PS de Seguro faz oposição a Passos com "limitações"

PS de Seguro faz oposição a Passos com "limitações"

A atual direção do PS propõe-se fazer uma “oposição honesta”, mas deve clarificar “as limitações” que lhe são ditadas pelo programa de resgate negociado com o Fundo Monetário Internacional e a União Europeia. É assim que António José Seguro explica a estratégia de afastamento face ao último capítulo da governação de José Sócrates que ontem levou à Comissão Nacional do seu partido. Em Évora, o líder do PS afirmou discordar de “uma parte” do memorando da troika. Para garantir que vai honrá-lo.

RTP /
“Honrarei os compromissos que foram assumidos por um Governo do Partido Socialista em nome do Estado português. Isso não me impede de dizer que discordo”, declarou Seguro Nuno Veiga, Lusa

António José Seguro quer mover ao Executivo do PSD e do CDS-PP uma “oposição honesta, uma oposição responsável, uma oposição séria”. Todavia, explica, “é preciso que os portugueses saibam quais são as limitações” que condicionam a ação do seu Partido Socialista – em suma, o conteúdo do memorando que o anterior Governo de José Sócrates assinou com a missão do Fundo Monetário Internacional, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia.

“Hoje tive oportunidade de dizer na Comissão Nacional, porque considero que é o sítio e o local apropriado, que não assinei esse memorando, que não concordo com uma parte desse memorando. Mas naturalmente que o honro”, justificou ontem à noite o secretário-geral do PS, a culminar uma jornada partidária pontuada por recados para o interior da estrutura socialista. Sobretudo para os críticos internos do atual rumo.

“Eu honro os compromissos que o Partido Socialista assumiu. Honro-os todos por completo. Isso não quer dizer que eu concorde com eles todos”, insistiu Seguro, que daria como único exemplo de discordância a privatização da Rede Elétrica Nacional (REN). “Porque considero que todas as redes em Portugal devem ser propriedade pública”, argumentou.
“Prestar contas”
Ao início da tarde de domingo, enquanto se encaminhava para um almoço de trabalho com presidentes de federações socialistas, António José Seguro guardava ainda silêncio sobre a intervenção que fizera perante a Comissão Nacional do partido, aconselhando os jornalistas a “aproveitarem bem” a “gastronomia” de Évora.

Contudo, fontes socialistas citadas pela agência Lusa adiantariam que o secretário-geral tratara de sublinhar que a sua assinatura não constava do memorando de entendimento negociado com a troika. Seguro teria mesmo sustentado que não poderia ser alvo das críticas daqueles que, no seio do PS, estiveram envolvidos nas negociações.

Sem aclarar os pontos do programa de resgate que mereciam a sua reprovação, o líder socialista disse aos membros da Comissão Nacional que honraria, ainda assim, os compromissos assumidos pelo anterior Governo. Na sala estavam antigos responsáveis da governação de Sócrates, entre os quais Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e Vieira da Silva.

À noite, o secretário-geral do PS assinalou que esteve na Comissão Nacional para “prestar contas” e, como tal, “não iludir nenhum problema”.
“Sindicatos de voto”
De acordo com uma das fontes socialistas ouvidas pela Lusa, entre as “áreas de intervenção prioritárias”, Seguro defendeu também a alteração das “regras de adesão de militantes”, à luz do argumento de que não é “tolerável” que não se verifiquem “processos claros de adesão”.

O secretário-geral do PS, indicou a mesma fonte, colocou mesmo a tónica na necessidade de “erradicar os sindicatos de voto e o caciquismo”.

Na Comissão Nacional, disse ainda António José Seguro, consolidou-se o “compromisso” de “modernização e abertura” do PS com o início da revisão dos estatutos do partido. Já do almoço de trabalho com os presidentes das federações resultou a marcação de uma conferência sobre o interior do país para 3 de março em Castelo Branco.
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