que Portugal "tem ficado a perder" nas negociações que são feitas no âmbito da União Europeia.
O candidato regressou hoje a Peniche, depois de, no domingo, ter dado o arranque à campanha oficial no Museu Nacional Resistência e Liberdade.
As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro.
Concorrem às presidenciais Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
Esta é a 11.ª eleição, em democracia, desde 1976, para o Presidente da República.