PS deve liderar combate à corrupção e abuso de poder - Carlos César
O presidente do PS defendeu este sábado que os socialistas devem liderar o combate à corrupção e abuso de poder, formando um Governo com olhos e ouvidos bem abertos, disponível a consensos e à participação dos cidadãos.
Carlos César falava no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, na reabertura dos trabalhos do segundo e último dia da Convenção Nacional do PS, que se prepara esta tarde para aprovar o programa eleitoral dos socialistas.
Sem fazer alusão a casos concretos no domínio criminal, o ex-presidente do Governo Regional dos Açores deixou o seguinte apelo aos delegados à convenção: "No combate a fenómenos como a corrupção e o abuso de poder, devemos procurar os consensos necessários e o PS deve liderar essas lutas em Portugal".
Num discurso em que defendeu a tese de que os casos grego e espanhol terão demonstrado que não é por via do surgimento de novos partidos que se combate o fenómeno da abstenção, o presidente do PS considerou que a falta de participação é a principal doença do regime democrático.
"A democracia portuguesa precisa que os partidos sejam melhores, precisa de melhores políticas e de melhores resultados com consequência na vida quotidiana das pessoas. É esse o esforço que estamos a fazer no PS", advogou.
Carlos César rejeitou também a ideia de que a democracia se possa esgotar nos atos eleitorais e afirmou neste contexto que um Governo socialista deverá assumir como atitude fundamental e permanente "ter os olhos e ouvidos bem abertos", mobilizando os cidadãos para a participação política.
"Se é verdade que não podemos nem queremos substituir a legitimidade democrática por uma intermediação corporativa, não é menos verdade que governar legitimamente não é somente ter ou deixar de ter razão de quatro em quatro anos. A democracia não se esgota no sufrágio eleitoral periódico. Deve exercitar-se todos os dias", frisou o presidente do PS.
O discurso de Carlos César antecedeu os do economista Paulo Trigo Pereira e dos cientistas Alexandre Quintanilha e Raquel Seruca, que levantou a sala ao evocar a obra do antigo ministro Mariano Gago a favor da ciência em Portugal.