PSD apoia posição contra "off-shores" e "não enfia barrete" de críticas à direita - Silva Peneda
Estrasburgo, França, 10 Mar (Lusa) - O eurodeputado José Silva Peneda afirmou hoje que a delegação do PSD ao Parlamento Europeu apoia a posição de Elisa Ferreira contra os "paraísos fiscais", rejeitando por isso "enfiar o barrete" das críticas à direita formuladas pela deputada socialista.
Elisa Ferreira, autora do relatório da comissão parlamentar dos Assuntos Económicos e Monetários sobre o plano de relançamento da economia europeia proposto pela Comissão, que vai a votos quarta-feira no hemiciclo de Estrasburgo, acusou hoje a "direita parlamentar" de tentar inviabilizar uma referência no texto à necessidade de combater os "off-shores".
Em declarações hoje à Agência Lusa, a deputada portuguesa apontou que "curiosamente a direita parlamentar obrigou a eliminar do texto do relatório uma referência explícita à necessidade de combater os paraísos fiscais", ou "off-shores", quando até o próprio presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, já falou nisso, e indicou que vai recolocar esse parágrafo no plenário, ficando à espera do desfecho da votação.
Ouvido pela Lusa, Silva Peneda, antigo ministro do Emprego de um Governo liderado por Cavaco Silva, afirmou que o Partido Popular Europeu, a maior família política da assembleia, na qual se integra a delegação social-democrata, "é um universo muito grande, e não se pode falar de um universo de uma forma global".
Prova disso mesmo, apontou, é o facto de haver "delegações inteiras" (de vários países) dentro do partido a apoiar propostas da relatora socialista, caso do apoio do PSD à referência aos paraísos fisciais.
"Não enfiamos esse barrete (das críticas à direita). Neste caso estamos precisamente no mesmo barco. Tudo o que seja contra a falta de transparência e combate à corrupção, o PSD está na linha da frente", disse, acrescentando que pessoalmente sempre defendeu o fim dos "off-shores", tal como já o disse o próprio presidente do executivo comunitário e antigo presidente social-democrata Durão Barroso.
Sem nunca se referir aos partidos portugueses, Elisa Ferreira defendera que se a direita inviabilizar a aprovação do relatório com uma referência aos paraísos fiscais "também se terá de tirar consequências políticas", já que "as pessoas quando vão votar para o Parlamento Europeu às vezes pensam que é a mesma coisa votar à esquerda ou à direita (...) e votar à direita dá origem a coisas como esta, que são completamente incompreensíveis"
ACC.