Praia da Vieira. PCP critica "atrasos" das seguradoras no pagamento de indemnizações a vítimas das tempestades

Praia da Vieira. PCP critica "atrasos" das seguradoras no pagamento de indemnizações a vítimas das tempestades

O PCP acusa as seguradoras de "fugirem às responsabilidades" no pagamento de indemnizações na sequência das tempestades que, no início do ano, causaram elevados prejuízos em vários concelhos da zona zentro do país e aponta casos de "chantagem" sobre os pequenos empresários.

João Alexandre - RTP Antena 1 /
Foto: João Alexandre - RTP Antena 1

De visita à Praia da Vieira, no concelho da Marinha Grande, onde muitos estabelecimentos comerciais ainda não abriram portas, Paula Santos, líder parlamentar do PCP, ouviu queixas de empresários e lamentou os "atrasos" nos pagamentos.

"Houve um conjunto de atrasos muito significativos por parte das seguradoras, porque, entre os prejuízos que estão identificados e aquilo que já foi, efetivamente, pago, há uma diferença muito grande", disse a deputada comunista, que assinala: "Até tendo em conta que a primeira resposta que o Governo deu para esta situação virou-se para os seguros, procurando retirar todas as suas responsabilidades".

Um dos proprietários afetados é Hugo Argel, de 42 anos, dono do restaurante O Leme, que garante não ter recebido ainda qualquer indemnização da seguradora, apesar de os prejuízos provocados pela intempérie rondarem os 160 mil euros.

"Enviaram um mail ao meu mediador a dizer que a esplanada não está conforme o projeto. Não recebi nada, nada. A minha companhia está a tentar fugir", acrescentou.

Além do recurso à seguradora, o empresário conta que também procurou ajuda através das linhas de crédito anunciadas pelo Governo: "Pedi 100 mil euros e pago 28 mil de juros em 5 anos. A taxa de juro está lá em cima. E as companhias de seguro estão-nos a vencer pelo cansaço. É mau demais, diz Hugo Argel, que refere que a companhia de seguros tem levantado obstáculos ao processo.

"Chegámos a aceitar um valor inferior ao prejuízo real, mas continuam a arranjar justificações para não pagar", afirmou, acrescentando que deverá recorrer aos tribunais.

Pelo PCP, que, até terça-feira, realiza as jornadas parlamentares nos distritos de Leiria e Coimbra, a líder parlamentar Paula Santos, aponta aos "lucros gigantescos" das seguradoras: "Não se pode criar uma circunstância em que as micro, pequenas e médias empresas acabam por ficar sempre nas mãos desses grandes grupos económicos, como parece ser o caminho que se pretende impor".

PCP recusa seguros obrigatórios: "Essa foi a linha em que o Governo assentou"


Para os comunistas, a decisão do Governo de avançar com seguros obrigatórios para habitações e infraestruturas empresariais - uma proposta feita na apresentação PTRR -, não é solução e pode significar um aumento incomportável dos custos para pequenos empresários.

"Não nos parece que seja a solução para estas situações. Para já, aquilo que estamos a ver é que há uma grande pressão e uma grande chantagem. E, o que é que isso significaria de aumento, até do ponto de vista dos prémios [pagos às seguradoras]?", questionou Paula Santos.

No mesmo sentido, o empresário Hugo Argel assinala ainda que as companhias de seguros têm rejeitado celebrar novas apólices e adianta que transmitiu essa situação ao Presidente da República, António José Seguro, que também esteve na Praia da Vieira, durante a presidência aberta pela zona centro, para constatar os danos causados pelas tempestades.

“Expus a situação, mandei um e-mail para o Presidente da República. Ele falou com os chefes das seguradoras e eles disseram que não faziam [apólice] porque o seguro não é obrigatório. Se o seguro for obrigatório, têm de nomear uma companhia para o fazer”, disse.



Recuperação do Pinhal de Leiria gera "preocupação"

Antes da visita à Praia da Vieira, a comitiva comunista passou pelo Pinhal de Leiria, onde milhões de árvores foram destruídas pelas fortes tempestades do final de janeiro. Aos jornalistas, Paula Santos manifestou a precoupação com a falta de limpeza das árvores derrubadas.

"Estamos no período em que o risco de incêndios é mais elevado e, de facto, toda aquela matéria que continua no terreno constitui uma preocupação grande. Constatamos uma insuficiência da falta de resposta por parte do Governo, porque se deveria ter mobilizado meios e recursos para acorrer a estas áreas e retirar o máximo de biomassa", disse.

A deputada considera ainda que é ncessário um reforço do investimento público, do planeamento e da gestão das áreas florestais. "É preciso mais trabalhadores [no ICNF] e que sejam valorizados nas suas carreiras e nos seus salários", disse.

As jornadas parlamentares do PCP prosseguem até terça-feira, nos distritos de Leiria e Coimbra, com visitas e reuniões dedicadas aos impactos das tempestades, à gestão da floresta e ao pacote laboral.
PUB