Política
"Portugal tem estado na primeira linha da disponibilidade solidária"
A Grécia não quer dar prioridade à recolocação de Yazidis em Portugal. Atenas acusa o Governo de Lisboa de discriminação positiva de um grupo especifico sobre todos os outros refugiados. No Jornal 2, o ministro adjunto refuta as acusações gregas. Eduardo Cabrita garante que "Portugal tem estado na primeira linha de uma disponibilidade solidária nesta questão dos refugiados". O Governo português anunciou a chegada dos primeiros 30 Yazidi para os próximos dias. O ministro garante que o mal entendido com Atenas será resolvido a tempo disso mesmo. "São pessoas que livremente manifestaram a sua vontade de vir para Portugal".
Os contactos têm praticamente um ano. As autoridades gregas não aprovaram. Preparam-se para inviabilizar toda a operação.
O Ministro grego das Migrações acusa Portugal de discriminação positiva de uma única etnia. Lisboa refuta.
Portugal já recebeu perto de um milhar de refugiados. Nenhum Yazidi. Recusa a ideia de discriminação. No Jornal 2 Eduardo Cabrita voltou a lembrar que a disponibilidade manifestada para receber este grupo étnico apoia-se em argumentos invocados pelas Nações Unidas e o Alto Comissariado para os Refugiados.
A ONU falam num grupo especialmente vulnerável que está a ser alvo de uma tentativa de genocídio por parte dos extremistas islâmicos do Daesh.
Os Yazidi são considerados um dos povos mais perseguidos da atualidade.
Têm uma religião própria que mistura elementos do cristianismo, islamismo e zoroastrismo. Adoram um Deus único e sete dos seus anjos. Um deles, o Anjo Pavão, é apontado pelo Corão como uma das representações do Diabo.
Em 2014, em Sinjar, no Iraque, essa foi a razão para pelo menos cinco mil homens terem sido executados e milhares de crianças e mulheres terem sido raptados para serem depois usados como escravos.
Quem foi capaz de fugir a mais este massacre procurou refugio na Europa. Na Grécia os Yazidi tem sido alvo de atos de violência em diversos campos onde estão misturados com outros refugiados muçulmanos, em especial xiitas, que os consideram adoradores de satanás.
Muitos pretendem seguir para a Alemanha, onde se encontra a maior comunidade Yazidi fora do Iraque (cerca de 100 a 120 mil refugiados), mas muitos outros viram a hipótese de vir para Portugal como uma solução de Paz.
Raid Safo, um desses homens, que admite ter tido reuniões onde essa alternativa lhe foi colocada afirma que "não quero ir para outro pais que tenha religião islâmica. Quero ir para Portugal porque é seguro".
190 yazidi declararam expressamente querer vir para Portugal. Os primeiros trinta deveriam chegar nos próximos dias. As autoridades gregas não autorizam a saída.
A eurodeputada Ana Gomes tem sido um dos rostos do apoio europeu aos Yazidi. No último ano visitou por diversas vezes os campos de acolhimento temporário em que estão os 1700 membros desta etnia que conseguiram chegar à Grécia.
Ana Gomes denunciou um processo de recolocação extremamente burocrático e aparentemente desenhado para dificultar a escolha do país de acolhimento por parte destas pessoas. "Exigia-se um pré registo via Skype. Ora estas pessoas não têm acesso a internet nos campos onde estão colocados provisoriamente".
A Eurodeputada acusa o governo grego de aparentemente não querer ser ajudado na questão dos refugiados.