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PS insiste nas críticas à ministra da Saúde: "Não está a cumprir com a palavra dada"
Na semana em que a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, recusou, em entrevista à RTP Antena 1, um cenário de demissão e saída do Governo, o PS insiste que a titular da pasta não tem condições para continuar no cargo e defende que, nos últimos dois anos, o acesso dos portugueses à saúde e a resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS) estão piores.
"O ponto de partida deste Governo eram cinco eixos fundamentais num plano de emergência e transformação. O primeiro eixo era acabar com as listas de espera e esse ponto não só não se resolveu como se agravou. Portanto, facto e consequência: a ministra da Saúde não está a cumprir com a palavra dada", apontou, em declarações no programa Entre Políticos, a coordenadora do PS na comissão parlamentar de saúde.
Na RTP Antena 1, Susana Correia questionou também a confiança política mantida pelo primeiro-ministro em Ana Paula Martins, após um percurso que os socialistas consideram ter sido negativo.
"[Luís Montenegro] Tem salvaguardado e, de certa forma, dito que tem a ministra certa. Isto é outro problema e outra preocupação. Terá, certamente, a ministra certa para o seu pensamento e não a ministra certa ou a visão certa para um SNS que queremos universal e tendencialmente gratuito. Isso poderá ser um importante debate", sublinhou.
Do lado do PSD, Miguel Guimarães rejeitou qualquer cenário de falhanço político e considerou que os dados da Entidade Reguladora da Saúde demonstram um aumento significativo da capacidade de resposta do SNS. Segundo o deputado social-democrata, tem havido um aumento do número de consultas, cirurgias e tratamentos em áreas prioritárias, sublinhando que “o SNS está a responder” e a “aumentar a sua produtividade de uma forma substantiva”.
O ex-Bastonário da Ordem dos Médicos argumentou ainda que o crescimento das listas de espera está associado ao aumento da procura. “Há mais pessoas a recorrer ao SNS”, afirmou o deputado, que defende que os utentes estão hoje “mais exigentes”.
Miguel Guimarães destacou igualmente "melhorias" na oncologia e na cirurgia cardíaca, afirmando que existem “menos utentes em espera” nessas áreas: “Nunca foi tão grande o cumprimento dos tempos máximos de resposta garantidos como é agora”, acrescentou.
PCP pede mais investimento no SNS. Chega quer "revisão do modelo"
Durante o debate, também Patrícia Nascimento considerou que o SNS enfrenta problemas estruturais e que o atual modelo já não responde às necessidades da população.
"Há uma necessidade muito grande de reformar este Sistema Nacional de Saúde e de dar esta resposta às pessoas. Isto não está a ser feito por este Governo e nós percebemos que a ministra da Saúde tem o diagnóstico feito, que falou de todos os problemas que existem, mas precisamos de resolvê-los e de rever este modelo", afirmou a deputada do Chega.
"Não quero contribuir para esta fulanização na ministra e compreendo perfeitamente que o primeiro-ministro a queira manter, porque ela está a cumprir o programa do Governo. O programa do Governo qual é? É deixar acentuar a curva descendente, que já vinha de trás, e abrir porta para mais intervenção do setor privado a partir do Orçamento do Estado", diagnosticou o responsável do PCP para a área da saúde.
Segundo Bernardino Soares, na entrevista ao programa Política com Assinatura, na RTP Antena 1, Ana Paula Martins deixou claro que vai pagar aos privados que façam consultas ou cirurgias o mesmo valor que se paga para o Serviço Nacional de Saúde. "Ora, os privados só vão fazer aquelas consultas e cirurgias que lhes forem vantajosas", lamentou o antigo deputado comunista.
Pacto para a Saúde. "Questão das remunerações é importante”, diz Miguel Guimarães
Numa altura em que Belém define os primeiros passos na tentativa de alcançar um Pacto Estratégico para a Saúde - proposto pelo presidente da República e coordenado pelo antigo ministro Adalberto Campos Fernandes -, o PSD admite que as remunerações dos profissionais devem ser uma prioridade.
"A questão das remunerações obviamente que é importante”, afirmou o antigo Bastonário, que acrescenta: "O presidente da República fez aquilo que prometeu. E tem de haver aqui, de facto, um período em que se vão ouvir várias pessoas da sociedade civil, os representantes dos profissionais, os representantes dos doentes e por aí fora e depois vai-se tentar que haja aqui algum pacto".
Do lado do PCP, Bernardino Soares defendeu que o pacto deve centrar-se na valorização dos profissionais de saúde. “Tem de ser prioritário também nessa discussão”, disse, referindo que as condições de trabalho e a remuneração devem ser elementos centrais.
Já a deputada do PS Susana Correia enquadra a iniciativa de Belém como uma oportunidade para reforçar o direito à saúde consagrado na Constituição, defendendo um SNS “universal e tendencialmente gratuito”.
Quanto a Patrícia Nascimento, deputada do Chega, apontou potencial em áreas como digitalização e inovação, mas mostrou dúvidas sobre a execução do pacto.
"Temos algumas dificuldades em perceber, na realidade, em que é que se vai concretizar ou materializar este Pacto para a Saúde, porque não sabemos de que forma é que poderá ser colocado em prática, porque os partidos podem chegar a um consenso, mas, na realidade, quem tem de meter as medidas a andar é o Governo", concluiu.
O programa Entre Políticos é moderado pelo jornalista João Alexandre.