Prisa atribui saída de Moura Guedes à gestão em Lisboa

Prisa atribui saída de Moura Guedes à gestão em Lisboa

O cancelamento do bloco de informação semanal apresentado por Manuela Moura Guedes, que motivou a demissão da Direcção de Informação e da chefia da redacção da TVI, foi uma decisão adoptada em Lisboa pela "direcção da cadeia", sustentou esta sexta-feira, a partir de Madrid, uma fonte oficial do grupo espanhol Prisa.

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Responsáveis da Prisa ouvidos pela agência Lusa manifestaram "surpresa" perante as reacções políticas em Portugal RTP

"Quando se coloca à frente de uma empresa uma equipa de direcção, temos que respeitar a sua decisão e isso é tudo". É esta a posição do maior grupo espanhol de comunicação social, que desde 2006 controla a Media Capital, detentora da TVI. Quem o afirma é uma fonte oficial da Prisa em declarações à agência Lusa.

A decisão que pôs termo ao Jornal de Sexta, na véspera do recomeço daquele espaço informativo da estação de Queluz de Baixo, foi adoptada "no âmbito da direcção da cadeia e com o envolvimento da Direcção Geral da Media Capital", disse a fonte citada pela agência de notícias.

Quanto ao eventual envolvimento directo do presidente da Prisa, Juan Luis Cebrián, no afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes do espaço noticioso das sextas-feiras, a fonte alega que o grupo "respeita a independência de gestão" nas suas empresas.

"O Conselho tem o papel de marcar as directrizes gerais da empresa, definir por exemplo se vamos ou não reforçar a presença neste ou naquele país. Mas quando há uma empresa que tem uma direcção-geral e um conselheiro delegado, são eles que gerem essa companhia", propugnou.

"Decisão normal na gestão do dia-a-dia"

A Prisa, prosseguiu a fonte citada pela Lusa, "confia nas equipas gestoras que tem em qualquer local": "Naturalmente que depois, a nível interno, há uma cadeia de comunicação, mas as decisões não são tomadas com consultas prévias".

"Cada uma das empresas tem a posição que tem e uma equipa de direcção que actua. A Media Capital tem demonstrado ter mantido uma gestão que se evidencia nas audiências", insistiu.

Outros responsáveis pelo grupo espanhol ouvidos pela agência Lusa manifestaram "surpresa" perante as reacções políticas em Portugal, descrevendo a supressão do Jornal de Sexta como uma "decisão normal na gestão do dia-a-dia da empresa".

"Homogeneizar a consistência do Jornal Nacional"

Na quinta-feira, a administração da TVI ligou o cancelamento do Jornal de Sexta ao que disse ser o "objectivo de homogeneizar e reforçar a consistência do Jornal Nacional ao longo de toda a semana".

"Desejamos manifestar expressamente que o respeito pelos valores da liberdade de expressão e o direito à informação constituem, juntamente com a independência, rigor a profissionalismo, os fundamentos sobre os quais se constrói a identidade da nossa estação e se baseia a qualidade da informação", lia-se num comunicado difundido após a notícia da demissão da Direcção de Informação do canal.

Por seu turno, a redacção da TVI assinou uma nota para repudiar a decisão da administração, exigindo esclarecimentos.

"A redacção da TVI reprova quaisquer actos que ponham em causa a sua dignidade profissional e independência jornalística, bem como a liberdade de imprensa em geral", frisaram os jornalistas da TVI após um plenário.

Por sua vez, José Eduardo Moniz, antigo director-geral da TVI referiu-se ao cancelamento do Jornal de Sexta como um "escândalo".

"O que acaba de acontecer é um escândalo a todos os títulos, do ponto de vista político, empresarial e da liberdade de informação em Portugal. É escandaloso que esta situação tenha ocorrido", reagia ontem o actual vice-presidente da Ongoing.

José Eduardo Moniz lembrou que no dia em que saiu da TVI assinalou, em entrevista ao Jornal Nacional, que seria "um escândalo se o Jornal de Sexta não fosse retomado em Setembro". E apontou aos accionistas "uma enorme falta de verticalidade": "Acabam de revelar que não têm estatuto nem dimensão para terem um órgão de comunicação social em Portugal".

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