Política
PS quer explicações do Governo sobre preços dos combustíveis: "A repercussão é imediata quando o barril de crude aumenta"
Socialistas consideram que as explicações dadas no parlamento pela ministra do Ambiente e Energia foram insuficientes e querem ver refletidas no mercado nacional as descidas de preços dos produtos petrolíferos.
No dia em que a ministra do Ambiente e Energia garantiu confiança na descida do preço dos combustíveis, e depois de o Governo ter encomendado um estudo sobre a formação dos preços no setor, o grupo parlamentar do PS pediu ao Executivo mais esclarecimentos sobre o que leva os preços dos combustíveis a manterem-se elevados e exigiu garantias de que a refinaria de Sines continuará ativa na sequência do negócio anunciado entre a Galp e a empresa energética espanhola Moeve.
Os socialistas acusam o Executivo de ainda não ter dado respostas suficientes sobre matérias que considera determinantes para os consumidores e para a soberania energética do país e já enviou um conjunto de questões à ministra Maria da Graça Carvalho. Ouvido pela RTP Antena 1, o deputado Pedro Vaz considera que o Governo tem de dar mais esclarecimentos aos portugueses.
"Aquilo que nós vemos é que os preços dos combustíveis dispararam automaticamente quando o preço do barril de crude aumentou. Agora que o preço do barril de crude desceu, os preços não descem. Portanto, há aqui qualquer coisa que não está correta", afirmou o socialista, que reconhece, no entanto, que a repercussão da evolução do preço não é automática: "Todos sabemos que a repercussão não é direta. Mas, a repercussão é imediata quando o barril de crude aumenta".
O grupo parlamentar do PS entende ainda que não faz sentido confrontar a Entidade Nacional para o Sector Energético (ENSE) sobre esta matéria e que a questão dos preços deve ser respondida pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE)
Socialistas querem garantias sobre da refinaria de Sines em negócio entre GALP e Moeve: "Governo não tem sido cabal"
Numa altura em que a refinaria de Sines é a única unidade de refinação em funcionamento em Portugal - depois de a Galp ter encerrado, em 2021, a refinaria de Matosinhos -, o PS chama a atenção para a necessidade de manter a funcionar uma "infraestrutura estratégica para a segurança e soberania energética" e pede ao Governo que esclareça quais são as garantias de que a atividade será mantida.
"Foi anunciada uma concentração ou uma fusão entre duas grandes empresas ibéricas, a GALP e a Moeve. Os contornos dessa negociação nós não os conhecemos. Não se sabe se esta infraestrutura industrial crítica, do ponto de vista da soberania energética, vai manter a sua operação", afirmou em declarações à RTP Antena 1.
O deputado do PS recorda que a refinaria tem sido alvo de elevados investimentos de modernização e considera que o Governo continua sem responder às principais dúvidas. "Não tem sido cabal na resposta. Se a infraestrutura vai manter a sua operação e se os trabalhadores que estão afetos a essa infraestrutura vão manter os seus postos de trabalho".
Para o socialista, a garantia dada pelo Executivo de que está a "acompanhar" o processo não é suficiente, tendo em conta a posição acionista do Estado na GALP.
"Através da sua participação de 8%, é o segundo maior acionista da empresa, a seguir ao Grupo Amorim. Custa-nos acreditar que aquilo que esteja a ser negociado seja desconhecido do Governo", acrescentou.
O deputado considera que o Governo dispõe de instrumentos legais para intervir e que chegou o momento de abandonar aquilo que classifica como respostas evasivas.