Propostas socialistas alimentam guerra por votos

Propostas socialistas alimentam guerra por votos

As propostas que constam do “Contrato de Confiança”, apresentado por António José Seguro durante a convenção “Novo Rumo para Portugal", marcaram o sétimo dia da campanha eleitoral para as eleições europeias. Os candidatos do PSD/CDS-PP, BE e CDU questionaram a oportunidade e acusam os socialistas de apenas fazerem “promessas”. Esta segunda-feira as caravanas vão percorrer os distritos de Santarém, Coimbra, Aveiro, Porto, Vila Real e Viseu, juntando-se aos comícios o secretário-geral do PS, o ex-candidato presidencial Manuel Alegre e os coordenadores do Bloco de Esquerda.

RTP /
As propostas apresentadas por António José Seguro marcaram a campanha eleitoral no domingo Tiago Petinga, Lusa

Paulo Rangel, cabeça de lista da coligação Aliança Portugal, acusou os socialistas de apresentarem “promessas sem pedirem desculpa aos portugueses pelos sacrifícios que os obrigaram a sofrer”. João Ferreira, número um a lista da CDU, lamentou que o programa apresentado pelo secretário-geral do PS para um futuro Governo faça “silêncio de chumbo sobre a reposição de rendimentos de trabalhadores e reformados”. Já o Bloco de Esquerda considera que os socialistas “não abdicaram do tratado orçamental, estão apenas a fazer promessas”.
Rangel fala em medidas “vagas e requentadas”
O cabeça de lista da coligação Aliança Portugal, Paulo Rangel, considera que as “80 medidas apresentadas pelo PS são vagas e requentadas”, defendendo que estas eleições servem para os portugueses darem “um sinal de que não querem uma quarta bancarrota”.

“Nós não estamos a confundir eleições nacionais com eleições europeias. Mas há uma coisa que vos garanto, o PS que não pense que fica sem resposta, que apresenta um programa com 80 medidas de Governo, aliás vagas e muitas delas requentadas, a meio de uma campanha eleitoral para as europeias e que nós ficamos calados (...) nos nossos comícios e intervenções”, declarou Paulo Rangel num comício em Barcelos, que contou com a presença do antigo líder do PSD Marques Mendes.

Já o primeiro candidato do CDS-PP na Aliança Portugal, Nuno Melo, considera que as medidas apresentadas no sábado pelo PS constituem “uma volta ao passado”.

“Isto é geneticamente ser-se socialista. A troika sai, Sócrates volta, anunciam que reduzirão os impostos e que aumentarão a despesa. Sabemos todos muito bem o que teremos amanhã, vai ser o anúncio de um novo TGV, de um novo aeroporto ou de uma ponte sobre o Tejo”, acrescentou Nuno Melo.

O ex-primeiro-ministro socialista foi também recordado por Paulo Rangel, que o acusou de regressar de Paris depois da partida da troika. “Que não pense o engenheiro José Sócrates e os seus apoiantes do PS, que pelos vistos são todos, que mete aqui a troika e vai-se embora para Paris e, quando a troika vai embora, regressa de Paris para voltar outra vez à política portuguesa”.

“Ele que não conte com isso. Nós estamos atentos, os portugueses não esqueceram. Nós sabemos que se hoje estamos onde estamos, tivemos de passar por esforços, sacrifícios e medidas duras, isso tem um responsável, isso tem um culpado e o responsável e o culpado são as políticas socialistas 13 anos depois de 1995 e, em particular, nos últimos anos de governação de José Sócrates, que são agora recuperados pelo PS em plena campanha para as europeias”, rematou Paulo Rangel.

No jantar-comício em Barcelos, o antigo presidente do PSD Luís Marques Mendes afirmou-se preocupado com a abstenção em especial do eleitorado PSD/CDS-PP. “Não votar no próximo domingo também não é solução porque os adversários, como se tem visto, também não têm alternativa”.

Esta manhã os candidatos da Aliança Portugal estão no distrito de Vila Real, onde têm encontros com o reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e visitam a adega cooperativa de Valpaços. Paulo Rangel e Nuno Melo passam o resto do dia em Viseu, acompanhados por Fernando Ruas, antigo presidente da câmara e candidato ao Parlamento Europeu.
CDU acusa PS de estar amarrado
João Ferreira, número um da lista da CDU, relembrou as propostas de José Sócrates ao comentar as medidas apresentadas pelo atual secretário-geral do PS, sublinhado que “o partido rosa está amarrado ao Tratado Orçamental”.

“Sabemos bem que as campanhas eleitorais são o tempo de todas as promessas, que os portugueses sabem, há 37 anos, o significado real dessas promessas. Ainda nos lembramos que, em 2005, aparecia aí aquele que viria a ser primeiro-ministro, José Sócrates, em cartazes espalhados pelo país, a prometer 150 mil empregos. Também sabemos que quando ele deixou o Governo o desemprego tinha atingido mais de 250 mil pessoas do que aquelas que ele encontrou quando se tornou primeiro-ministro”, afirmou João Ferreira num jantar de campanha em Torres Vedras.

Para o candidato da CDU, “não pode vir a prometer a mudança que não tem credibilidade para prometer essa mudança e quem deixou à vista que, nos últimos cinco anos, um voto no PS ou no PSD ou CDS para efeitos de eleição de deputados para o Parlamento Europeu, representou uma e a mesma coisa”.

“O mesmo PS que se entendeu com o PSD e o CDS para baixar os impostos, o IRC dos grandes grupos económicos, é o mesmo que não é capaz de assumir o compromisso de baixar a brutal carga fiscal que pesa sobre os pequenos empresários, famílias e trabalhadores”, lamentou.

Esta segunda-feira, João Ferreira participa numa arruada na cidade de Santarém e visita os concelhos de Salvaterra de Magos e Alpiarça.
BE defende país esquecido
Marisa Matias, cabeça de lista do Bloco de Esquerda, defende o país esquecido onde as desigualdades se acentuaram com a austeridade, frisando que “os portugueses não são apenas cofres onde o Governo e as instituições europeias vêm buscar dinheiro cada vez que querem alimentar os amigos”.

“Somos gente com dignidade. Se pagamos impostos, temos que vê-los ser redistribuídos”, sublinhou Marisa Matias num comício na sua terra natal em Alcouce, Condeixa-a-Nova.

Segundo a candidata do BE, “toda a gente deve ser tratada com honradez e não menos do que ninguém. Porque somos todos iguais. Somos iguais para pagar impostos, teremos de ser iguais nos serviços”.

Hoje a campanha do Bloco de Esquerda visita a feira de Espinho, almoça no Porto com João Semedo e Catarina Martins. O dia termina em Aveiro, onde Marisa Matias participa num comício.
Assis deixa mensagem o BE e ao PCP
Francisco Assis, cabeça de lista socialista, quis apontar o dedo ao Bloco de Esquerda e ao PCP por atacarem o PS em vez de voltarem baterias contra o Governo.

“Infelizmente, parece que os partidos situados à nossa esquerda se enganam mais uma vez em relação ao adversário principal. É lamentável verificar que canalizam mais energias para atacar o PS do que para atacar a direita e este Governo extremista que está a conduzir para um verdadeiro desastre”, afirmou Francisco Assis num comício em Cabeceiras de Basto.

O cabeça de lista socialista deixou um apelo ao PCP e ao BE, para que “não se enganem neste momento em relação ao adversário principal, não incorram na falácia (que tantas vezes teve resultados negativos) de fazer crer que não há diferenças entre o PS e esta direta extremista, porque todos os portugueses, incluindo muita gente do PCP e do Bloco, sabem bem na carne que há diferenças entre esta direita extremista e o PS”.

“Este Governo atacou cirurgicamente os funcionários públicos no âmbito de uma campanha ideologicamente orientada para o ataque ao Estado, e atacou os pensionistas transmitindo-lhes a ideai que estavam a mais na vida nacional. Alguns neste país, muito poucos, tornaram-se mais ricos. Tudo isto em escassos três anos”, acrescentou Francisco Assis.

A caravana eleitoral do PS começou o dia na Figueira da Foz e almoça em Soure. À tarde, Francisco Assis visita Montemor-o-Velho e a Praia de Mira. A jornada de campanha termina em Coimbra com um comício em que participam António José Seguro e Manuel Alegre.
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