PS quer explicações do Governo sobre preços dos combustíveis: "A repercussão é imediata quando o barril de crude aumenta"

PS quer explicações do Governo sobre preços dos combustíveis: "A repercussão é imediata quando o barril de crude aumenta"

Socialistas consideram que as explicações dadas no parlamento pela ministra do Ambiente e Energia foram insuficientes e querem ver refletidas no mercado nacional as descidas de preços dos produtos petrolíferos.

João Alexandre - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
Foto: António Antunes - RTP

No dia em que a ministra do Ambiente e Energia garantiu confiança na descida do preço dos combustíveis, e depois de o Governo ter encomendado um estudo sobre a formação dos preços no setor, o grupo parlamentar do PS pediu ao Executivo mais esclarecimentos sobre o que leva os preços dos combustíveis a manterem-se elevados e exigiu garantias de que a refinaria de Sines continuará ativa na sequência do negócio anunciado entre a Galp e a empresa energética espanhola Moeve.

Os socialistas acusam o Executivo de ainda não ter dado respostas suficientes sobre matérias que considera determinantes para os consumidores e para a soberania energética do país e já enviou um conjunto de questões à ministra Maria da Graça Carvalho. Ouvido pela RTP Antena 1, o deputado Pedro Vaz considera que o Governo tem de dar mais esclarecimentos aos portugueses.

"Aquilo que nós vemos é que os preços dos combustíveis dispararam automaticamente quando o preço do barril de crude aumentou. Agora que o preço do barril de crude desceu, os preços não descem. Portanto, há aqui qualquer coisa que não está correta", afirmou o socialista, que reconhece, no entanto, que a repercussão da evolução do preço não é automática: "Todos sabemos que a repercussão não é direta. Mas, a repercussão é imediata quando o barril de crude aumenta".
O grupo parlamentar do PS entende ainda que não faz sentido confrontar a Entidade Nacional para o Sector Energético (ENSE) sobre esta matéria e que a questão dos preços deve ser respondida pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE)

"A ministra do Ambiente e Energia disse que ia falar com a ENSE por causa do assunto. Ora bem, a ERSE é que verifica se os preços são os preços eficientes do mercado. Aliás, aquilo que já ouvimos publicamente é que, neste momento, não estão a ser praticados os preços eficientes. Quer a ERSE quer o Governo têm os instrumentos para garantirem que o preço é o preço eficiente. A bem dos consumidores".

Socialistas querem garantias sobre da refinaria de Sines em negócio entre GALP e Moeve: "Governo não tem sido cabal"

Numa altura em que a refinaria de Sines é a única unidade de refinação em funcionamento em Portugal - depois de a Galp ter encerrado, em 2021, a refinaria de Matosinhos -, o PS chama a atenção para a necessidade de manter a funcionar uma "infraestrutura estratégica para a segurança e soberania energética" e pede ao Governo que esclareça quais são as garantias de que a atividade será mantida.

"Foi anunciada uma concentração ou uma fusão entre duas grandes empresas ibéricas, a GALP e a Moeve. Os contornos dessa negociação nós não os conhecemos. Não se sabe se esta infraestrutura industrial crítica, do ponto de vista da soberania energética, vai manter a sua operação", afirmou em declarações à RTP Antena 1.

O deputado do PS recorda que a refinaria tem sido alvo de elevados investimentos de modernização e considera que o Governo continua sem responder às principais dúvidas. "Não tem sido cabal na resposta. Se a infraestrutura vai manter a sua operação e se os trabalhadores que estão afetos a essa infraestrutura vão manter os seus postos de trabalho".

Para o socialista, a garantia dada pelo Executivo de que está a "acompanhar" o processo não é suficiente, tendo em conta a posição acionista do Estado na GALP.

"Através da sua participação de 8%, é o segundo maior acionista da empresa, a seguir ao Grupo Amorim. Custa-nos acreditar que aquilo que esteja a ser negociado seja desconhecido do Governo", acrescentou.

O deputado considera que o Governo dispõe de instrumentos legais para intervir e que chegou o momento de abandonar aquilo que classifica como respostas evasivas.

"O Governo tem os instrumentos legais que lhe permitem garantir estas questões. Tem sido evasivo nas respostas e está na hora de deixar de o ser. Custa-nos muito acreditar que nada saiba sobre o assunto", insistiu.
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